Lista de Poemas
Espelho
Sou aquele
do lado de lá do espelho
ficando vermelho
ao saber que não sou
o real...
...e que passa mal
ao pensar que a verdade
é ele, refletida em mim
que estou
do lado de cá do espelho
ficando vermelho
ao saber que ele é
o real...
...e que passo mal
ao pensar que a verdade
não sou eu, refletida nele...
Soneto vinho tanto
O cavalheiro tão distinto
estendeu seu lindo manto,
à moça foi sucinto
que lhe causou espanto!
Qual presa em labirinto
ela ensaiou seu pranto
e como por instinto
se encostou num canto...
Mas veio o vinho tinto
que a moça bebeu tanto:
parou no copo quinto!
E veio o acalanto,
e o escuro do recinto
fez-se um silêncio santo...
Ícone insone
o homem das letras não dorme
interneteia
passeia com sua solidão agarrado a um camundongo
qual alma penada
arrastando a madrugada
pelos ícones do vale do silêncio
cemitério de silício
quando é seis e meia, o homem das letras se dá contaque ainda não quer dormir...
talvez ele não possa
talvez ele não queira
talvez ele precise que seja assim
talvez seu travesseiro seja menos confortável que ummouse-pad
o homem das letras não cede: vence o sono mais umavez
(ou será que foi vencido?)
o www-ponto-homem-ponto-só-ponto-br
de repente sai de seu sítio cibernético
levanta da executiva e se debruça no muro
como o sol
que levanta e debruça seus raios no morro
transporta seus olhos de vidro da janela virtual
e os descansa num mundo mais real
Chega de impressão 300 “DePrê-I” em papel vegetal!
O homem das letras sai para a rua e passa bem.
Passa o padeiro trazendo bom dia;
Passa Maria com trouxa pro rio;
Passa Raimundo puxando a carroça
trazendo no lombo o mundo da roça;
Passa a vizinha e seu cheiro fica...
Por fim passa seu Zé, que velou o sono dos justos darua...
Mas a insônia foi injusta, mais uma vez,
com o homem das letras...
Mas Deus não ajuda, quem cedo madruga?
Soneto por uma Pátria anti-marcial
Filhos da Pátria,
o que fazeis sob o sol
ao som de um tarol,
reverenciais o quê?
Filhos da Pátria,
combateis qual quimera
no ecoar treme-terra,
desse assaz batuquê?
Vão pro raio que os pátria
filhos-irmãos dessa Mátria
sois saci-pererê!
Sois irmãos dessa Frátria
anos-luz Via-Láctea
dessa marcha deprê!
Universidade
Unir o verso à cidade,
na adversidade,
diversidade de opiniões.
Fazer do verso utilidade,
versatilidade,
intensidade de emoções.
E se quiser ver a cidade,
da veracidade,
unir o verso à razão.
No universo da verdade,
a universal idade,
da universalidade: sim e não.
E em meio à tal felicidade,
da infeliz cidade,
unir o verso à paixão.
Sentir do verso a saudade,
na universidade,
ser o reverso da ilusão...
Soneto do Argumento
Uma palavra só me basta
pra arquitetar um pensamento
e formatar um documento
que da razão, não se afasta.
Eu, palavra!
Me corto...
me lanço no espaço
entre palavras soltas
que buscam as mentes
carentes
de lucidez!
Da minha loucura
nasce a simpatia
Da minha poesia
nasce o meu prazer
Da minha inocência
nasce a crueldade
Da minha verdade
nasce o meu padecer...
[ÊÊ! ÊÊ! Nasce o meu padecer!]
Me exporto...
me esguicho em riacho
de águas marotas
saciando as bocas
tão secas
que nunca têm vez!
Da imensa ternura
nasce a melodia
Da minha agonia
nasce o meu poder
Da minha indecência
nasce a realidade
Da minha bondade
nasce o meu perecer...
(ÊÊ! ÊÊ! Nasce o meu perecer!)
Comentários (2)
Adorei essa cantiga e muito legal se não fosse a prof eu no tinha conhecido ela porque ela mando anos fazermos um trabalho
ola... sou apaixonadas pelas cantigas de maldizer essa é uma das minhas preferidas as palavras são bem colocadas
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