Biografia
A Poesia é sempre a casa onde volto
Lista de Poemas
Total de poemas: 8
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Dança
na dança das valsas grandiosas
é que as tuas asas
se alongam
e o teu corpo é um flamingo
estreito
cortando o ar
cortando-me a fala
danças
e o teu corpo é um hino perfeito
é que as tuas asas
se alongam
e o teu corpo é um flamingo
estreito
cortando o ar
cortando-me a fala
danças
e o teu corpo é um hino perfeito
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As palavras mexem-se sózinhas
É certo que me falta a vontade e a causa de sempre ter vontade de escrever e sentir as palavras que se mexem sozinhas, como se não fossem deste corpo que vai enrugando e enganando o seu dono. Os olhos ardem do cansaço dos dias, porém continuam fitando com a mesma férrea liberdade o que os pensamentos sempre conseguem: - a verdade dos dias, a importuna necessidade que aparece nos filmes e nas televisões, sumários de vidas mais reais e certas, onde nem todos são felizes, nem lindos de arrepiar.
Há dias a mais com a melancolia a tapar os joelhos, a obrigar-nos a vestir o casaquinho das aragens vespertinas. Eu estou pronto para o sol, e na minha cabeça, hei-de ser sempre o rapaz e ela há-de ser sempre a miúda que hei-de seduzir, quando lhe bater na porta e sentir o som dos seus passos a crescer de encontro a mim. Nos meus olhos, hei-de ter sempre a minha melodia que é apenas tua, aquela que só eu acho linda e nunca ninguém me ouviu nem sequer um som; é a tua
É certo que a escrita pode ser tudo, pode ser catarse e terapia, pode ser solidão e entretenimento, pode ser código e forma de dizer, mas antes de tudo, é a maneira de expressar o que pensamos, sem ser preciso proferir os sons que tornam a escrita um modo diferente de entender aquilo que realmente ouvimos.
Abraço cada palavra como a um filho, porque como um filho, é alguém que nasce para um sentido único, a quem damos tudo e depois vemos crescer e viver a sua vida para além de nós.
No fim de cada história, de cada texto inventado, fica uma palavra a crescer no peito, como um pequeno vaso repousando no peitoril da janela, esperando a manhã e um raio de qualquer sol, para que cresça tal como a melodia de uma mulher, só cantada e feita para ela, só por amor, que só amor pode pintar as memórias de um homem com vontade de ter vontade.
Há dias a mais com a melancolia a tapar os joelhos, a obrigar-nos a vestir o casaquinho das aragens vespertinas. Eu estou pronto para o sol, e na minha cabeça, hei-de ser sempre o rapaz e ela há-de ser sempre a miúda que hei-de seduzir, quando lhe bater na porta e sentir o som dos seus passos a crescer de encontro a mim. Nos meus olhos, hei-de ter sempre a minha melodia que é apenas tua, aquela que só eu acho linda e nunca ninguém me ouviu nem sequer um som; é a tua
É certo que a escrita pode ser tudo, pode ser catarse e terapia, pode ser solidão e entretenimento, pode ser código e forma de dizer, mas antes de tudo, é a maneira de expressar o que pensamos, sem ser preciso proferir os sons que tornam a escrita um modo diferente de entender aquilo que realmente ouvimos.
Abraço cada palavra como a um filho, porque como um filho, é alguém que nasce para um sentido único, a quem damos tudo e depois vemos crescer e viver a sua vida para além de nós.
No fim de cada história, de cada texto inventado, fica uma palavra a crescer no peito, como um pequeno vaso repousando no peitoril da janela, esperando a manhã e um raio de qualquer sol, para que cresça tal como a melodia de uma mulher, só cantada e feita para ela, só por amor, que só amor pode pintar as memórias de um homem com vontade de ter vontade.
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Esboço
Desenho o esboço do teu corpo
do meu modo
na minha forma,
não mais que traços
pequenos detalhes
que apenas eu sei
e os teus olhos me ensinaram;
os traços são ténues linhas
finas palavras
linhas de uma vida
redonda
doces cumplicidades
entre o que sei
e o que me tatuas, tingido, marcado
no desenho raso e pleno
como te tento descobrir
do meu modo
na minha forma,
não mais que traços
pequenos detalhes
que apenas eu sei
e os teus olhos me ensinaram;
os traços são ténues linhas
finas palavras
linhas de uma vida
redonda
doces cumplicidades
entre o que sei
e o que me tatuas, tingido, marcado
no desenho raso e pleno
como te tento descobrir
👁️ 212
Agora
Agora que o sol repousou
sobre um mar rendido
e que as flores se fecharam
abraçadas;
agora que as bruxas acordam
trocando feitiços,
e a chuva se esmaga nas vidraças
dançando elegante
como se o mundo todo chorasse.
Agora
que te vi percorrendo
cada rua
com um sorriso generoso
nesse rosto
inesquecível,
e que as tuas mãos
se oferecem a outro destino,
a outros abraços.
Agora que os velhos repousam
no esquecimento dos dias doridos
e o suor seca por si
escorrida das têmporas dos
que chegam e já partem,
agora que os livros se fecham
marcados num canto
deixando nas páginas cicatrizes
indeléveis;
agora que o tempo se esgota
num mundo sempre cheio de fins
de destinos sem roda,
de homens de cátedra
e de catres onde os homens se perdem;
agora que as mulheres se soltam
nas lantejoulas
que iluminam as vielas onde a vida
se ganha e perde
agora entendo
que há tempo para sempre ser agora
sobre um mar rendido
e que as flores se fecharam
abraçadas;
agora que as bruxas acordam
trocando feitiços,
e a chuva se esmaga nas vidraças
dançando elegante
como se o mundo todo chorasse.
Agora
que te vi percorrendo
cada rua
com um sorriso generoso
nesse rosto
inesquecível,
e que as tuas mãos
se oferecem a outro destino,
a outros abraços.
Agora que os velhos repousam
no esquecimento dos dias doridos
e o suor seca por si
escorrida das têmporas dos
que chegam e já partem,
agora que os livros se fecham
marcados num canto
deixando nas páginas cicatrizes
indeléveis;
agora que o tempo se esgota
num mundo sempre cheio de fins
de destinos sem roda,
de homens de cátedra
e de catres onde os homens se perdem;
agora que as mulheres se soltam
nas lantejoulas
que iluminam as vielas onde a vida
se ganha e perde
agora entendo
que há tempo para sempre ser agora
👁️ 186
Faltas
por entre as sombras da tarde que chegam
falta-me o teu perfume
a tua nuca perfeita
onde aconchego os meus lábios
e o teu peito
onde amarro os meus braços
falta-me o silêncio
de nos termos aconchegados
e a música
que nos mantém colados
na tua falta
ficam as memórias
os ses
portas entreabertas
por entre a noite que chega
fica este frio
que me queima o tempo
e as palavras que nada podem
trazer
falta-me o teu perfume
a tua nuca perfeita
onde aconchego os meus lábios
e o teu peito
onde amarro os meus braços
falta-me o silêncio
de nos termos aconchegados
e a música
que nos mantém colados
na tua falta
ficam as memórias
os ses
portas entreabertas
por entre a noite que chega
fica este frio
que me queima o tempo
e as palavras que nada podem
trazer
👁️ 145
Apaziguar
não me apazigues esta fome
não me consoles na falta
dos teus braços
das palavras sussurradas
de te morder os lábios
e invadir a tua boca
do teu corpo decalcado no meu
dos teus olhos abertos
no prazer de cada olhar
não consoles a dor que tenho de ti
não ilumines o escuro negro deste espaço oco
onde nada cabe
deixa apenas
que o meu peito rebenta em saudade
deixa-me ficar
olhando os teus caminhos onde não quis ir
do destino afugentado
agora que as pedras se agigantam
e cada sombra me acolhe
num sorriso complacente
não digas nada que me faça lembrar
os silêncios de te olhar na madrugada
dormindo ao teu lado
deixa este adeus ser eterno
não me apazigues esta saudade
não me consoles na falta
dos teus braços
das palavras sussurradas
de te morder os lábios
e invadir a tua boca
do teu corpo decalcado no meu
dos teus olhos abertos
no prazer de cada olhar
não consoles a dor que tenho de ti
não ilumines o escuro negro deste espaço oco
onde nada cabe
deixa apenas
que o meu peito rebenta em saudade
deixa-me ficar
olhando os teus caminhos onde não quis ir
do destino afugentado
agora que as pedras se agigantam
e cada sombra me acolhe
num sorriso complacente
não digas nada que me faça lembrar
os silêncios de te olhar na madrugada
dormindo ao teu lado
deixa este adeus ser eterno
não me apazigues esta saudade
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Luz
se o meu dia regressasse
ao lugar onde os meus lábios
eram teus
e a minha boca procurava a tua
nos gestos que a verdade
não desmentia
se o meu dia não fugisse
a esta noite que se estende
talvez os meus braços ainda te apertassem
e os teus olhos
se guardassem nos meus
como eu te guardo
em cada poema
e na memória deste teu cheiro
que não desiste
e me mantém refém
em cada dia adiado
em cada madrugada escura
cega
que a tua luz se apagou
ao lugar onde os meus lábios
eram teus
e a minha boca procurava a tua
nos gestos que a verdade
não desmentia
se o meu dia não fugisse
a esta noite que se estende
talvez os meus braços ainda te apertassem
e os teus olhos
se guardassem nos meus
como eu te guardo
em cada poema
e na memória deste teu cheiro
que não desiste
e me mantém refém
em cada dia adiado
em cada madrugada escura
cega
que a tua luz se apagou
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Dança
se o meu dia regressasse
ao lugar onde os meus lábios
eram teus
e a minha boca procurava a tua
nos gestos que a verdade
não desmentia
se o meu dia não fugisse
a esta noite que se estende
talvez os meus braços ainda te apertassem
e os teus olhos
se guardassem nos meus
como eu te guardo
em cada poema
e na memória deste teu cheiro
que não desiste
e me mantém refém
em cada dia adiado
em cada madrugada escura
cega
que a tua luz se apagou
ao lugar onde os meus lábios
eram teus
e a minha boca procurava a tua
nos gestos que a verdade
não desmentia
se o meu dia não fugisse
a esta noite que se estende
talvez os meus braços ainda te apertassem
e os teus olhos
se guardassem nos meus
como eu te guardo
em cada poema
e na memória deste teu cheiro
que não desiste
e me mantém refém
em cada dia adiado
em cada madrugada escura
cega
que a tua luz se apagou
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