Biografia
Historiadora, escritora e colunista
Lista de Poemas
Total de poemas: 2
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A Mãe
DIÁRIO DE UMA IDOSA 29 A menina mãe...Era semana Santa, recesso das aulas da faculdade, ela adoentada veio passar a semana em casa, estudava fora. Na quarta-feira de cinzas pega o exame de gravidez e o resultado em câmera lenta dança o tango da vida, vai pra frente e pra trás...Adelante, entrelaça as pernas curva a cabeça e os ombros... Positivo, positivo, positivo. Ela treme no compasso e se sente feliz, uma inocente felicidade lhe guia os passos ao descer às escadas do laboratório em cima das casas Buri. Era domingo de Páscoa, ele foi a Missa, ela o espera na saída da igreja. Ele com um ovo de Páscoa ela com vida carregando dizendo: Estou grávida! Ele afirma está novinho ainda. Amanhã te levo ao Paraguai e você tira esse filho, não podemos ter eu não quero, podemos até nos casar, mas o filho eu não quero, escorreu chocolates com lágrimas dos olhos dela...Virou às costas e se foi...Nem sentia o chão...Contou aos pais, o pai pegou o 38 niquelado cano longo o mesmo que um dia ensinou a filha a atirar, vamos àcasa deste miserável, ele vai casar sim, com as pernas bambas ela franzida, enrugada de vergonha e renúncia tenta entrar no carro e não consegue. Seus pais a cercam e ela murmura: Não pai, não pai, não pai o senhor não pode força-lo eu deitei com muitos homens não sei se ele é o pai...A mãe lhe grita na cara sua puta! O pai envelhecido mil anos a abraça e lhe conforta...Em seu primeiro dia das mães ela com uma enorme barriga ganha flores do pai e uma lata de goiabada porque estava com desejo, de mãos dadas olhando as estrelas ela confessa ao pai amigo: Eu menti pai, o senhor não conta pra mãe, não conta para meu padrinho não conta ninguém, não quero ninguém obrigando ninguém, eu não dormi com muitos homens, só não quero casar com quem meu filho quer matar...O pai com os olhos ao longe lhe aperta a mão compreendendo o amor dobrado que já lhe retirava o direito de cometer maluquices ele em nome do neto filho amado tinha que ser mais homem do nunca. Ela carrega até hoje na barriga e nas entranhas todos os preconceitos...Era domingo de Páscoa e de seus olhos ainda vestígios de sangue escorrem. Mas, o ventre o ventre pariu constante renovação...Pariu a alegria de seus dias. ( Joana Prado Medeiros 04/05/2021) É Pandemia.
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A Mancha
DIÁRIO DE UMA IDOSA 25 Aquela mancha que tingiu de tinta o meu viver. ( todo mundo tem uma mancha que por ela tudo é capaz) Não recordo bem os acontecidos mas sei que na Escola naquele dia lindo iríamos tirar fotos ...Nao sei que argumentos usei...Só sei que fui para a escola vestindo um lindo e gracioso vestido novinho...Fui a última a ser fotografada depois de mil prantos e ais...Eu estava sem o uniforme e isso foi um reboliço. Tudo a contendo foto tirada eu no esplendor de meus nove aninhos. Maravilha fomos pra sala de aula quando de repente derramei o tinteiro na saia do meu vestido. Desespero de todos os "desesperos"...Cheguei em casa relativamente cedo...Entrei pelos fundos escondida da mãe tirei o vestindo rezando ao meu anjo da guarda toda proteção...Deitei o vestido no "batedor" (tábua de lavar roupas)...E coloquei sabão de soda esfreguei e nada da tinta sair...Olhei aos quatro cantos do mundo e resolvi colocar erva mate ai piorou...A mancha ficou esverdeada...Descabelei geral pensei em fazer xixi em cima mas lembrei do limão cortei um limão e de-lhe esfregar na mancha melhorou um pouquinho mas não resolveu...Andei pelo quintal ainda conversando com o meu anjo da guarda meu fiel amigo até hoje...Vi cacos de telha e resolvi colocar fui entao esmerilhando os cacos e depositei aquele pozinho no tecido a mancha ficou avermelhada..."Morri vermelho por 50 tons"...Sem saber o que fazer corri ao fogão e retirei as cinzas e esfreguei na mancha...E joguei uma caneca de água quente o vestido era azul clarinho...Melhorou...A mancha melhorou mas não o suficiente. Deitei desolada na grama de "quarar roupas" em frente ao batedor de roupas e fiquei olhando as nuvens de algodão...Foi quando lá no alto no telhado do galpão vi um chumacinho de pano com uma pedra de anil...Tive que retira-lo cutucando com uma vara de catar laranjas. Nao tive dúvidas garrei aquela trouxinha azulada molhei um tiquinho lavei novamente o local da mancha com sabão de soda joguei bastante água limpinha e passei levemente aquele curativo azul...Olhei, esquadrinhei tornei a olhar e fiquei convencida parece que ficou bom...Deitei o bendito vestido novo para secar...A mancha desmachada quase ficou...Dai dei conta de contar para minha mãe que era uma fera...Eu não era ré primária já carregava um sortido histórico de castigos e surras por manchar os vestidos "de amoras, de tintas de bananeiras, de gramas. Fui um terror de menina. Bom a parte do tecido quase rasgou...Mas ficou usável a mancha ficou quase imperceptível. O que não rasgou foram as minhas artes e a coragem de resolver os problemas "dos problemas"...Ainda hoje tenho paixão por tirar manchas dos tecidos e do coração...Sou especialista em enfrentar as dificuldades e retirar manchas das manchas. De quase todas as espécies só uma delas que não tem cura é a nódoa da saudade essa mancha é feroz nem tento mexer com a baita deixo ela quietinha que reine quando bem quiser...Tomamos até chimarrão juntas e olhamos a lua. ( Joana Prado Medeiros - 17/04/2021) É pandemia.
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