Lista de Poemas

Cinco palavras girando ao redor da lua

Ora sou estrela
Ora agonia.

Fim da poesia.
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Recompondo as certezas

Eu te amo?

Não 

Tanto eu errei
No tempo
que não me perguntei 
isso antes.
Agora mesmo que errante
Esforço - me
A lhe perguntar
Sem que me ouças,

Eu te amo?
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Para além de fantasias


Não acho!
Não ardo.
No árduo pio
Do mentiroso
Não rebaixo, coisa alguma.
Não acho!
Procuro, faço
Me arrisco pelo que é
Justo e
Real em demasia.

Fantasias
Ensinam aos poucos
O segredo das sangrias
De concreto, olhos e névoas tardias.

Não acho!
Não ardo.
árdua
Me arrisco
Pelo que é justo e
Real em demasia.
Pela sangria desatinada dos
Ossos.
Não posso
Não acho.
Procuro
Faço
Confio
E passo
O caso para você.
Vê.
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Descanso

Sumirei também assim,
Como nebulosa
Verei o infinito
E o tocarei com
A palma das mãos.

Apagarei vestígios de vida
Nesta matéria
Que agora move-se
Como corpo meu.

As incertezas sumirão
bailando
Como curvas do ar.
Queimando cada fagulha
De existência
Que em mim seja permanência,
E enfim
Não mais serei.

O partir será sem volta
O sumiço será resposta
Minha matéria inundando de um nada
cálido.

Levarei comigo as catástrofes internas
As tempestades e aventuras
As amarguras por sua vez, virão,
Sumirão.
Serão tão efêmeras suas estadias
celestiais
Pois seguirão o rastro de meu destino,
Se apagarão.

Dia a dia
Se esconderão

Num recôndito secreto e
inalcançável.
E lá, estarei eu.

[escrita para um amor indo embora e ficando em meu coração.]
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Assisto lembranças

Quem dera esquecer
Um dia
Toda manhã fria
Que passei por lá.
Quem dera
Ser lembrada um dia
Da caminhada longa
Que me fiz passar.
Quem me dera
Esquecesse a vez
Da fila, do furo, do fundo do dia
Que dá de frente pro ambiente
Sentado e mergulhado
Num dicionário de lembranças.
Sentado encostado
Na prateleira de seu nome
Ah, eu me esqueceria
De muitos erros do que vem passando deslizando
Interna(eterna)mente aqui.
Isso que vem passando deslizando
Não sabe o que dizer
Inúmeras vezes

Que não há decimal para contar.
Os números, mentira, podem ser infinitos
Desde quando alguém inventou,
São infindas também minhas lembranças
Do dia recostado para a noite
Que eu vi você passar.
Passou.
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O que faz o sentido ter sentido

Faz sentido não esperar
Que seja apreciada
- Isto é sobre tudo -
Sobretudo quando se fala
De todas as coisas.
Escrevo às letras tortas
Para quê possas ajustar
Ao teu caderno.

Talvez nem haja risco,
Mas é um rabisco sincero,
essencial.

Faz sentido todas as constelações e
Como as luzes de cima
Nos chegam
Mas não faz sentido todas as coisas.
Faz sentido uma lamparina apagar
Por falta do que queimar
Mas não faz sentido todas as escuridões
[De pensamento].

Faz sentido um pássaro voar
Em busca de alimento
Mas não faz sentido
Todas as fomes.
Posso dizer que

Nenhuma delas.
A de palavras, a de curativos
De respirar, comer
Aliviar.

Muito na vida faz sentido
Muito não.
Pouco em mãos pequenas
Muito nunca, não.
Não se divide o particular.
Divide o ruim, o podre, sim

O bom, não.
O que é o bom
Que tenha sentido
Está escondido
Em poucas mãos,
Fica cego
Ou a vida perde
Quem vê.

Faz sentido que quem veja, fale
Mas matar a voz, não.

Enfim, um poema
É uma imensidão. 
Um poema escrito a meia noite 

é um arremesso
Na escuridão
mais ofuscante de luz.
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Esconderijos

algumas poltronas me intimidam,
algumas noites me iluminam,
algumas danças me aquecem,
alguns soníferos me acordam
e eu me preocupo com o que é real. 

algumas palavras me decepcionam
alguma me dá razão suficiente 
para a determinação 
e viver.

algumas páginas me empurram 
contra a parede
algumas sombras me entorpecem 
e eu me perco num labirinto de palavras.

algumas vezes não me sinto segura nos dias
nem nas noites 
e meus sonhos são uma mostra real
do exaspero 
do suspiro
do desejo 
de me enturmar com a realidade presente.

algumas olhadelas me deixam 
erguida num fundo infindo
dum vale de desconhecidos sentimentos
dentro de mim.

algumas vezes por dia
não me conheço, não me abalo, 
não me esqueço
e me acalmo.

o passar dos dias me faz crer
que sou real, sou concreta
sou existência,
sou espiral de muitas de mim reunidas
geometricamente,
enlouquecidamente
desejando ser menos tímida.
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Palavra é espelho


Escrevo para não esquecer-me das coisas!
Não é medo,
Escrever é um porto
No meio do
seio
De um oceano azul gigante
colossal.
 
Escrevo para lembrar
Que não há fim,
Que não se procura
A perder-se em agonia:
Onde só há imensidão
Entrega-se.
Dá.
 
Dispõe-se à vida:
Das cóleras às vésperas,
Ao que se sonha
Às ásperas esperas,
Às horas esfomeadas de gente
De mala e coragem. 
 
Por isso escrevo
Porque sei que assim
A vida não se encarcera
Não se circunscreve
Não se desaquece e passa frio
Pela ausência da flor-es(s)cência das palavras.

O que elas transportam
Em suas asas
No mar despedem.
Velejam e ancoram
 Ancoram e velejam
Na sombra e na luz 
do mar (a) mar incomensurável 
da coragem, da essência do que se conhece profundo,
do que se é. 
É o encontro da alma com a vida!

Esqueço para me lembrar
Que tenho de escrever
E não é medo!
É que eu balbucio
As ideias mais trêmulas
Que me arrancam da cama
Entregam-me à trama estonteante
da caçada pela imensidão da mulher-lida.

Escrevo quando vejo o sol,
Ele é um espelho cortinado
de sombra penetrante, raios
tocando a pele dos olhos
e a pele da pele
de tudo o que vive, tudo
 existe.
O sol é um espelho,
Seus raios são mulheres sonoras
Apelidando pássaros-pessoas.

 O sol é um espelho. `
Mágico-real.
Admirável realeza sem condecorações
Sem excessos, sem ausências. 
Minhas palavras podem dizê-lo agora.

Escrevo para guardar comigo
As labaredas solares,
Mulheres-aves de toda a química do ar.
Escrevo para lembrar-me de coisas
- Que não sei o nome –
Escrevo para guardar-me com elas
Para correr distâncias delas
E depois...

...Perto dum sangrador de águas
Debaixo de uma aroeira e um vendaval
Encontrar-nos
Veementes.
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Poesia Incompleta Noturna - Quem sou...

E devo dizer-me isto a todo tempo por que minha mente gosta de escorregar pelo impossível e pelas impetuosidades.  É preciso puxar-me dos abismos do delírio sempre que me vejo escorregando por um. Aqui, em casa, no meu quarto e nos quintais, a fantasia e a realidade, ora se encontram suavemente, ora se chocam brutalmente. Então, é preciso a menina do presente se aproximar rapidamente para amenizar os encontros e as coalizões.
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Comentários (2)

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joaoeuzebio
2020-07-31

LINDO POEMA MOVENDO SE EM PALAVRAS INFINITAS UM ABRAÇO GOSTEI MUITO

Kennedu
Kennedu
2020-06-26

Muito bom!