(Des)acordando
Hoje quando acordei e abri os olhos
Senti o vazio me preencher.
Instantaneamente
Meu corpo gélido e quase desfalecido
Imóvel sob os lençóis que, no mundo por trás de minhas pálpebras, exalava teu doce perfume.
Sim, sonhava eu que adormecia em teus braços
Ouvindo teu coração aos poucos se acalmar
Depois de quase explodirmos com a insanidade da nossa transa.
O prazer entre nós
Envolve cada célula de nossos corpos
Além dos desejos mais intensos e sombrios
Que postos à luz do nosso fogo
Tornam-se insaciáveis.
A atmosfera desse quarto era outra
Haviam ondas de energia no ar que respirávamos
Um enérgico arrepio a cada suspiro
Um pico de prazer a cada gemido.
Teu corpo ainda está em minhas mãos
Sinto tua pele mesmo de olhos abertos
Poderia até ajeitar teu cabelo bagunçado
Beijar teus lábios, me ver em teus olhos
Mas não consigo mover um dedo sequer
Paralisada pelo desespero de não ter vivido o que meu sonho me mostrara.
Pela janela do meu quarto
O dia está claro, sol constante e sem qualquer nuvem no céu.
Pela janela da minha alma
A noite começa agora
Que acordei do mundo em que posso ter-te
Fria, cinza e chuvosa.
Vou até o espelho e em purs ambiguidade digo
"eu te amo"
Para eu mesma, secar as lágrimas.
Para ti, que aqui dentro vives, que não morra.
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