Lista de Poemas
o cio da cultura
👁️ 99
Tiralico-tico
Um refresco de indisciplina pinga e a agenda cai direta num invólucro de discórdia.
Coxeio na rasteira para fugir à ratoeira e espreito a vida, para não bocejar em caçadeira.
Preparo o escudo e aprendo suicida.
Vulgarizo blasfémias, brumo cínico, vingo clínico.
Máscaras a pedido do interlocutor: engraxo a cara, unto o peito e de lábios semiabertos tropeço perfeito.
O braço em vaivém e o tempo dá o que tem, enquanto rendo voos de serrote num tapete sem archote.
Coxeio na rasteira para fugir à ratoeira e espreito a vida, para não bocejar em caçadeira.
Preparo o escudo e aprendo suicida.
Vulgarizo blasfémias, brumo cínico, vingo clínico.
Máscaras a pedido do interlocutor: engraxo a cara, unto o peito e de lábios semiabertos tropeço perfeito.
O braço em vaivém e o tempo dá o que tem, enquanto rendo voos de serrote num tapete sem archote.
👁️ 105
Folo em Júbilos
Um ser humano complicado desprende-se diariamente sem que eu consinta.
Se quero permanecer cego às partes quentes do globo, porque me lanço de cabeça nos contágicos sentimentos?
Demoníaco tardo a perceber o fumo das garras dos catraios a brincar escanzelados com as cruzes das bombas.
Vales de mares tardam e aterro.
Ando sem encaixe e com feições terrenas, demasiado.
Um desabado mundo volta a atacar sôfrego de atenção.
Chorincas letras que não acordam,
não se afastam da negrura gélida do terror,
da dor, do amor coçado de fuga.
Arranho a pele para a encontrar.
Espeto lascas. Dói? Pois sim cetim!
Froixo contínuo levantado, cruzado de ignorância tocada e sem órbita. Espelhos de mim bem-querido festim!
Amargos cardos à vontade rolam!
Eu, atento, continuo completo,
o meu ser sou eu, o meu eu repleto.
Distrai de prosa cai no metro.
Não acertes.
Ponto final de cinco em sete palavras
e desmarcas a medida.
Isso, escreve suave e sem escala!
Digo escrúpulos,
folo em júbilos,
descrevo formas em cambalhota
sem gravidade que me aperte.
Versalhada não me soletres,
convém saberes que inteiro sou
mais homem que tapado,
marcado em tom ritmo,
sem que os poros que me lanço
sejam despertos do vulgar.
Fico igual, circular ou marginal?
Se quero permanecer cego às partes quentes do globo, porque me lanço de cabeça nos contágicos sentimentos?
Demoníaco tardo a perceber o fumo das garras dos catraios a brincar escanzelados com as cruzes das bombas.
Vales de mares tardam e aterro.
Ando sem encaixe e com feições terrenas, demasiado.
Um desabado mundo volta a atacar sôfrego de atenção.
Chorincas letras que não acordam,
não se afastam da negrura gélida do terror,
da dor, do amor coçado de fuga.
Arranho a pele para a encontrar.
Espeto lascas. Dói? Pois sim cetim!
Froixo contínuo levantado, cruzado de ignorância tocada e sem órbita. Espelhos de mim bem-querido festim!
Amargos cardos à vontade rolam!
Eu, atento, continuo completo,
o meu ser sou eu, o meu eu repleto.
Distrai de prosa cai no metro.
Não acertes.
Ponto final de cinco em sete palavras
e desmarcas a medida.
Isso, escreve suave e sem escala!
Digo escrúpulos,
folo em júbilos,
descrevo formas em cambalhota
sem gravidade que me aperte.
Versalhada não me soletres,
convém saberes que inteiro sou
mais homem que tapado,
marcado em tom ritmo,
sem que os poros que me lanço
sejam despertos do vulgar.
Fico igual, circular ou marginal?
👁️ 138
Procrastinar ou manter o prometido
Que truque de segunda
reparar o dito
para o transformar em bendito.
Adoçante de cacau
que me ralhas de mau.
Carro sem janelas
com assentos de selas,
a viajar de uma veia a uma orelha
para espiar o injusto
como se fosse um boato cusco.
Fechar esta expressão anormal
de uma forma singular.
Desacreditar as rimas,
que são todas inimigas,
e trabalhar o vivido
para melhorar o que é seguido.
reparar o dito
para o transformar em bendito.
Adoçante de cacau
que me ralhas de mau.
Carro sem janelas
com assentos de selas,
a viajar de uma veia a uma orelha
para espiar o injusto
como se fosse um boato cusco.
Fechar esta expressão anormal
de uma forma singular.
Desacreditar as rimas,
que são todas inimigas,
e trabalhar o vivido
para melhorar o que é seguido.
👁️ 146
Apanágio mental
Fácil como pensar
É vatear a metro
Ir certo, mas a amar
E de torto intelecto.
Palavras de má rima
São duras de roer
Mas geram autoestima
Inspiram o meu ser.
Qualquer caneta serve
Pra gerar um poema
Uma inspiração breve
Num ecrã de cinema.
É vatear a metro
Ir certo, mas a amar
E de torto intelecto.
Palavras de má rima
São duras de roer
Mas geram autoestima
Inspiram o meu ser.
Qualquer caneta serve
Pra gerar um poema
Uma inspiração breve
Num ecrã de cinema.
👁️ 89
Vem-Estar
Canta escondido um pardal
Entusiasmado com a vida
Eu ouço o seu musical
Com a mente comovida.
Um sentimento no adro
Tanto aperta que me enrola
Num estado felizardo
A dedelhar na viola.
Um vate terno e minúsculo
Torna-se num vil atlético
De início com pouco músculo
Cresceu logo por seu mérito.
E com tanta emoção
Perscrutada de imaturo
O destino numa mão
A outra altera o futuro.
Entusiasmado com a vida
Eu ouço o seu musical
Com a mente comovida.
Um sentimento no adro
Tanto aperta que me enrola
Num estado felizardo
A dedelhar na viola.
Um vate terno e minúsculo
Torna-se num vil atlético
De início com pouco músculo
Cresceu logo por seu mérito.
E com tanta emoção
Perscrutada de imaturo
O destino numa mão
A outra altera o futuro.
👁️ 84
Ágape
o silêncio é franciscano
neste posto de alma tédio
vácuo agro num monte plano
penso às voltas. Não há remédio.
a mente prende o desafio
e regresso à normalidade
não minto, nem nunca sorrio
jamais mostro parcialidade.
tenho de treinar a paciência
saber esperar com alento
utilizar inteligência
redesenhar o meu talento.
neste posto de alma tédio
vácuo agro num monte plano
penso às voltas. Não há remédio.
a mente prende o desafio
e regresso à normalidade
não minto, nem nunca sorrio
jamais mostro parcialidade.
tenho de treinar a paciência
saber esperar com alento
utilizar inteligência
redesenhar o meu talento.
👁️ 82
Pancarta
Escrever um nada
num gume de espada.
Voltear e de novo
dentro dum ovo
orações de santos
aguçadas nos cantos
repelem dos dias os prantos.
Fico demente
e de repente
a flecha do real
crava-me no ombro um punhal.
Recupero do ruim
e deixo de distrair-me de mim.
num gume de espada.
Voltear e de novo
dentro dum ovo
orações de santos
aguçadas nos cantos
repelem dos dias os prantos.
Fico demente
e de repente
a flecha do real
crava-me no ombro um punhal.
Recupero do ruim
e deixo de distrair-me de mim.
👁️ 82
Prosápia engatilhada
Ainda bem que não me preocupo
em decorar os pensamentos,
com eflúvios eletrizados de exaltação,
quer eles sejam juncados de preito
ou aformoseados
de prodígios ardentes de concretização.
em decorar os pensamentos,
com eflúvios eletrizados de exaltação,
quer eles sejam juncados de preito
ou aformoseados
de prodígios ardentes de concretização.
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Comentários (1)
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dasilva
2019-12-02
delícia de ler.
Publicar um livro é uma consequência positiva de uma ideia que se materializou ortograficamente.
Para este escritor é também um incentivo animador porque valoriza os afetos, o prazer da autodeterminação, o crescimento pessoal e a liberdade social. Fatores intrínsecos que, segundo afirma, são essenciais no seu trabalho. Este autor do século XXI possui uma necessidade inata de desenvolver o seu potencial o que leva a manter um interesse constante em cultivar os seus recursos literários, interpreta os acontecimentos externos interligando processos mentais com questões existenciais relevantes. Heleno Pinhal não faz nada contra a vontade para não perder a criatividade e sente desdém ao escrever algo que tenha valor só para os outros. É a sua motivação interna associada à atividade que o motivam a si mesmo.
Obras Publicadas por Heleno Pinhal
Corpo de Água Num Copo de Carne Humana (poesia) – Dezembro 2008
Daqui a 500 Anos Não Há Papel – Setembro 2007
Incompleto Organismo Este Que Anda Comigo Por Todo o Lado – Outubro 2006
Análise Educacional Aplicada – Julho 2005
Covilhã Viperina – Maio 2004
Farolas – Histórias para o mundo pequeno – Novembro 2003
Comenos Helenísticos – Julho 2003
Para este escritor é também um incentivo animador porque valoriza os afetos, o prazer da autodeterminação, o crescimento pessoal e a liberdade social. Fatores intrínsecos que, segundo afirma, são essenciais no seu trabalho. Este autor do século XXI possui uma necessidade inata de desenvolver o seu potencial o que leva a manter um interesse constante em cultivar os seus recursos literários, interpreta os acontecimentos externos interligando processos mentais com questões existenciais relevantes. Heleno Pinhal não faz nada contra a vontade para não perder a criatividade e sente desdém ao escrever algo que tenha valor só para os outros. É a sua motivação interna associada à atividade que o motivam a si mesmo.
Obras Publicadas por Heleno Pinhal
Corpo de Água Num Copo de Carne Humana (poesia) – Dezembro 2008
Daqui a 500 Anos Não Há Papel – Setembro 2007
Incompleto Organismo Este Que Anda Comigo Por Todo o Lado – Outubro 2006
Análise Educacional Aplicada – Julho 2005
Covilhã Viperina – Maio 2004
Farolas – Histórias para o mundo pequeno – Novembro 2003
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