Lista de Poemas

UM DIA PERGUNTARÁS A NOITE POR MIM

Um dia perguntarás a noite por mim

e a saudade te responde: ele partiu!

Um dia acharás meu nome no vento

quando vem cantando e sussurando

a janela de teu quarto como a mim

agora me gritam o teu.

Silêncio! Caiu o cravo!

Levou no peito a águia cinzenta de saudade

nos lábios o débil esboço de um último beijo

e uma derradeira palavra que não chegou

a ser pronunciada mas só tu sabes

que era o teu nome.

Nos olhos de névoa uma rosa de sombra

levou, uma lágrima seca e um só retrato...

Silêncio de cinzas?

Ausência da rosa!

Silêncio de um sonho queimado!

...Como eu te chamo e choro cada lua!

Um dia sairás procurando meus eflúvios

hoje eu vou desenrolando em cada tarde

meus novelos de lágrimas e de saudade

farejando o chão, o ar, folhas e flores

no rasto moreno das tuas fragâncias.

Um dia hás-de perguntar o horizonte

meu caminho em busca dos meus abraços

quando já náo me tens mais, recordarás

meu nome e talvez serei amado.

Tudo que por ti dei, outro amor me devolverá

deixo aqui a minha dor e as mágoas sobre os rios

te chamo cada noite e choro até findar cada lua

mas voltaremos um dia fiéis como um casal de cisnes

lavarás em meu peito o sal dos teus olhos

e juntos ao mar salgado retornaremos seu sal.

Perseguiu-nos as sombras e as cinzas

de outras vidas que se colaram ao nosso fado

e nossos peitos de amantes foram queimados

pelas ondas e pelo fogo e no sangue da noite.

Fomos arremessados contra os muros de solidão

e caímos no silêncio mas em cada rosto vejo pedaços do teu

abrindo cada noite um novo pacote de sonhos meu coração

luta contra outros naufragados do amor por uma nesga do céu

encontro neles os presentes mais preciosos

que me mandaste com a lua na primavera

e outros verdes sonhos que vieram por acaso no vento.

Helder Anahory de Sena

Junho 2013

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QUERER-TE ÀS VEZES É MORRER CONTENTE

Querer-te às vezes é morrer contente

e triste sentir a morte viva em meu viver.

às vezes quero-te sem querer

e sem te querer chego a não me querer

querendo-te. Te quero! E querendo-te

quero de vez te esquecer;

arrancar isso tudo que me pesa

sem corpo e que dentro me morde

o peito, os olhos, a mente...

Esse nome teu que certamente não é céu

mas alto grita e gruda a minha pele

como invisível sangue-suga

que não tem asas nem usa véu,

mas voa e volta de novo a encher meus dias.

Quero-te em tudo isso meu que não mente

que ora é uma mágoa ora é uma dor

ora doce melancolia ora triste saudade.

Te quero, meu doce amor!

Não quero querer-te mais

mas esquecer-te sei que é pedir demais!

Helder Anahory de Sena

Junho 2013

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