Lista de Poemas

Ser

"Eu sou, estou, emergindo
Ah, quanta mentira cabe no Ser
obsoleto olhar temporal, sensato
Quanta falta sinto de mim mesmo...
conjurando o verbo Ser
teremos a mais tenra hipocresia
Ser, estar, parecer
Facetas da condição humana
máscara módica do existir
manopla de um deus corruptor
Ainda sou, estou, tedioso
e agora o deus do homem morreu
Seu conspirador sorrir entrecortado
porque também é criatura
e na cativa alma humana
descreve seu tormento
como um coloquio místico
Eu sou, estou, notívago
numa peleja dialética conheçi a Morte
filha bastarda da Criação
negada por seus pares...
consumida por seu rancor
desconhece o Ser; Criador
lhe resta apenas zombar
desta patética odisseia humana
paródia feita pelo tempo para distrair seu Pai
O Ser Cria...dor
e pérpetua vaga minha alma furibunda
esperando silenciosa
o último dos dias"

Gebher Malakl

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Última

 

"Sobre a mesma face,

o mentecapto insólito

lança um sortilégio

a um som talássico

tácito seu pai chora

Sim! o leviatã a flanar

deus impene de algo fútil

que somente no pelagro

onde seu pranto afônico

veiga para os batráquios

fulcro do profano

que ao mestre ourives

o sucinto é ignóbil

languidez intepestiva do caos!

 

Aos antigos foi prometido

purificar-se no incandescente fim

insidiosa veleidade Divina

para assim, nos outorgar o perdão!

Mas os cobardes não saberão;

Que no opúsculo do Genêsis

está a ironica contradição:

Que ao término do sétimo dia

casto jazerá o Homem

submerso na primeira essência

repousando seus puerís devaneios

o abstêmio consternado

pelo espúrio do seu pudor...

 

E no crepúsculo do último dia

o Imortal já terá sido esquecido

e seu perene segredo

absorto numa única palavra,

A última partícula de poesia!"

 

Gebher Malakl

 

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Praiana

"Eis-me agora vate diletante

Vertido feérico,sereno

como o fim de uma busca eterna

refutando o infausto

contemplo tua íris numa sedição cobarde

Umbral módico; opúsculo afônico,

Assombrado por tua deidade sílfide"

Gebher Malakl

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Menina

"Minha menina o que houve?

você nunca mais quis dançar

com medo de parecer óbvia?

de não estar perto Dele o suficiente

para não sentir o afago quente de sua Mão?

Minha garota o que houve?

você não canta mais no chuveiro

por medo de ser rídicula?

Onde você dormiu a noite passada

que não pude ouvir seu pranto na madrugada?

Minha princesa o que houve?

você se cansou de príncipes

e agora se apaixona por sapos?

minha espada, meu castelo e meu reino

te fazem sentir numa prisão?

Minha estrela o que houve?

porque já não ilumina meus passos

com o brilho intenso do seu ser?

será que você se enjoou do céu?

Minha mulher o que houve?

porque não respiras o ar amigo

de quem te ama?

que direito tinha a morte

de me tirar teu convívio?!

Minha Poesia o que houve?

nunca mais te ví rir ou sonhar

a sofreguidão calou teu canto?

ou a Velha Senhora levou também tua vida?

Minha vida o que há?!"

 

Gebher Malakl

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O poeta e a poesia (VII soneto)

"A poesia fere àquele que ama

e não é correspondido,

como faca de dois gumes

cravada no seio amador.

 

Como teu olhar de indiferença

sobre minha declaração pueril

que somente uma vez

incandesce no sublime...

 

O tempo; melhor amigo

apazigua mas não apaga,

a chama imortal da cobiça!

 

O desejo consome a alma

fazendo brotar do insano,

aquilo que o poeta clama de amor!"

 

Gebher Malakl

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Falena

"Foi pra não morrer...

Que escrevi teu nome

no meu destino...

Arrastado por tua melancolia

segui teus passos...

Tendo somente tua sombra

como guia e companhia

Caminhei cego à beira do abismo...

E agora diante de ti...

apenas meu fantasma,

Uma imagem distorcida

do que outrora fui...

levando no semblante

A fria lembrança do teu adeus"

 

Gebher Malakl

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Katana Vate

"Não desejo compreender os homens

Tão pouco entender seus atos...

Sigo despido da ambição de ser amado;

Posto que minha existência,

que desconhece o indulto,

É para mim um fardo inexorável

uma desdita insurpotável

Não lamento meu destino...

Não tenho a pretensão de salvar o mundo

Quero apenas desfazer o Grande Engano

Subverter a condição de Real...

Não sou um Libertador,

Sou um Violador..."

 

Gebher Malakl

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Comentários (2)

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Junin Cura Lesbica
Junin Cura Lesbica
2022-08-08

Parece um Pug De Olhos Esbugalhados

Rita Almeida
Rita Almeida
2019-12-09

Almada Negreiros não nasceu em Lisboa mas sim em São Tomé e Príncipe