F.odassi

F.odassi

n. 1970 BR BR

Eu, pronome oblíquo, protagonista e coadjuvante. Sou eu a vítima que morrerá primeiro e o réu fugitivo. Não há provas, contudo minha prisão é perpétua. Sou o juiz, defesa e acusação; o processo. Dá-me de comer a teus vermes antes que eu os coma.

n. 1970-01-21, Dracena

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Fera

Face a face com esta fera estufada
de unhas afiadas, pelo eriçado,
cara a cara.
Veio na dança estéril de uma noite,
na traição da sombra do dia.
Respirei seu hálito pestífero,
sua pata pesou sobre meu peito
e imprimiu-me afeição à morte.

Dei-lhe de comer um pedaço
depois devorou meus objetos diretos,
todos os meus bens, quereres e estar.
Cedi outras partes, o anelar, o apontar,
o curtir do polegar.

Comeu minha medula,
triturou com os dentes meus sonhos,
minha quimera e a Hidra do ciúme.
Depois que mais nada havia
a fera devorou o tutano dos meus versos
e enquanto o amor morria,
debaixo do olhar triste do sol,
a fera comeu toda minha poesia, meus restos.

Sem esperanças, sem desesperos,
sem o gosto do açúcar, sem o sabor do sal,
sem amor e sem mundo, sem o bem nem o mal
à fera não ofereço mais nada
e dou-me ao sono profundo
em seu colo maternal.
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Poemas

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Fera

Face a face com esta fera estufada
de unhas afiadas, pelo eriçado,
cara a cara.
Veio na dança estéril de uma noite,
na traição da sombra do dia.
Respirei seu hálito pestífero,
sua pata pesou sobre meu peito
e imprimiu-me afeição à morte.

Dei-lhe de comer um pedaço
depois devorou meus objetos diretos,
todos os meus bens, quereres e estar.
Cedi outras partes, o anelar, o apontar,
o curtir do polegar.

Comeu minha medula,
triturou com os dentes meus sonhos,
minha quimera e a Hidra do ciúme.
Depois que mais nada havia
a fera devorou o tutano dos meus versos
e enquanto o amor morria,
debaixo do olhar triste do sol,
a fera comeu toda minha poesia, meus restos.

Sem esperanças, sem desesperos,
sem o gosto do açúcar, sem o sabor do sal,
sem amor e sem mundo, sem o bem nem o mal
à fera não ofereço mais nada
e dou-me ao sono profundo
em seu colo maternal.
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Não

Não serei o descanso,
tua tarde de domingo.

Não serei terna lembrança,
teu sorriso de criança.

Serei teu desvio,
a pedra do teu caminho,
exceção da tua regra,
a regra dos teus excessos.

Serei a fuga no teu contraponto,
o infiel da tua balança,
da tua boca serei o fel.

Não serei tua escapadinha,
teu amigo oculto.

Serei corda e laço,
a lágrima pintada
na última alegria.

Teu choro palhaço.
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Reto

No vórtice azulado
encontra-se o franzir das pregas,
e meto-me onde fui chamado
(e talvez seja para sempre bem vindo).

Quero buscar o prazer que perdi
no seu vazio apertado.
Penetro,
suas curvas serão sempre meu caminho,
reto.
207

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