Lista de Poemas
ESCULPIR...
ESCULPIR...
Construo um perfil de mulher,
cubro com um vestido de retalhos,
e os cabelos longos com cores hilariantes,
complementam a forma do ser...
Não lhe permito a voz,
para que o encanto não se quede,
para que a paixão seja eterna,
para que o não, imagine proximidade...
Sei que depois dos olhares vem o namorar,
depois o conquistar, e o propenso estar,
mas, se o amor tomar conta pode tudo estragar,
tal qual um perfume exalando-se, desprotegido...
Todos os movimentos do corpo criado,
todos os sentidos latentes,
todos os olhares observantes,
mas, não permitidos...
Permitido apenas o pensar,
o sorrir,
o se encantar,
e nada mais...
Refestelo-me diante desta escultura volátil,
e busco por palavras para iniciar uma inefável escrita...
Vislumbro e materializo uma semente;
depois de cuidada,
nasce uma roseira,
com galhos que se sustentam na raiz inocente...
A roseira caminha em direção aos céus,
e nesse caminhar libertam os seus espinhos,
e os botões se espalham por cada ponta de galho,
e ternamente as rosas florescem...
E os agressivos predadores se aproximam,
e perplexos as admiram,
e os seus olhos resplandecentes veem,
suas mãos que a vida das rosas detém...
E a escultura volátil ao meu lado abismada,
aterroriza-se com o meu descrever pensante,
deixa escapar dos cílios uma lágrima perolada,
e que nada quer encontrar nesse instante;
apenas,
volatilmente microdissipar-se...
A PENA E A FOLHA...
A PENA E A FOLHA...
Tens lembranças das palavras que ficavam esquecidas,
quando pela tua mente viajavam outras, mais outras,
e outras tantas, mais interessantes ainda,
e as primeiras letrinhas esquecidas, separadas?...
E tu olhavas para a folha do caderno sem pauta,
e a folha ali, deitada, preocupada;
porque o ponteiro dos segundos não parava,
e a folhinha em branco, desesperada...
Porque ela sabia que você poderia desistir de usá-la,
e ela permaneceria eternamente em branco,
não cumpriria o dever de ter sido uma folha que foi usada;
e você disperso, desprovido de encanto...
E também, distraído, fútil,
poderia passar dela, para uma outra,
e a folhinha seria uma qualquer, que passou,
passou, por não ter sido útil...
E a folhinha pensava...
- Quem sabe se a pena me fizer um rabisco,
mesmo que seja um risco,
posso ser usada para ser o início de um bilhete,
para um necessário lembrete...
Mas, a sonhadora folhinha determinava para sí:
- Quero fazer parte de uma história ou estória,
não importa;
o que eu não quero é ser amassada e ao lixo jogada!!...
E alimentava a folhinha uma fantasia:
- Ahhh!... quem me dera eu pudesse sonhar de sonhar...
Poderia eu transformar-me em uma Gênia Vegetal...
Sim!... Porque não?... Tudo se pode!... Tudo se consegue...
A minha origem é vegetal, mas não fui criada para vegetar!...
E você despertou de um transe inimaginável,
que teria em sonhos conhecido a Gênia Vegetal;
e passou a mão pelos cabelos, esfregou os olhos de espanto,
e afastou-se ao ver sobre a mesa a folha do caderno, em branco...
E rapidamente versou algumas coisas, quase todas as coisas;
versos que socorriam a tua mente culpada,
para que a folhinha fica-se feliz por ter sido usada,
e certamente seria através dos séculos lembrada...
Talvez,
dentro de uma garrafa de vinho Chileno,
ao sabor das ondas de um mar revolto ou ameno,
ou deitada nas areias de uma praia deserta...
Apenas com o nome do dono, do dono da pena!...
Tens lembranças?...
Sim!...
QUASE PERFEITO...
QUASE PERFEITO...
Os olhos resplandecentes viram!...
Sim...
Seria o que se complementaria...
De uma forma estereotipada,
conjugariam o mesmo verbo e o mesmo pensar!...
Apenas no tempo presente,
seriam assim conjugadas as suas formas,
vindas e advindas,
sugestivas ou substantivadas...
Seria um submergir consciente para um mundo além da poesia;
um plainar soberano sobre outros mundos,
enigmáticas esferas depois da mente,
muito além do não sonhado!...
Só e somente a mente consciente,
tornando o real em abstrato,
materializando todas as formas voláteis,
despretensiosamente...
Levito o meu pensar,
repenso o meu estar propenso,
intenso,
busco o aroma de um neutro incenso...
Revivo o segundo de antes,
acaricio letras invisíveis,
e o meu pestanejar sonado sorri,
sorrindo superlativamente absoluto...
Imagens de horas mansas se aproximam,
se aconchegam no meu pensar de andanças,
e uma gargalhada nervosa pensa,
na liberdade dantes proclamada...
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