Escritas

Lista de Poemas

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XXI

Nas estrelas de gelado branco,
Jóias que adornam o véu celeste,
As respostas procuro franco
Pras chagas que o ego veste

Essa noite eu passo em prantos.
Nas gotas que me riscam a face
Os momentos contigo que criei tantos
Esperando que ao menos um chegasse
Escorrem a se esconder em vários cantos
Distantes do meu coração mendace

O sol no horizonte é que aparece
E meu peito já não mais arde
Sua imagem com quem te merece
Quem não fugiu como um covarde
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XXII

No cair da noite gelada
As longas sombras crepusculares,
Filhas do sol em debandada,
Galgam o chão como os pesares,
A alma de quem perde a amada
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IV

Voltam pro ninho, ao lusco-fusco,
quero-queros e pardais.
Para voltar, seu colo busco,
mas, pois, onírico, se desfaz.
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VIII

Batidas angustiadas
Com as quais fala o coração
Sinto na carne as pontadas
Dessa febril compulsão

A ti, ao longe, vejo,
Musa dos meus desejos.
Suas curvas olho atento
Numa espiral de tormento
Por não as poder eu tocar.
Tão alto é o gritar
Das vontades do meu ser.

A mim podereis tu
Um dia olhar como eu
Contemplo a ti?
A tu poderei eu
Um dia tocar como tu
Cativas a mim?

Que leve o vento
Essas questões
Essas estrofes
De um coração rendido
Meu confessor
Dos meus sonhos perdidos.
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V

Para mim só encarnada
Me persegue essa má sorte
Num timbre lamuriento
Desde o meu vil nascimento
Que até separe-nos a morte
De alvorada em alvorada
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II

Como, na janela do meu quarto,
Miro os luzeiros ancestrais,
Que passam do outro um atrás,
Vejo o rio da vida, em meus olhos, correr farto.
Com sua ausência, minha musa,
Meu coração não mais se usa
E desse mund roto, só, eu parto.
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VII

Formas negras e plumadas,
Se pudesse uma vez eu
Encarnar com tuas asas,
Para mim faltaria céu

Na primeira quente massa
De ar eu embarcaria
E somente por rechaça
No chão não pousaria

Lá no alto ia passar
Minha vida de coisa alada
Como que a desprezar
A vida da coisa andada

Mas no chão já fiz raiz

E delas não escaparei
Pois, o que a Mãe Terra diz
Nos bichos é que se faz lei
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XIV

Como água a refletir
Os raios luminosos
Hora a chegar, hora a partir,
Tais reflexos tempestuosos
Vez a mandar, vez a servir,
Te vejo com olhos orgulhosos
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I

De tão sensíveis os meus nervos
Transformam-se, em calvário

A rotina do trabalho diário,
O som das aves no gemido dos enfermos.
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III

Quando já pintam o céu
As crepusculares labaredas,
Voltam, tipo larvas, vivificadas
Tais cruéis verdades indesejadas
Para roer minhas oníricas sedas
Como corta o ferro o cinzel.
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