enzo_vignotti_sabino

enzo_vignotti_sabino

352 Visualizações

I

De tão sensíveis os meus nervos
Transformam-se, em calvário

A rotina do trabalho diário,
O som das aves no gemido dos enfermos.
Ler poema completo

Poemas

11

XIV

Como água a refletir
Os raios luminosos
Hora a chegar, hora a partir,
Tais reflexos tempestuosos
Vez a mandar, vez a servir,
Te vejo com olhos orgulhosos
39

VIII

Batidas angustiadas
Com as quais fala o coração
Sinto na carne as pontadas
Dessa febril compulsão

A ti, ao longe, vejo,
Musa dos meus desejos.
Suas curvas olho atento
Numa espiral de tormento
Por não as poder eu tocar.
Tão alto é o gritar
Das vontades do meu ser.

A mim podereis tu
Um dia olhar como eu
Contemplo a ti?
A tu poderei eu
Um dia tocar como tu
Cativas a mim?

Que leve o vento
Essas questões
Essas estrofes
De um coração rendido
Meu confessor
Dos meus sonhos perdidos.
37

IV

Voltam pro ninho, ao lusco-fusco,
quero-queros e pardais.
Para voltar, seu colo busco,
mas, pois, onírico, se desfaz.
39

VII

Formas negras e plumadas,
Se pudesse uma vez eu
Encarnar com tuas asas,
Para mim faltaria céu

Na primeira quente massa
De ar eu embarcaria
E somente por rechaça
No chão não pousaria

Lá no alto ia passar
Minha vida de coisa alada
Como que a desprezar
A vida da coisa andada

Mas no chão já fiz raiz

E delas não escaparei
Pois, o que a Mãe Terra diz
Nos bichos é que se faz lei
42

XXII

No cair da noite gelada
As longas sombras crepusculares,
Filhas do sol em debandada,
Galgam o chão como os pesares,
A alma de quem perde a amada
42

XVII

Tua imagem, contra o azul celeste
Contrasta, e no meu peito a projetar
Claro como o véu que a noite veste
O real contorno do verbo amar
40

V

Para mim só encarnada
Me persegue essa má sorte
Num timbre lamuriento
Desde o meu vil nascimento
Que até separe-nos a morte
De alvorada em alvorada
42

I

De tão sensíveis os meus nervos
Transformam-se, em calvário

A rotina do trabalho diário,
O som das aves no gemido dos enfermos.
44

III

Quando já pintam o céu
As crepusculares labaredas,
Voltam, tipo larvas, vivificadas
Tais cruéis verdades indesejadas
Para roer minhas oníricas sedas
Como corta o ferro o cinzel.
45

XXI

Nas estrelas de gelado branco,
Jóias que adornam o véu celeste,
As respostas procuro franco
Pras chagas que o ego veste

Essa noite eu passo em prantos.
Nas gotas que me riscam a face
Os momentos contigo que criei tantos
Esperando que ao menos um chegasse
Escorrem a se esconder em vários cantos
Distantes do meu coração mendace

O sol no horizonte é que aparece
E meu peito já não mais arde
Sua imagem com quem te merece
Quem não fugiu como um covarde
41

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.