Lista de Poemas
Total de poemas: 2
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O homem
Há homens de todo traço,
dados a risos, ideias e feitos,
e no cenário o presente mundo,
alheio à sua parte na peça.
Sabemos estar perdidos, é fato,
tão somente por andarmos demais,
querendo dar firmeza a um passo
que somente torto se dá.
Na cabeça, a ideia:
nos damos a conceitos,
damos fúria à criação,
sopramos nela nosso ar caído.
Não é nosso o passo?
Não nos pertence o jeito?
O traço que nos damos é uma vontade,
e na luta lhe damos a forma.
Buscamos um ser,
e que seja belo.
dados a risos, ideias e feitos,
e no cenário o presente mundo,
alheio à sua parte na peça.
Sabemos estar perdidos, é fato,
tão somente por andarmos demais,
querendo dar firmeza a um passo
que somente torto se dá.
Na cabeça, a ideia:
nos damos a conceitos,
damos fúria à criação,
sopramos nela nosso ar caído.
Não é nosso o passo?
Não nos pertence o jeito?
O traço que nos damos é uma vontade,
e na luta lhe damos a forma.
Buscamos um ser,
e que seja belo.
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A fonte
Dos lagos sempre andantes
quis os filetes que rumam
para sempre mais longe da fonte,
entronada, altiva, na montanha.
Busquei a beira dos lagos,
rolei em córregos finos;
ali brinquei e rugi;
no verão dancei ao ar,
cantei a toda estrela.
Coletei pedras para empilhá-las,
mas a correnteza sempre as levava.
Do mar, além, não soube muito,
só o vi duas vezes efêmeras,
admirei-o estupefato, e o amei;
mas sua ressaca era forte,
mão que me levava ao profundo.
O mar é algo para ser recordado,
das poucas vezes em que nele esteve.
Pulei, ainda, em açudes, tibornas e poças,
e neles provei águas doces e suaves,
amargas e salgadas, quentes e frias,
e de cada conheci a beleza e o cinismo.
Mas ocorreu-me seguir reverso,
e ver de onde vinha a correnteza.
Levou-me à montanha
o fluxo invertido:
subi sua crosta úmida,
labutei em suas grutas pontiagudas,
senti a brisa alta,
e admirei a vista infinda.
Por fim cheguei à fonte.
Ali, então, me quietei.
Seu cheiro era dos açudes e lagoas,
seu fluxo era mais contínuo
do que o de qualquer rio,
e voltava a si mesmo,
do início, sem fim.
Nela havia lodo de tibornas
e água límpida de cavernas,
e sua realeza era a dos oceanos.
A fonte falou de coisas esquecidas,
histórias de muitas eras atrás,
o drama de cada rio e mar,
e falou de cada um a sua parte.
Lembrou-se resplandecente
de quando os primeiros rios pariu,
também lagos e mares, e quanto os amou,
e quanto ama na mesma medida
os que ora nascem.
Ela sentava, altiva, numa encosta,
ao fim de uma tarde serena,
e dali reconhecia o mundo inteiro:
à cada dando a devida entonação
me contava a história de cada um de seus filhos.
Seu rosto era profundo como os oceanos,
mas também simples com um lago entre folhas verdes,
era, ainda, sensível como o orvalho,
viva como os rios, terrível como nuvens
que obscurecem o firmamento;
era capaz de revolver sob seus pés
os mares do mundo inteiro
e de todas as eras de uma vez,
mas se enchia de alegria
ao falar sobre finos córregos
que dançam alegres
debaixo de árvores úmidas e duras,
escuras e taciturnas.
Falou-me muitas coisas,
e de todos os seus filhos contava a história completa,
e os amava mais que tudo.
quis os filetes que rumam
para sempre mais longe da fonte,
entronada, altiva, na montanha.
Busquei a beira dos lagos,
rolei em córregos finos;
ali brinquei e rugi;
no verão dancei ao ar,
cantei a toda estrela.
Coletei pedras para empilhá-las,
mas a correnteza sempre as levava.
Do mar, além, não soube muito,
só o vi duas vezes efêmeras,
admirei-o estupefato, e o amei;
mas sua ressaca era forte,
mão que me levava ao profundo.
O mar é algo para ser recordado,
das poucas vezes em que nele esteve.
Pulei, ainda, em açudes, tibornas e poças,
e neles provei águas doces e suaves,
amargas e salgadas, quentes e frias,
e de cada conheci a beleza e o cinismo.
Mas ocorreu-me seguir reverso,
e ver de onde vinha a correnteza.
Levou-me à montanha
o fluxo invertido:
subi sua crosta úmida,
labutei em suas grutas pontiagudas,
senti a brisa alta,
e admirei a vista infinda.
Por fim cheguei à fonte.
Ali, então, me quietei.
Seu cheiro era dos açudes e lagoas,
seu fluxo era mais contínuo
do que o de qualquer rio,
e voltava a si mesmo,
do início, sem fim.
Nela havia lodo de tibornas
e água límpida de cavernas,
e sua realeza era a dos oceanos.
A fonte falou de coisas esquecidas,
histórias de muitas eras atrás,
o drama de cada rio e mar,
e falou de cada um a sua parte.
Lembrou-se resplandecente
de quando os primeiros rios pariu,
também lagos e mares, e quanto os amou,
e quanto ama na mesma medida
os que ora nascem.
Ela sentava, altiva, numa encosta,
ao fim de uma tarde serena,
e dali reconhecia o mundo inteiro:
à cada dando a devida entonação
me contava a história de cada um de seus filhos.
Seu rosto era profundo como os oceanos,
mas também simples com um lago entre folhas verdes,
era, ainda, sensível como o orvalho,
viva como os rios, terrível como nuvens
que obscurecem o firmamento;
era capaz de revolver sob seus pés
os mares do mundo inteiro
e de todas as eras de uma vez,
mas se enchia de alegria
ao falar sobre finos córregos
que dançam alegres
debaixo de árvores úmidas e duras,
escuras e taciturnas.
Falou-me muitas coisas,
e de todos os seus filhos contava a história completa,
e os amava mais que tudo.
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