Elmar Carvalho

Elmar Carvalho

n. 1956 BR BR

n. 1956-04-09, Campo Maior - PI

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Noturno em dor maior

na noite ca'lad(r)a

um cão ladra

sem resposta

um galo canta

sem o eco doutro galo

um vaga-

lume vaga

sem lume

vaga-

rosa/mente

demente

na noite vaga

uma ave

noctívaga

navega

na vaga

do m'ar sem movimentos

nos cataventos

sem ventos

e de mirantes

sem mira/gens

a morte espreita

nos olhos vidrados

do enforcado.

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Poemas

9

Noturno em dor maior

na noite ca'lad(r)a

um cão ladra

sem resposta

um galo canta

sem o eco doutro galo

um vaga-

lume vaga

sem lume

vaga-

rosa/mente

demente

na noite vaga

uma ave

noctívaga

navega

na vaga

do m'ar sem movimentos

nos cataventos

sem ventos

e de mirantes

sem mira/gens

a morte espreita

nos olhos vidrados

do enforcado.

484

Egocentrismo

espirrei

na réstia de luz

da janela de meu quarto

e fiz surgir um

arco-íris

arco-do-triunfo

sob o qual

napoleonicamente passei

sobre o qual caminhei

em busca do

velocino de ouro

coroado com o

l'ouro

de minha própria

alquimia.

528

Insônia

No silêncio abissal

da noite estagnada

a engrenagem pesada

do tempo se desenrola

e desaba sobre mim.

As botas cadenciadas

das horas marcham

- lentas lesmas -

marcham infinitamente

na noite sem fim...

491

Enigma

entre o som

o sono

o sonho

a sombra e a sobra

eu me decomponho

em escombros

em farpas e agulhas

escarpas e fagulhas

desfeito enfim

em fogos de artifício

feito estrelas de mim

esfinge autoantropofágica que

não se decifrou e que a si

mesma se devorou

519

Autobiografia zodiacal

Sou do signo de

Carneiro

mas meu coração é um

Touro indomável.

No meu sangue

corre a fúria de

Leão.

Entre uma Virgem e duas

Gêmeas

meu coração/bala

Balança.

Sou um Câncer

nos chifres de

Capricórnio.

Sou Peixes libertário

sem o cárcere de um

Aquário.

Sou Sagitário

a

r

m

a

arco e flecha

d

o

d

e

( A flecha é uma cauda de Escorpião.)

485

O Búzio

o búzio

- pequeno castelo

ou gótica catedral -

sobre a mesa avança

envolto em ondas e vendaval

anda ondulante

onda cavalgante

onda ante onda

atraído pelo chamado

do mar avança

chamado que carrega

nas espirais e labirintos

de sua concha côncava

avança e

lança sobre mim

a tessitura exata

de sua arquitetura

abstrata e surreal

avança

unicórnio lendário

protuberante

rinoceronte bizarro

surfista extravagante

em forma de chapéu

lentamente

avança co-movido

pelo chamado das ondas

que em si encerra

em seu ventre vazio

onde o vento em voluteios

é a própria voz do mar

oh, búzio caprichoso

como as curvas e volutas

de um corpo de mulher...

589

Mulher na Lagoa do Portinho

Na tarde antiga

de sol e bruma

de luz e penumbra

as dunas mudaram

de cores e formas.

Os belos olhos esplendentes -

pálidas cálidas opalas ou

esmeradas esmeriladas esmeraldas -

da mulher bonita

de sinuosas dunas e viagens

furta-cores furtaram

outros tons e sobretons.

Ainda guardo a memória viva

daquela tarde morna e morta

e ainda vejo aqueles olhos vivos

furtando furtivos cores e atenção.

E os olhos e as formas curvilíneas

permanecem intactos no tempo

que em mim não passou.

E a mulher, acaso passou,

nos escombros das formas

transitórias da beleza?...

552

Metapoema

As meadas e as palavras

são labirintos e teias.

Nelas os poetas se elevam;

nelas as moscas se enleiam

e se debatem em vão.

Os poetas são.

As moscas, não.

556

Egocentrismo

espirrei

na réstia de luz

da janela de meu quarto

e fiz surgir um

arco-íris

arco-do-triunfo

sob o qual

napoleonicamente passei

sobre o qual caminhei

em busca do

velocino de ouro

coroado com o

l'ouro

de minha própria

alquimia.

568

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