sinto a falta, e necessito, de uma direção. um caminho, que seja, ou uma seta indicando a reta ou a curva a se tomar.
vinte horas seguidas acordado e sem sono, tudo tem sido e é, uma eternidade.
235
processo
transar poemas não é tão fácil como pensa
as vezes as letras somem e as palavras rompem e nada casa
as vezes um ou outro parece ficar certo mas isso é segredo.
284
de onde vem as palavras
e as palavras que não vem nem do coração nem da cabeça
surpreendo a todos e digo – minhas palavras vêm das mãos
a mão que te toca o rosto a mão que te toca o osso.
233
espanto
alguns dias sou capaz de ver poesia em tudo. olho para o condicionador durante o banho e lá diz: nutre e realça a luminosidade dos fios. não é lindo? já em outros dias a maior obra de arte já feita não me causa espanto. e o que é a vida sem o espanto?
274
tradição
o que me escapa é o que importa. mais que a poeira. mais que o grão de areia. mais que o dizer da palavra. busco busco busco a tradição de não ser nada.
287
ais
por vezes, faço poemas acidentais outras vezes, incidentais.
por vezes, o poema diz sim outras vezes, ais.
286
poema-piada
o poema-piada explode quando a morte rosna e quando a sorte, chia. a tarde se mostra branda para o menino que no quarto, espia. psiu, deixa isso de lado, as cordas não são tão aço que não possam fazer, samba. a vida também nasceu pra ser bamba, nasceu pra ser banda, nasceu pra acordar a sorte e inventar florestas, pará. semáforo corre quando tu pede pra passar os 30 segundos não são nada pra lá de bagdá de frente pro nilo, tudo some, sem lugar se eu soubesse escrever uma ilíada não ficaria criando poeminhas, parar.