Escritas

Biografia

Sou um pequeno jovem poeta que se inspira em Cesário Verde e em Fernando Pessoa. As minhas criações vão surgindo ao longo do meu dia-a-dia.

Lista de Poemas

Total de poemas: 5 Página 1 de 1

O vazio que fica

A casa repousa em silêncio,
A tua ausência preenche o lugar,
Cada canto sussurra memórias,
Nada te faz retornar.

A cadeira range sozinha,
A mesa espelha-te em vão,
O rádio calado, esquecido,
Não toca mais a tua canção.

Os teus óculos sobre a estante,
O livro marcado ao acaso,
Pequenas memórias perdidas,
No tempo que agora é escasso.

E aqui dentro, no peito apertado,
Ficou um espaço sem fim,
A casa vazia é um espelho,
Doque tu deixaste em mim.

03/01/2023

👁️ 44

A musa

Teus olhos lindos,
Como o luar,
Do céu vindos,
Fico sem jeito só de olhar.

Teu cabelo deslumbrante,
Brilha ao sol como diamante,
No vento dança elegante,
Beleza rara, cativante.

Teu sorriso ilumina o dia,
No olhar, a mais pura magia,
Encanta a alma, doce harmonia.

Cada passo teu é poesia,
Na leveza a tua energia,
És a essência da alegria.

17/01/2025

👁️ 51

O Vento

Tinha um copo na mão,
Mas era o peito que ardia,
Entre um gole e outro vão,
Escapou oque eu escondia.

Não foi o alcool que falou,
Fui eu, inteiro, sem disfarce,
A bebida so destravou,
Oque o medo nunca deixou.

Escrevi-te com o tom de voz arrastada,
Oque o silêncio me cobrava.

Talvez tenhas achado leve,
Ou só palavras lançadas ao ar,
Mas mesmo que a voz fosse leve,
O meu sentir não sabe brincar.

Não peço que mudes o teu rumo,
Nem que finjas oque não há,
So peço: não tomes o fumo,
O fogo que quis te amar,

Se te afastares, levo o teu riso comigo,
Como quem guarda o sol num retrato,
Mas quem sabe um dia, um destino antigo,
Nos reencontre, com o tempo exato.

12/06/2025

👁️ 49

No banco ao lado, um sonho desacordado

No banco ao lado, ela sorri,
Enquanto a chuva no vidro cai,
O motor ronrona, o tempo flui,
E o meu segredo, quieto, não sai.

Os pingos dançam no vidro embaciado,
Como o coração que quer falar,
Mas fico mudo, olhar desviado,
Com medo de a fazer recuar.

Se ela soubesse oque não digo,
Talvez sorrisse de outro jeito,
Mas guardo o sonho, fiel amigo,
Num silêncio doce e perfeito.

30/04/25

👁️ 43

Às três da manhã

Na noite fria de um falso natal,
Com luzes a fingir que está tudo bem,
O mundo seguiu normal, banal,
E eu perdi tudo oque era alguém.

Às três da manhã mudou o dia,
Mudou o mês, mudou o chão,
Ela disse, sem poesia:
"Já não há amor no coração".

Foi um print velho, mal tirado,
Um passado ressuscitado à traição,
Um amigo, novo errado,
A entregar-me sem perdão.

Falávamos de outras pessoas,
Conversa antiga, sem valor,
Nas mãos erradas virou coisa monstruosa,
Virou sentença, virou dor.

Ela foi. Eu fiquei inteiro?
Não. Fiquei resto, Fiquei peso,
Ainda a amo, erro primeiro,
Ainda dói, ainda rezo.

A cidade passa por mim depressa,
Ninguém nota este cansaço meu,
Sou ruído numa rua acesa,
Soou um "foi assim" que morreu.

Perdi-a. Perdi um irmão.
Perdi a fé nas amizades.
Outro diz que falo em vão,
Inventa mentiras, cria verdades.

E eu olho-me no espelho e vejo,
Um lixo humano, sem defesa,
Um corpo cheio de desejo,
De não sentir tanta tristeza.

Mas se isto doi desta maneira,
Se o peito insiste em sangrar,
É porque amei de forma inteira,
E ainda sei que é amar.

Talvez um dia, sem datas santas,
Sem prints, sem vozes a trair,
Eu volte a ser mais doque sombras,
A tentar aprender a existir.

02/01/2026

👁️ 48