Lista de Poemas
Chapeuzinho vermelho protegida pelo lobo mau
Saiu uma notícia.
A vida está em risco.
Disseram que foi tramado um golpe.
Precisamos de proteção.
Precisamos de um juiz.
Temos um juiz.
Ele vai proteger.
Tem uma idosa doente na prisão.
E um bandido armado no morro.
Tem uma mulher presa pelo batom.
Tem um bandido governando uma nação.
O esboço do pastor foi apreendido.
A ideologia está a solta por aí.
Mas estamos protegidos.
Temos um juiz.
Que bom termos um juiz.
Chapeuzinho vermelho está protegida.
Protegida nas garras do lobo mau.
O galo cantou
Tocou o despertador.
Você disse que hoje seria diferente.
Você vai para sua aula.
Mas na primeira oportunidade.
Você cola.
Tá bom.
Foi só um errinho.
Aula do professor comunista.
Nada de bom há no cristianismo.
Deus está morto.
E você concorda.
Quem não teria medo do cancelamento.
Chegou em casa.
Final do dia.
Você não vai orar.
Você vai para a pornografia.
É só um pouquinho.
Você vai parar.
E o galo cantou, Pedro.
Você o negou.
Olhe para aquela cruz.
Sua culpa está ali.
Não foi Roma, foi você.
Não foram os judeus, foi você.
Olhe para cruz, Pedro.
Somente ali está a cura desse seu terrível mal.
Prazer artificial
Você não planta.
Mas assiste ao plantio.
Você não colhe mas assiste a colheita.
Você não joga.
Mas assiste o jogo.
Você não treina.
Mas assiste ao treino.
Você não quer filhos.
Mas assiste uma família à mesa.
Você não quer casar.
Mas assiste ao casamento "perfeito".
Você escolheu a pior parte.
Você quis ser o observador.
Por isso a tristeza.
Por isso a angústia.
Por isso a solidão.
Você abandonou o real.
Pelo mero prazer artificial.
Na tela do celular
Chega em casa.
Cansado.
A casa está bagunçada.
Já vou arrumar.
Só um instante.
Um minuto.
Peguei o celular.
Passei o dedinho para cima.
Risada.
Só mais um, já vou arrumar.
Amanhã tem prova.
Já vou estudar.
Só mais um.
Deu meia noite.
Deu uma hora.
Vou me deitar.
É muito tarde.
Amanhã vai dar tempo.
E a vida foi em bora na tela do celular.
O menino na janela por Daniel Bernardo Marins Ouriques da Cunha
Havia um menino na janela.
Ele não brincava.
Mas assistia os outros brincando.
Ele não corria.
Mas assistia os outros correndo.
Ele não tinha amigos.
Mas assistia a amizade de outros.
Ele não vivia.
Mas assistia como era a vida lá fora.
O menino crescia.
Sempre ao olhar da janela.
Ele não estudava.
Tudo que queria perguntava na janela.
Suas aulas também eram pela janela.
Sua vida era reduzida ao observar a janela.
O menino cresceu.
Seu trabalho era na janela.
Sua diversão estava na janela.
Seus amigos todos estavam na janela.
Tudo o que ele tinha era aquela janela.
Nunca correu.
Nunca pulou.
Nunca viveu.
Toda sua vida estava na janela.
Sua namorada o conheceu na janela.
Seu filho nasceu sob o olhar da janela.
Seu divórcio foi causado pela janela.
O primeiro presente do filho foi uma janela.
Até que chegou um dia em que o mundo se reduziu aquela janela.
Ninguém fazia nada fora dela.
O normal se tornou a janela.
As doenças eram causadas pela janela.
A depressão geralmente surgia na janela.
A ansiedade era causada pela janela.
O mundo se destruiu por uma janela.
Talvez você querido leitor esteja apenas a olhar por uma janela.
Sem se dar conta que a vida se passa e você não larga essa maldita janela.
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