Escritas

Lista de Poemas

Idas sem vindas

Só hoje eu morri várias vezes
de desinteresse,desimportância e negação
forjei a minha morte quando esqueci de olhar lá fora
contestar minhas raízes e sair da exatidão

Nem sempre da pra ficar tão vivo
as vezes eu paro no tempo
e o que chamam de morte,eu chamo de razão
Por que viver toda hora é suportar a cada instante
diferentes formas de alucinação

De dia em dia eu torço pra sair desse funeral
só que cada novo tempo preciso de novos escapes
e termino sempre escorada: no mesmo degrau

Me vigio sempre pra mentir pra mim
cuidadosamente,sobre os anos bons
invento fugas rasas sobre problemas bobos
com músicas decoradas que repetem um som

Digo pra mim mesmo que novamente eu vou mudar
mas quando eu menos espero estou parada
com os mesmos dilemas no mesmo lugar
sossego só quando eu fico perto do fim: jurando me arriscar


To viva,mas com o pé bem solto"lá"contando os casos
esperando algum cronômetro chegar no fim e apitar
pisando rápido para chegar logo e recomeçar
viver mais vidas simultâneas se dessa aqui eu enjoar

Essa noite quando eu dormir minha prece vai ser pra ficar
eu mesma que não sou daqui,me retiro de viagem

cansei de me matar,to ficando craque em ressuscitar
de manhã eu acordo outra,e ninguém nem vai notar
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Memórias vivas que rasgam

Eu sobrevivi!

Consegui escalar esse fundo de vastidão pelejando arduamente na miséria funda um homem

atacado de uma moça que dizia ser coisa leve

mas mentiu:de provocação, que alcançou sem nenhum entrave níveis fundos e imersos

de me deixar aqui esvaído emputrecido de um despertar em vaõ...

Eu Bravejei!

Sendo mestre,fiel,artista e o primeiro,insisti,declamei e sucumbi

Me prostitui,em cada parte de mim que menti dizendo pra outras que estava inteiro

Mas estava ali: na mesma cena repetida dela lisa e escorrida no meu corpo que dizia:

Fica aqui!penumbra de memória esquecida...

Mas resisti!

Tremulei o extremo oposto da dor mais profunda que nunca senti me parti em pedaços

afundei num naufrágio com mulheres infames que amei só por hora até seu rosto sumir

Implorei com escárnio a qualquer um senhor Deus! dizendo que faria promessas a seres

supremos que tirassem de mim registros teus

Mas foi só quando me trouxeram a sua face que desmedi...senti denovo e pedi resgate

 finquei ali.Daqui não saio mais pra coisa alguma me enchi de desejo e retratos pálidos da sua

pele despida sem veste alguma: liberta e nua

E agora arrancado,estilhaçado e amordaçado: me rendi!

Esperei sua volta e ela era meu delírio...pesadelo obscuro sem fim

Acordei trêmulo suado,e chorava denovo pelo o que eu deixei partir

Mas não parou por aí,por que a há meses atrás no mesmo horário o relógio me acorda

E sussurra: ela não vai sumir! Maldita ressaca de tons distoantes que eu fico vivendo

Como se fossem lúcidos os delírios constantes

Mas se te perguntarem sobre um rapaz que foi visto afogado em fúrias rotinas de um bar

da mesa da esquina,diga que sumi!

Só minta dizendo que eu não parti,se no mesmo lugar a mesma mulher daquele vestido vier por ali

tocar o meu rosto até eu sentir(brevemente) um consolo escopo: meu bem por que você

gritou tanto enquanto eu dormi?
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Caís de pouso longo


naquele canto
existe um lugar reservado pros que se debruçam nos sufocos da vida


naquele canto
tem um exato momento pros que despertam depois das partidas


no mesmo escombro
vem sempre o mesmo vazio dos lastros de dor

Nas noites mais submissas
eu chamo aquele canto de amigo, de amiga

Eu grito este mesmo canto com vozes de socorro
e desgasto ombros ralados respirando inerte
pouco a pouco

Embora leve com ele toda á fadiga impiedosa rechaçada
do dia-a-dia
esse canto é melindroso, mas quando acalenta
traz á ternura almejada pelas almas de vãs tormentas

Meu canto é um reboco, um lugar, uma pessoa
é um dia bom, uma lembrança, uma sensação boa 

Por último, despejo aos poucos nas doses programadas gotas
no cantinho.

Naquele fino espaço ficam todas as palavras soterradas,
sussurram baixinho: 
-liberdade é arriscado

Em respeito aos meus receios, me seguro encurralada
No fundo a gente sabe se aperta se alarga se mistura ou 
se afasta, infelizes causas...

Sorte possuo: o querido canto já conhece a minha estrada.

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Se acostume a mudar

A gente se acostuma a saber demais,e repetir involuntariamente

modos de criação concretos e dispensar o:”de repente”

A gente se acostuma a pisar tão forte nos mesmos terrenos

que diariamente no mesmo único lugar de sempre,nos perdemos

A gente usa tantas vezes as mesmas palavras que a imensidão e o pequeno

são ditos da mesma forma de maneiras variadas

A gente arrisca tão pouco na incerteza

mesmo tendo decorado as mil 
possibilidades

de qualquer curva fora dela mesma


E quando vem o terremoto,outro caminho ou um tremor

a gente se dá por vencido distoa tudo e acabou

encenei,decorei,já pensava mas a vida vem não te convida,e entra sem dizer nada

invadindo seus porques e figurando seus dilemas 

ela te arremessa no palco sem nunca antes ter entrado em cena

nunca tente dizer demais sobre o que vai estar

 algumas coisas estão ali apenas para mudar de lugar
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Invioláveis


Fossemos ardentes e vivazes

as memorias seriam livres

 e teríamos tempo para amar

Fossemos gentis e sábios

os aprendizados iriam durar

Fossemos simples e perenes

Você iria ficar...

Mas sendo densos e apressados

o passado se perde

o tempo se esquiva

e nos...

Não me lembro bem

Fugiu antes de ser e estar

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Comentários (4)

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Jakeliny Velame
Jakeliny Velame
2022-01-12

Conhecendo seu trabalho AGORA...

18431843
2020-06-17

obrigada galera

10012019
2020-06-15

Olá, Clarice!

Giovanna
Giovanna
2020-06-07

Uma mistura de Álvares de Azevedo com modernidade kk! Tudo que eu amo. Parabéns amiga.