Lista de Poemas

Amo

Amo
E não amo pouco
E não amo às vezes
Amo no superlativo
Na ausência, na falta e na saudade
Amo até o não querer-me
Amo o tempo que te leva
O espaço que nos separa
O medo que te abraça
Amo a espera e a esperança
O teu calar e o teu não ver
O teu verde olhar
Amo ver de longe
Sem tocar, abraçar ou beijar
Ah! Como eu te amo
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Anjo meu


Anjo meu desce à terra
E envolve-me em tuas asas
Abraça-me...
Isola-me deste mundo
Deixa-me por instantes segura e sem dores
Protege-me
Dá-me um tempo de sono profundo
Quando eu possa esquecer-me e esquecer o mundo
Um tempo de nada!
Não sou daquí e nem sei de onde sou
Dá-me conforto embaixo dessas asas
Faz-me segura para prosseguir
Pois que tenho vacilado
Por causa de um amor
Dá-me o esquecimento e a renovação
Transmuta-me em outro ser
Apaga de mim esta cruel sensibilidade
Torna-me fria,
Mata-me, para que eu possa viver!
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Por Amor

O tempo é ponte de cordas podres
Atravessar?
Para quem sabe, cair no abismo do não
E quando tua falta me preenche da tua presença
Neste nada tão grande
Penso que por amor eu iria
Por amor atravessaria
E não sei se cairia
Talvez, voaria
E abraçar-te-ia!
O longe é faca que rasga a alma
Romper essa distância?
Para quem sabe, encontrar-te ou não
E enquanto a saudade me invade de lembranças
Nesta alma vazia de esperanças
Penso que por amor partiria
Por amor te procuraria
E não sei se não chegaria
Talvez correria
E amar-te-ia
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Transmutação

Chamam de amor o que é dor, um deserto na alma
A nossa metade ausente.
Pedras secas queimadas ao sol num caminho solitário,
Chutadas, fazendo-se poeira, a única companheira!
Chamam de amor a lágrima fria que rola na noite eterna
Repleta de estrelas mudas e sem manhãs,
Não há manhãs para os que amam
As manhãs são dos amados!
Chamam de amor o tempo vazio da espera
Nos ciclos infinitos dos ponteiros,
Tique-taques sombrios ecoando no espaço,
Nos badalares mórbidos dos sinos das cidades abandonadas
E o que puxa a corda sou eu,
Solitário fantasma de uma igreja sem fiéis!
Tiro a poeira do Jesus crucificado,
Faço novamente azul o manto amarelado da triste Virgem!
Estátuas gélidas a me observarem...
Conto as penas das asas de Miguel
Para não sentir o tempo que me separa
Do que é o amor em mim agora.
E na nudez dessas pedras há uma vibração angelical
Manifestada em cores, prana, pombas brancas
Na abóboda dessa igreja.
Descem pelos raios do sol e se irradiam, invadindo-me...
Sinto-me inflamar, crescer!
As estátuas tomam vida
Não são mais tristes figuras de um tempo longe, esquecidas!
Sorriem
Vejo luz, muita luz,
Sinto alegria, muita alegria,
Tenho paz, muita paz!
Cristo larga a cruz e me estende a mão
Maria também sorri e deposita seu manto em meus braços,
Miguel aponta sua espada
Dirigindo o meu olhar ao último banco da igreja...
E te vejo ali, sentado, sereno, conhecedor dessas transmutações
Dos que, como eu, buscavam o real nas ilusões,
Naquilo a que chamam amor!
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Platônico

Tão simples é te amar
No longe, sem toques
Pois o que não existe
Pode ser imaginado com total liberdade!
Faço castelos de abraços no ar,
Coloco palavras doces em tua boca,
Em lugares que nunca fui
Andamos de mãos dadas.
E, quem dirá que não é real?
Se somos a imaginação de Deus
Em sua infinita solidão?
Platônico, ilusório?
Existe em algum lugar:
No meu coração!
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