Lista de Poemas

Existência capitalista

Vejo,
Desejo,
Compro,
Sou.

Amo,
Esqueço,
Deixo,
Sofro.

Luto,
Estudo,
Trabalho,
Adoeço.

Vivo,
Resisto,
Entristeço,
Morte.
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O desconhecido

Não sei quem sou, nem quem eu era e, tão pouco, quem serei.
 
  Diariamente, vou me desconstruindo e me reconstruindo incessantemente, mas, assim como a água, não possuo uma forma definida.

  Há tantas coisas ocultas dentro de mim,
tantas emoções desconhecidas, tantos sentimentos velados, tantos pensamentos inexplorados, que fazem com que o meu ser seja exterior à minha limitada consciência.

  Eu não sou quem eu pensei quem fosse e nunca serei quem eu quero ser.
Afinal, para que querer ser alguma coisa se eu próprio me desconheço? Como chegarei a algum lugar se nem sei onde estou?

  O meu eu está a anos luz de mim, em uma outra galáxia misteriosa, incrustado nas mais inóspitas estrelas do meu inconsciente. Nunca o encontrarei, nem chegarei perto disso, porém nunca deixarei de buscá-lo.
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Velho amigo

Acalma-te, velho amigo,
A noite já foi embora,
Aproveitas a breve aurora,
Antes que a tristeza faças abrigo

Esqueças a natureza efêmera
E coloques um sorriso em teu rosto,
Mesmo que o gozo seja pouco
Não deixes que a luz esmaecera

Sei o quanto é difícil viver
Mas do que adiantas morrer
Sem antes enfrentar o sepulcro da vida?

E, assim, talvez, algum dia, encontras a paz que desejas
Porém, até lá, sejas
O máximo de luz que conseguires ser.
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Soneto de um quase ateu

Imbuído nas águas profundas e dubiosas da clareza,
Com os cardimiócitos fadigados pela inconstância da existência,
Minha fidúcia pela crédula transcendência
Se esvaiu diante da realidade lancinante da natureza.

Natureza na qual tudo destrói e tudo cultiva,
Apresenta-se indiferente ate ao mais afável sujeito
Como admitir a onipresença de um ser benevolente e perfeito?
Se o infortúnio é a causa mais expressante de sua devolutiva?

A clemente carne nume, assim, mostra-se apenas na abastância,
E todos aqueles que creem ou não na divina pragnância,
Estarão submetidos aos absurdos dos acasos da vida.

Libertei-me, portanto, da mendacidade religiosa,
Que, desde os primórdios, esfola
Os espíritos livres desta terra faminta.
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Uma conversa com a depressão

Chega-me de repente!

Tua abrupta presença translada toda minha serenidade,

Assolas meus prazeres, destrói minha felicidade

Só quem a tem assim sente.

 

Expressas em mim os mais terríveis sentimentos

Tiras toda minha potencialidade

Tenhas, por favor, um pouco de alteridade

Saias de mim só por um momento.

 

Ultimamente, ando questionando sobre o móbil da tua existência:

vives apenas para findar com minha quietude?

Ou fazes parte da minha essência?

 

Assim, talvez um dia eu entenda a tua incongruência

E, com isso, viveremos com mais prudência

Mas, até lá, viverei a mercê da tua violência.
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