Lista de Poemas
Céfas
Pedro é pedra e pedra é rocha,
Rocha é firme e firme é Pedro
Que é pedreiro de pedra firme
E que nem é Paulo, nem João:
João é emoção, Paulo é tendeiro,
Mas tenda é tendão, e de Pedro.
E Pedro é Papa e Papa é pedrinha,
E pedrinha é Bento,
Que é cordão umbilical de pedreira.
E pedra é pé de romeiro apaixonado
Peregrinando rumo a Roma
Ah! Roma tu sim fostes a cidade
Eleita para derramar-se em tuas ruas
O sangue dos mártires eternais...
Rocha é firme e firme é Pedro
Que é pedreiro de pedra firme
E que nem é Paulo, nem João:
João é emoção, Paulo é tendeiro,
Mas tenda é tendão, e de Pedro.
E Pedro é Papa e Papa é pedrinha,
E pedrinha é Bento,
Que é cordão umbilical de pedreira.
E pedra é pé de romeiro apaixonado
Peregrinando rumo a Roma
Ah! Roma tu sim fostes a cidade
Eleita para derramar-se em tuas ruas
O sangue dos mártires eternais...
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Despojando-se
Alguns poemas devem ser jogados fora,
Visto que,
Não trazem informações precisas...
Minha avó sempre falou
Que se faz necessário arremessar
Pelos buracos das janelas
Algumas coisas
A fim de que possam
Advir as novas.
Comungando essa ideologia,
Eu despojei-me de muitas coisas:
Joguei fora minha primeira bolsa escolar
Que custara os olhos da cara de minha pobre avó
E de que eu gostara tanto;
Desgarrei-me de amizades pérfidas,
Uma vez que é melhor andar só
Que mal acompanhado,
Dizia o velho.
Outrossim, desfiz-me das coisas que me deixavam
Presas ao passado, pois um dia percebi
Que havia repetido sem saber o dia anterior,
E isso atiçou deveras a minha ira;
E ainda, por fim, joguei fora meu grande amor,
Pois descobri que nem era tão grande assim
Como eu acreditava,
Porque desceu pelo ralo e foi-se embora
Junto com as águas e as horas que se passaram...
Passaram... passaram...passaram...
E se foram embora.
Mas nem tudo foi inútil
No final das contas
Descobri que há coisas pequenas
Que não me despojei,
E nem me despojaram,
E que me valerá a eternidade e o cosmo
E o fim do mundo.
Amém!
Visto que,
Não trazem informações precisas...
Minha avó sempre falou
Que se faz necessário arremessar
Pelos buracos das janelas
Algumas coisas
A fim de que possam
Advir as novas.
Comungando essa ideologia,
Eu despojei-me de muitas coisas:
Joguei fora minha primeira bolsa escolar
Que custara os olhos da cara de minha pobre avó
E de que eu gostara tanto;
Desgarrei-me de amizades pérfidas,
Uma vez que é melhor andar só
Que mal acompanhado,
Dizia o velho.
Outrossim, desfiz-me das coisas que me deixavam
Presas ao passado, pois um dia percebi
Que havia repetido sem saber o dia anterior,
E isso atiçou deveras a minha ira;
E ainda, por fim, joguei fora meu grande amor,
Pois descobri que nem era tão grande assim
Como eu acreditava,
Porque desceu pelo ralo e foi-se embora
Junto com as águas e as horas que se passaram...
Passaram... passaram...passaram...
E se foram embora.
Mas nem tudo foi inútil
No final das contas
Descobri que há coisas pequenas
Que não me despojei,
E nem me despojaram,
E que me valerá a eternidade e o cosmo
E o fim do mundo.
Amém!
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Ciclo vitalício
Que me invada um dia,
A depressão
De ser depressivo;
A alegria
De ser alegre;
A tristeza
De ser triste;
O medo
De ser medroso;
O desânimo
De ser desanimado;
A ira
De ser irado;
A inveja
De ser invejoso;
A ansiedade
De ser ansioso;
O amor
De ser amado;
O estresse
De ser estressado;
O ciúme
De ser ciumento;
A vergonha
De ser vergonhoso;
A loucura
De ser louco, louco, louco...
Eu quero mesmo
É que me acometa um dia
Uma ação viva.
A depressão
De ser depressivo;
A alegria
De ser alegre;
A tristeza
De ser triste;
O medo
De ser medroso;
O desânimo
De ser desanimado;
A ira
De ser irado;
A inveja
De ser invejoso;
A ansiedade
De ser ansioso;
O amor
De ser amado;
O estresse
De ser estressado;
O ciúme
De ser ciumento;
A vergonha
De ser vergonhoso;
A loucura
De ser louco, louco, louco...
Eu quero mesmo
É que me acometa um dia
Uma ação viva.
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Algures
Sinto-me ainda dançando
No breu da escadaria;
E aquelas vozes que soam
Ao longe, como que vem
Para me espantar,
São vozes de gente infame
E que não tem o que fazer,
Que vive bisbilhotando
A vida alheia,
E esquece a sua,
E esquece que vive,
E que pensa que é Deus.
Mas vejo-te ainda, amor,
Toda faceira e nua
Como pétalas no sol das onze e meia;
E se passares outra vez por mim,
Verás que em ti serei sol
Tão quente que te transpassarei
A alma, em chama candente, eternal.
No breu da escadaria;
E aquelas vozes que soam
Ao longe, como que vem
Para me espantar,
São vozes de gente infame
E que não tem o que fazer,
Que vive bisbilhotando
A vida alheia,
E esquece a sua,
E esquece que vive,
E que pensa que é Deus.
Mas vejo-te ainda, amor,
Toda faceira e nua
Como pétalas no sol das onze e meia;
E se passares outra vez por mim,
Verás que em ti serei sol
Tão quente que te transpassarei
A alma, em chama candente, eternal.
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Dormitando
Tenho pena de minha calejada irmã,
Mas não posso dar jeito
Pois a natureza a fez assim:
De alma acanhada e rude
E de mãos embranquecidas e frouxas
Que nem folha seca ao vento...
Será que um dia ela descansará
Em paz? Ou se ainda,
Ela ressuscitará outra vez
Com aspecto mais descente de uma flor?
Com seriedade eu não sei...
Nada que ultrapassa essa vida
Foi me dado a conhecer;
Que pena eu ser
Tão limitado humanamente.
Rezemos, roguemos à Virgem Maria
Para que interceda por ela no céu,
E assim, minha irmã transcenda esta vida...
Ah! Se eu também tivesse
A mesma sorte que ela
Hoje eu dormiria em paz.
Que nem Maria, que dormitou...
Mas não posso dar jeito
Pois a natureza a fez assim:
De alma acanhada e rude
E de mãos embranquecidas e frouxas
Que nem folha seca ao vento...
Será que um dia ela descansará
Em paz? Ou se ainda,
Ela ressuscitará outra vez
Com aspecto mais descente de uma flor?
Com seriedade eu não sei...
Nada que ultrapassa essa vida
Foi me dado a conhecer;
Que pena eu ser
Tão limitado humanamente.
Rezemos, roguemos à Virgem Maria
Para que interceda por ela no céu,
E assim, minha irmã transcenda esta vida...
Ah! Se eu também tivesse
A mesma sorte que ela
Hoje eu dormiria em paz.
Que nem Maria, que dormitou...
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Mortalha
Um dia hei de vestir-me
Em uma mortalha. Espero eu,
Que não seja preta por dentro,
E preta por fora.
Mas que tenha, no mínimo
Uma fresta reluzida,
Que me aplaque os olhos
Em noite de breu!
Que triste seria se eu morresse
Ser ver a luz do dia;
Ou se ainda ficasse a espera
De um pouco de água...
Lembro-me ainda daquelas
Assombrosas histórias
Que meu povo contava:
De que quem morre sedento
E sem uma vela nas mãos,
Ao menos não entra no céu...
Sabe-se lá os exércitos celestiais
Onde se encontra agora toda essa gente!
Queira Deus que não venha eu
Ser um desses moribundos
Que jazem sem esperança de vida;
Porém, venha eu arrepender-me
Primeiro de tudo, antes que a morte
Me passe a fio da espada,
Assim como fizera com todos esses defuntos.
Em uma mortalha. Espero eu,
Que não seja preta por dentro,
E preta por fora.
Mas que tenha, no mínimo
Uma fresta reluzida,
Que me aplaque os olhos
Em noite de breu!
Que triste seria se eu morresse
Ser ver a luz do dia;
Ou se ainda ficasse a espera
De um pouco de água...
Lembro-me ainda daquelas
Assombrosas histórias
Que meu povo contava:
De que quem morre sedento
E sem uma vela nas mãos,
Ao menos não entra no céu...
Sabe-se lá os exércitos celestiais
Onde se encontra agora toda essa gente!
Queira Deus que não venha eu
Ser um desses moribundos
Que jazem sem esperança de vida;
Porém, venha eu arrepender-me
Primeiro de tudo, antes que a morte
Me passe a fio da espada,
Assim como fizera com todos esses defuntos.
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Comentários (2)
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Ederson
2020-01-30
Um talento... Parabéns
Aclesina
2017-05-16
parabens chico lira vc me encantou
CHICO LIRA
Por: Claudianne Dourado
O jovem poeta Francisco Lira de Araújo é o filho mais novo de uma família de cinco irmãos e passou sua infância no interior de Paraibano-MA na localidade de Sítio do Meio. Ainda muito cedo (com um ano e sete meses de idade), perdeu sua mãe, sendo criado pelo pai, e posteriormente pela avó. Aluno dedicado aos estudos, sempre mereceu honras nas escolas por onde passou, recebendo medalhas pelo excelente desempenho nos três anos do Ensino Médio, e exercendo cargos de liderança nas turmas por onde passou, onde sempre que possível, era solicitado a ajudar na avaliação dos professores probatórios desses estabelecimentos de ensino.
Seu interesse nas letras, artes e poesia foi despertado após o seu ingresso no Seminário Camiliano (São Camilo de Lellis) aos 17 anos de idade, na cidade de Fortaleza-CE no ano de 2011. Durante este período, recebeu aulas de reforço de Literatura dentre outras disciplinas que eram disponibilizadas aos jovens vocacionados, visando prepará-los para o vestibular. Despertou grande interesse pela poesia durante as aulas de Literatura tendo pleno aproveitamento e produzindo poemas inspirados inicialmente nas características das escolas literárias estudadas, depois, criou um estilo singular. Logo seu talento e criatividade o levaram além das fronteiras do Seminário, e com o apoio da direção da Escola Tecla Ferreira (ainda em Fortaleza), onde finalizava o terceiro ano do Ensino Médio, teve seu primeiro poema publicado no jornal Diário do Nordeste, intitulado como "Canção da Praça". Em 2012, saiu do Seminário e retornou à sua cidade natal onde atualmente trabalha na Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Paraibano-MA como Mestre de Cerimônias, ministra cursos para coroinhas, frequenta o Curso de Enfermagem e continua produzindo seus belos poemas com estilo único e próprio.
Seu interesse nas letras, artes e poesia foi despertado após o seu ingresso no Seminário Camiliano (São Camilo de Lellis) aos 17 anos de idade, na cidade de Fortaleza-CE no ano de 2011. Durante este período, recebeu aulas de reforço de Literatura dentre outras disciplinas que eram disponibilizadas aos jovens vocacionados, visando prepará-los para o vestibular. Despertou grande interesse pela poesia durante as aulas de Literatura tendo pleno aproveitamento e produzindo poemas inspirados inicialmente nas características das escolas literárias estudadas, depois, criou um estilo singular. Logo seu talento e criatividade o levaram além das fronteiras do Seminário, e com o apoio da direção da Escola Tecla Ferreira (ainda em Fortaleza), onde finalizava o terceiro ano do Ensino Médio, teve seu primeiro poema publicado no jornal Diário do Nordeste, intitulado como "Canção da Praça". Em 2012, saiu do Seminário e retornou à sua cidade natal onde atualmente trabalha na Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Paraibano-MA como Mestre de Cerimônias, ministra cursos para coroinhas, frequenta o Curso de Enfermagem e continua produzindo seus belos poemas com estilo único e próprio.
Por: Claudianne Dourado
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