Lista de Poemas
pessoas
Em solo infértil,
Oque esperas que nasça dali?
Talvez uma flor!
Mas do que adianta ter tanta esperança?
A esperança por sua vez,
Não ira tornar o solo fértil!
Mas e se dali nascer uma flor?
A flor terá espinhos ora!
E os espinhos por sua vez, Irão feri-lo!
E irão arrancar de você toda a esperança que um dia restava!
Assim são as pessoas
( Carlos Henrique Rodrigues Roque) 30/10/2020
Pessoas
Quando se rega uma semente em solo infértil,
o que realmente se espera dali?
Talvez uma flor,
insistente, quase improvável.
Só que a esperança, por mais teimosa,
não torna fértil o que se recusa a brotar.
Ela sustenta, mas não transforma.
E mesmo que dali surja uma flor,
trará espinhos vigilantes.
Espinhos que não hesitam,
que sabem exatamente onde tocar
e arrancar o último traço de esperança que ainda sobrevivia no peito.
Assim se comportam algumas pessoas.
(Carlos Henrique Rodrigues Roque) 30/10/2020
O Cão
O cão te olha.
Não com curiosidade,
Não com julgamento
Mas com algo que atravessa o tempo,
Como se em seus olhos
Habitasse um silêncio antigo,
Sabedor de dores que nem tu nomeias.
Ele fita teu rosto com calma,
Como se ali houvesse algo sagrado,
Mesmo que tu não vejas.
Como se cada ruga, cada sombra,
Cada ausência de sorriso
Contasse uma história que ele já ouviu
Em noites longas e frias,
Deitado aos teus pés.
Ele não fala,
Mas diz tanto.
Diz que te entende.
Diz que está ali.
Diz que mesmo que o mundo te rasgue,
Ele te guarda inteiro em seu olhar.
Há pena no seu olhar,
Mas não daquelas que diminuem
É pena que acolhe,
Que abraça em silêncio,
Que lambe feridas invisíveis.
E há tristeza, sim.
Mas não por ele.
Por ti.
Por saber que tu andas cansado,
Que teu peito está pesado
De coisas que nem sabe explicar.
O cão vê.
Vê o que você esconde.
Vê o que nem você encara.
E mesmo assim permanece,
Fiel, calado, presente
Como se dissesse:
“Eu sei. E mesmo assim, eu fico.”
Carlos Henrique Rodrigues Roque
14/04/2025
Tu sabes
Tu sabes o meu número,
sabes o caminho,
sabes cada dobra da estrada que leva até mim.
Sabes que te amo
com a paciência dos ventos,
com a fé de quem espera
sem nunca perder o farol.
Sabes que sonhei a vida ao teu lado,
mesmo no frio que corta,
mesmo no medo que cala,
e mesmo assim,
dei tudo de mim
sem saber se era demais,
sem saber se era cedo.
Sabes que o silêncio me fere,
que tua ausência não passa leve
ela pesa como noite sem lua,
como página em branco onde só teu nome caberia.
E agora,
com a faca e o queijo na mão...
tu sabes o que fazer.
09/05/2025
Ainda sinto
Eu ainda sinto, mesmo contra a minha vontade,
Por mais que eu tente não sentir,
A aguda ponta da saudade, que fere e arde.
É como uma lâmina, afiada e inclemente,
Que trespassa meu peito, cortante e dolente.
Por mais que eu clame ao universo, em vão,
Para que te esqueça, para que siga em solidão,
Tu persistes em meus pensamentos, como uma sombra no crepúsculo,
Imutável, inabalável, um nó indissolúvel.
Admito portanto,
é que fundo, eu gostaria que estivesse ao meu lado.
Mas escolheste partir, deixando-me na escuridão,
Mesmo quando supliquei por tua permanência, em vão.
E ainda que eu busque razões para me iludir,
Para crer que sou demais para você, pensar que foste tu a me perder,
A verdade teima em ecoar dentro de mim,
Que é em teus braços que pertenço, enfim.
Por mais que eu me encha de versos de amor-próprio,
Erga muralhas para esconder este vácuo vazio,
A verdade é que meu coração ainda te abriga,
Numa contradição que minha alma fustiga.
Gostaria de arrancar-te de minha alma, desvencilhar,
Mas, no fundo, anseio por tua presença, a sussurrar.
Porém, mesmo nesse impasse, nessa tormenta,
Continuo a caminhar, erguendo a cabeça.
Pois a verdade, por mais dura que seja a ferida,
É que o amor, por vezes, é uma luta indefinida.
Carlos Roque - 01/06/2024
Quem realmente importa
Dedico este poema à pessoa que sempre mereceu minha dedicação, embora eu nunca tenha tido olhos para ela; recentemente, tenho aprendido a amá-la pouco a pouco. Busquei nos outros o que sempre esteve dentro de mim mesmo. Estar só não me traz uma paz profunda, mas me permite encarar face a face quem eu realmente sou. Às vezes, essa solidão me assusta, mas também me concede pensamentos intrigantes. A cada café matinal, valorizo ainda mais minha própria companhia, aquela que negligenciei por tanto tempo. Em cada ida ao cinema, risada e nova experiência, percebo que o amor verdadeiro sempre esteve dentro de mim.
Hoje compreendo que antes de escrever versos para amores externos, deveria ter tecido milhares deles para mim mesmo. Agora sei como apreciar minha própria presença, amar cada detalhe que me compõe. Namorar a si mesmo é uma arte que nos leva a reflexões profundas, nos eleva a um patamar onde nenhum amor externo pode alcançar.
Entendo que este poema não é apenas importante para mim; seria egoísmo guardá-lo só para mim. Por isso, compartilho estas palavras na esperança de que todos que, como eu, priorizaram o amor pelo outro em detrimento de si mesmos, possam ler e começar a se amar um pouco mais. Que estas palavras breves possam inspirar o autoamor e valorizar a companhia daqueles que realmente importam "nos mesmos".
Carlos Roque
28/05/2024
Beleza no sofrimento
Quando a tristeza me envolve, meus versos ganham vida,
Como fiéis companheiros nas sombras da despedida.
Tento, em vão, pintar com palavras a alegria,
Mas é na escuridão que encontro minha poesia.
O papel e a caneta são meu alento na escuridão,
Onde derramo as lágrimas da minha solidão.
Por mais que tente escrever sobre minha própria luz, sobre a felicidade
São os desencontros e amores que me seduz.
Não sei explicar o fascínio pelo sofrimento,
Mas vejo nele uma beleza de profundo sentimento.
Talvez seja porque já olhei tão fundo para o abismo,
Que só sei encontrar nos versos o meu lirismo.
Assim, entre as linhas marcadas pela dor,
Desvendo os segredos do meu próprio ardor.
E mesmo que os sorrisos se percam na tristeza,
Encontro na escrita minha mais sincera proteção.
Carlos Roque - 01/06/2024
o cão
O cão olha dentro dos seus olhos,
Como se ele realmente soubesse quem você é,
Como se ele te conhecesse mais que você mesmo,
O cão olha com pena,
O cão olha com profundidade, e também um pingo de tristeza.
Não por ele mas por você, porque ele sabe que você
Esta magoado com o mundo.
Carlos Henrique Rodrigues Roque 08/01/2021.
quem eu sou?
Quem sou no vazio das noites mais escuras,
De um céu iluminado por estrelas mortas?
O que seria a morte?
Seria a morte algo doloroso?
Bom eu não vejo a morte como algo ruim
Creio eu, que seja algo completamente efêmero!
Como uma estrela cadente que brilha como os olhos da senhora morte
Passando rapidamente pelos céus paulistanos.
As vezes me pego pensando na solidão!
E me pergunto se sou uma pessoa só!
As vezes minha solidão me assusta
Como um bicho papão de baixo da cama,
Mas as vezes consigo encontrar meu verdadeiro eu, diante da solidão
Mesmo que por alguns segundos.
Mas a verdadeira pergunta é!
Quem é o meu eu verdadeiro?
Ainda não consegui responder essa pergunta!
Talvez só irei descobrir,
Quando a estrela cadente sobrevoar sobre meus olhos cansados
E eu desposar sobre uma cama de flores
( Carlos Henrique Rodrigues Roque ) 31/12/2020
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