Lista de Poemas
Bandeira
Uma garça branca, branquinha como enxaguada em anil, brilhava contra o céu azul, pousada no verde e amarelo de uma árvore copada, neste inverno, na beira do canal.
Esmondando
Mulheres matando a beleza madura com Botox
Velhas baratas sendo mortas com Rodox
Quasimodo esmondado em Xerox
Cadê meu travesseiro?
Silêncios
Às vezes, quando já se faz tarde e o silêncio se adona da noite, um apito distante da locomotiva no porto acaba me afetando a memória e eu ouço o trem resfolegando, lá embaixo, em Morato, na década de cinqüenta. Sons de rodas, atrito nos trilhos, dormentes trepidando, a brisa suave e o bufar do baio, pastando o “gordura”.
Sobre a poesia
A poesia irrompe do nada, às vezes de um vulto de ontem ou no sonho de algum dia.
Pode vir no seio da tarde ou do meio da madrugada.
Vem de mansinho e sem tempo, amadurecendo aos pouquinhos sem que se saiba até quando.
Se ela chega de roldão, não tão tem pejo nem respeito e com a sua teimosia desperta o poeta no leito.
Vai, levanta, porque o sono não importa, toma o papel e a caneta, atende, que o verso te bate à porta.
Tarde
O pensamento vagueia, impulsionado pelos acordes de um violão em ensaio solitário.
Tento alcançar alguma memória da menina, hoje senhora, pelos jardins do casarão antigo.
Troco passos vagarosos olhando o mar avante; seguem duas velas brancas enfunadas, mais duas em azul e branco, também prenhes de vento sul.
Não fosse a voz das cordas em lamento e o silêncio seria quase pleno, tendo ao fundo apenas o chilreio dos pardais em festa.
A Sombra da Bandeira
Tua imagem
fugidia,
se esconde,
esguia,
e se esgueira,
como a sombra
da bandeira
em horas
Comentários (1)
carlos gama
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