Lista de Poemas
MICRO INFINITO
Era linda a mulher impossível
De um olhar esmeralda cortante
De uma serenidade insensível
De uma vontade inconstante
Furacão que de fora para dentro
não sabias nada do que me causava
mulher tu me arrebatavas o centro
senhora tu me arrancavas a alma
Sei também que era uma pequena folha
Que tremia ao vento de sua sensatez
Do limite micro do teu infinito
Infelizmente vencia sempre tua lucidez
Precipitei-me em meu fogo abrasado
Lacerei-me em instintos ardentes
Foram sonhos e delírios imprudentes
Uma valsa com um passo inacabado
No cruzar de olhares entrelaçados
As faíscas rajadas saltitaram
Em meus sonhos emoldurados
Ficará a ilusão que se amaram
SENTIDOS
Eu decifro os olhos e os olhares
Eu distingo lépidos sorrisos
Do sentido pérfido das gargalhadas
Entenderei tudo o que pensares
Porque tem sentimentos lisos
Aguça-me essa moça desgovernada
Meu instinto é exato e preciso
Tua retina desandou na luminosidade
sutil baixa de pupilas à olhar o chão
Não esperava meu rosto conciso
Aparecendo no meio da tua verdade
Perdoa se dobro tua pulsação
Feliz eu seria se me dissesses sim
Tranquilamente aceitaria um não
Mas me confunde essa princesa insana
Esperta, não da a chance de botar um fim
Será o que pensa essa Deusa romana?
Talvez um capricho contradizendo esse coração
INSTANTE INEXPLICÁVEL
Adentro aquele salão iluminado
Nada havia de luzes incandescentes
Apenas velas no candelabro, tochas fumegantes
Eis que surge um som semitonado
E como um balsamo penetrante
Invade da flamenca guitarra um dedilhado
Não sabendo se é sonho ou se é miragem
Pensamentos vão tomando vida
Pareço estar bailando em Andaluzia
Apaixono-me deixo-me levar pela viagem
Embriagado em meus braços a prometida
A cigana bailarina cuja face reluzia
O sangue ferve, aflora em mim o meu gene Espanha
E nesse lúdico delírio, vou mergulhando
Ouvindo palmas da Catalunha, rítmicas e cadenciadas
Uma rosa rubra minha mão apanha
Que século estarei navegando?
Intruso ou não, faço parte dessa madrugada
Hipnotizado dentro do olhar da espanhola
Pareceu-me que fosse me tragar do futuro
Seduzido, como homem e a sereia poderosa
Resisto. Vagarosamente volto a mim, obscuro
E da fração de segundo em que dançou as horas
Veio um rastro de batom e também a rosa
UAI
Não era ela a garotinha em meio às outrasQue me olhava enigmática e intriganteQue eu conheci tão docemente pequeninaEntre os sorrisos o mais bonito e cativanteUai, foi com ternura que assim eu concebia rosa do deserto a crescer no meu jardime tal qual a borboleta que começa evoluirAgora senhorita a deslumbrar meu HawaiE por um tempo eu te perdiNada de rastros, que nem bala de festimE que surpresa, muito mais que de repenteFloresce linda, coladinha atrás de mimE nesse tempo houve ternuraO secreto desejo, o sonho ea admiraçãoMas não pude abrir minha armaduraVestígios protegidos sem explicaçãoMas só que a primavera escaldante dos que amamVem como louca um terremoto a tirar todo o meu chãoEntão aceita senhorita o sentimentoQue agora jogo entre seus braços tudo que há em meu coração
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