Lista de Poemas
A menina-satélite
Lábios metálicos,
Olhos dourados,
venda de prata.
Sangue verde
nos dedos molhados.
Na torrente
Das lágrimas de diamante,
Um punhal de terra e água
Atravessando o peito;
Uma labareda azul no ventre
E um farrapo em cada pulso.
Unhas pixeladas, desfazendo um
Malmequer:
Vagueia pela eternidade, sentada
Na ponta de uma lua qualquer.
Olhos dourados,
venda de prata.
Sangue verde
nos dedos molhados.
Na torrente
Das lágrimas de diamante,
Um punhal de terra e água
Atravessando o peito;
Uma labareda azul no ventre
E um farrapo em cada pulso.
Unhas pixeladas, desfazendo um
Malmequer:
Vagueia pela eternidade, sentada
Na ponta de uma lua qualquer.
👁️ 533
Somos flores
Se me tirarem o segundo
É o fim.
Aquela casa velha e esburacada
É a memória amargurada da moleirinha
Que já não cresce entre o musgo;
É o resto de tudo e o vestígio do nada,
Lembrando apenas o suspiro da velhice;
É a nostalgia do cheiro a relva, a fruta,
A canja e talvez a bolo da padeira;
É a reminiscência enevoada do que foi
Família, ou nunca foi;
É o beijo carinhoso dos pais dos meus pais,
Canção de embalar que ecoa da sepultura;
É o desmembramento da realidade de um dia,
Da qual sobra pouco;
É a evidência do nada perante o desabar do mundo,
É a finitude, o breve trilho que percorremos,
O sorriso que é mortiço e passageiro;
É o funeral da terrinha, o enterro do bailarico,
A miséria da filha e da neta, do cão também;
É a última página do livro. Desconcerta...
Nem sabemos como o fechar e abandonar na prateleira,
Às teias.
É a flor que murcha, queixando-se do sol, da chuva, da terra:
De tudo o que a fez florir.
Damos flores e recebemos flores.
Vivos ou mortos, somos flores.
Da terra nascem, na terra caem.
No mundo entram, do mundo saem.
É o fim.
Aquela casa velha e esburacada
É a memória amargurada da moleirinha
Que já não cresce entre o musgo;
É o resto de tudo e o vestígio do nada,
Lembrando apenas o suspiro da velhice;
É a nostalgia do cheiro a relva, a fruta,
A canja e talvez a bolo da padeira;
É a reminiscência enevoada do que foi
Família, ou nunca foi;
É o beijo carinhoso dos pais dos meus pais,
Canção de embalar que ecoa da sepultura;
É o desmembramento da realidade de um dia,
Da qual sobra pouco;
É a evidência do nada perante o desabar do mundo,
É a finitude, o breve trilho que percorremos,
O sorriso que é mortiço e passageiro;
É o funeral da terrinha, o enterro do bailarico,
A miséria da filha e da neta, do cão também;
É a última página do livro. Desconcerta...
Nem sabemos como o fechar e abandonar na prateleira,
Às teias.
É a flor que murcha, queixando-se do sol, da chuva, da terra:
De tudo o que a fez florir.
Damos flores e recebemos flores.
Vivos ou mortos, somos flores.
Da terra nascem, na terra caem.
No mundo entram, do mundo saem.
👁️ 463
Pedra
A criança vê uma pedra,
Mas nunca vê uma pedra:
Vê um império, se a montar em cima de outra;
Vê uma arma, se a lançar com uma fisga;
Vê uma tela, se decidir pintá-la;
Vê um amigo, se a guardar consigo.
O adulto vê uma pedra,
E vê sempre uma pedra - porque é só uma pedra.
E a pedra é um espelho acidental…
Somos o que vemos nas pedras.
Mas nunca vê uma pedra:
Vê um império, se a montar em cima de outra;
Vê uma arma, se a lançar com uma fisga;
Vê uma tela, se decidir pintá-la;
Vê um amigo, se a guardar consigo.
O adulto vê uma pedra,
E vê sempre uma pedra - porque é só uma pedra.
E a pedra é um espelho acidental…
Somos o que vemos nas pedras.
👁️ 232
Giestas
Nós amamos
Coisas raras
Coisas novas
Coisas sobre as quais sabemos pouco
Mas tememos
Coisas raras
Coisas novas
Coisas sobre as quais sabemos pouco
Coisas raras
Coisas novas
Coisas sobre as quais sabemos pouco
Mas tememos
Coisas raras
Coisas novas
Coisas sobre as quais sabemos pouco
👁️ 229
Dog Complex
Quero ter cãezinhos
A latir atrás de mim
A latir atrás de mim
👁️ 234
Des(apegos)
A parte enigmática de perder alguém
É que deixamos de a ver num corpo
E passamos a vê-la em tudo.
A morte devolve
Sem avisar.
É que deixamos de a ver num corpo
E passamos a vê-la em tudo.
A morte devolve
Sem avisar.
👁️ 191
aPecedário
Pintar pássaros
Parece patético,
Porém, potencia
Pinceladas peculiares
Para perpetuar paz.
Profundamente perdida,
Paradoxalmente perspicaz -
Pessoa pede poema, pão, piedade.
Preconceito planetário,
Patriarcado piegas,
Pseudo-pátria,
Pudor, perversão, protótipo:
Patrão. Pai? P*ta!
Pouco, pouco pedagógico,
Planeta paralelo:
Povo pára, pensa, prega,
Pestaneja, precipita, peca;
Paraíso, prejuízo,
Profeta, profeta, profeta…
Pateta.
Premissa prepotente,
Protesto permanente.
Parece patético,
Porém, potencia
Pinceladas peculiares
Para perpetuar paz.
Profundamente perdida,
Paradoxalmente perspicaz -
Pessoa pede poema, pão, piedade.
Preconceito planetário,
Patriarcado piegas,
Pseudo-pátria,
Pudor, perversão, protótipo:
Patrão. Pai? P*ta!
Pouco, pouco pedagógico,
Planeta paralelo:
Povo pára, pensa, prega,
Pestaneja, precipita, peca;
Paraíso, prejuízo,
Profeta, profeta, profeta…
Pateta.
Premissa prepotente,
Protesto permanente.
👁️ 20
Pianista
Eu não toco
O piano
Tem teclas
Avariadas
As melodias
E avarias
Da mente tocam
Piano
Desafinado
O meu polegar
No lugar errado
Não toco
O piano
Dois
Acordes
Cansados
De tocar
Os meus dedos
A suar
Mas eu não
Sei tocar o
Piano
Hoje
Tenho os ouvidos
A apitar
O alarme
Aleija-me
O ritmo
Conhece
um pianista
Que não sou
Eu
Que não toco
O piano
No palco
Não sou
Artista
O piano
Tem teclas
Avariadas
As melodias
E avarias
Da mente tocam
Piano
Desafinado
O meu polegar
No lugar errado
Não toco
O piano
Dois
Acordes
Cansados
De tocar
Os meus dedos
A suar
Mas eu não
Sei tocar o
Piano
Hoje
Tenho os ouvidos
A apitar
O alarme
Aleija-me
O ritmo
Conhece
um pianista
Que não sou
Eu
Que não toco
O piano
No palco
Não sou
Artista
👁️ 74
Nada para sentir
Vivo todos os dias
Para te amar
E amo-te a cada instante
Com saudade
Para que quando partas
Não reste nada para sentir
Para te amar
E amo-te a cada instante
Com saudade
Para que quando partas
Não reste nada para sentir
👁️ 188
Sobre soprar demais
No lugar do coração,
Um balão;
No lugar do cérebro,
Uma agulha.
Das muitas formas de ficar sem ar,
Escolhi soprar.
Um balão;
No lugar do cérebro,
Uma agulha.
Das muitas formas de ficar sem ar,
Escolhi soprar.
👁️ 35
Comentários (1)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
thaisftnl
2020-09-02
Belas poesias, amei!
Português
English
Español