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Formação de professores para atuar na Educação de Jovens e Adultos

Hoje é muito comum encontrar professores formados em algum curso de licenciatura que costumam afirmar não terem adquiridos conhecimentos necessários para atuar com a Educação de Jovens e Adultos, por muitas razões, ou por pouca oferta de disciplinas que abordem o assunto, ou também por falta de interesse próprio. A questão central que será abordada neste tópico é a relevância de uma formação adequada que possibilite ao professor trabalhar com esta modalidade de ensino tão presente em muitas de nossas escolas, já que afinal, é grande o número de pessoas que por inúmeras razões não puderam concluir seus estudos na idade apropriada.
Para contextualizar trazemos um trecho das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos citado por Laffin:
a consideração de diferenças significativas para a constituição de saberes próprios da educação escolar voltada para jovens e adultos. Se cada vez mais se exige da formação docente um preparo que possibilite aos profissionais do magistério uma qualificação multidisciplinar e polivalente, não se pode deixar de assinalar também as exigências específicas e legais para o exercício da docência no que corresponder, dentro da EJA, às etapas da Educação Básica [...] Muitos desses jovens e adultos se encontram por vezes, em faixas etárias próximas às dos docentes. Por isso, os docentes deverão se preparar e se qualificar pra a constituição de projetos pedagógicos que considerem modelos apropriados a essas características e expectativas. (BRASIL, 2000, p. 57 apud LAFFIN, 2013, p. 42).
Assim, vimos a importância de estruturar um planejamento que vise a integração dos alunos, fazendo com que se sintam parte integrante do processo de aprendizagem. Ainda é necessário que o professor esteja preparado para lidar com esses estudantes que na maioria das vezes são trabalhadores, contextualizando suas aulas em cima das atividades diárias dos estudantes. Portanto, a formação para atuar com a EJA deve ser sólida e com ricas experiências durante a vida profissional. 
Em especial para o curso de Licenciatura em Pedagogia, o licenciando deve estar apto a atuar em diversas áreas como nos mostra a Anfope:
o educador deve ser capaz de exercer a docência e tantas outras práticas, que em sua formação acadêmica teve a oportunidade de pesquisar e discutir coletivamente. Neste sentido, são áreas de atuação profissional do Pedagogo: Docência na Educação Infantil, nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (escolarização de crianças, jovens e adultos; Educação Especial; Educação Indígena) e nas disciplinas pedagógicas para a formação de professores; Organização de sistemas, unidades, projetos e experiências escolares e não-escolares; Produção e difusão do conhecimento científico e tecnológico do campo educacional; Áreas emergentes do campo educacional. (ANFOPE, 2002 apud LAFFIN, 2013, p. 45).
Desta forma entende-se que os cursos para a formação de professores precisam oferecer um currículo que valorize todas as possibilidades de atuação, compondo-se de disciplinas específicas que abordem todos os assuntos necessários a boa prática docente. No caso da atuação na EJA, os profissionais devem estar atentos a todos os acontecimentos que rodeiam a vida cotidiana dos alunos, fazendo uma reflexão sobre o seu fazer pedagógico para que ao longo do processo de escolarização destes trabalhadores, o planejamento seja modificado conforme as necessidades apresentadas e o ensino cada vez mais qualificado.
Entendemos também que o sujeito ingressante na EJA é pleno de direitos educacionais e sociais que devem ser respeitados pelos professores, pois estar na escola é direito de todo cidadão. Por isso, a infantilização deste processo deve ser evitada para construir-se um aprendizado valorativo e com significado. Laffin diz que:
A questão da não infantilização se coloca principalmente no sentido de visualizarmos jovens e adultos como sujeitos de direito à educação. Verifico essa concepção de infantilização, no âmbito das políticas públicas e dos encaminhamentos escolares, quando se apresenta a noção de atendimento ao jovem e ao adulto como uma segunda oportunidade de escolarização, ou à escolaridade perdida na idade própria. Essa perspectiva remete a uma concepção de EJA em que a escolarização não é assumida como um direito dos nossos educandos, mas apenas como uma ação temporária de suplência-superar o ‘’que foi perdido na infância’’- baseada no assistencialismo e muitas vezes no voluntariado. (LAFFIN, 2013, p. 155).
Assim sendo, é preciso assumir uma postura educacional para evitar tais concepções acerca da EJA e seus educandos, o que é visto muitas vezes na sociedade que se remete a essa modalidade de ensino como sendo de menor valor do que a escola regular. O professor que assume uma turma de adultos se torna responsável por descontruir a visão muitas vezes preconceituosa que paira sobre a sociedade a respeito da EJA. É fundamental reconhecer os jovens e adultos em seus tempos e percursos de vida, valorizando suas histórias pessoais e fazendo delas, uma oportunidade de aprendizado constante. Escutá-los é imprescindível, afinal são pessoas que ao contrário das crianças e adolescentes que frequentam a escola regularmente, são pessoas adultas ou idosas que possuem uma longa trajetória de vida e que já vivenciaram muitas coisas e por conta das circunstâncias tiveram de abandonar os estudos. Podemos relacionar com a fala de Stecanela:
A EJA, consciente da singularidade dos educandos que a constituem, privilegia a experiência de vida dos jovens e adultos, cujo percurso quase sempre é marcado por inteligentes estratégias construídas a partir dos desafios que marcam a vida desses sujeitos que, mais que alunos, são verdadeiros mestres na arte de ser e de viver. (STECANELA, 2013, p. 55).
Assim sendo, é preciso questioná-los para que se investigue o que esperam do espaço escolar, quais são as expectativas perante o aprender e saber de suas tantas histórias que com certeza farão a diferença para a construção de um aprendizado sólido e rico em experiências significativas.


Referências
BASEGIO, Leandro Jesus. Educação de Jovens e Adultos: reflexões sobre novas práticas pedagógicas. [Livro Eletrônico]. Curitiba: InterSaberes, 2013.
BIELER, Rosangela Berman. Entrevista da "História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil". Revista Sentidos, p. 10-12, Out./Nov. 2004 Disponível em: . Acesso em 11 de novembro de 2016.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 1996. Disponível em: . Acesso em 04 de novembro de 2016.
CURY, Carlos Roberto Jamil. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Parecer n. 11/2000, 2000.
DIAS, Letícia Pereira; PEREHOUSKEI, Nestor Alexandre. A Educação de Jovens e Adultos no Brasil: história e contradições. Revista Unifamma, Maringá, p.29-46, 2012. Disponível em: . Acesso em 11 de novembro de 2016.
GONÇALVES, Rita de Cássia. Educação de Jovens e Adultos e o Mundo do Trabalho. Ijuí: Unijuí, 2012.
LAFFIN, Maria Hermínia Lage Fernandes. A constituição da docência entre professores de escolarização inicial de jovens e adultos. Ijuí: Unijuí, 2013.
LAFFIN, Maria Hermínia Lage Fernandes. Formação Docente para Educação de Jovens e Adultos: sujeitos, diversidade e o mundo do trabalho. Ijuí: Unijuí, 2012.
SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.
SOGLIA, Ioneide Sales; SANTOS, Cleide Selma Pereira dos. Educação de Jovens e Adultos: Expectativas e Dificuldades. Anais da Semana de Pedogogia. Volume 1, Número 1. Jequié, 2012. Disponível em: . Acesso em 26/09/2016. 
STECANELA, Nilda (Org.). Fundamentos da EJA. Caxias do Sul, RS: EDUCS, 2013.
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