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Beija flor

Beija-Flor
E de noite eu fico meio assim ,meio solta , meio bamba, meio planando pelo travesseiro. Já fui de ontem a hoje e de hoje para meu casamento que era lá em dezembro, voltei pros meus 15anos e minhas tragédias amorosas, viajei pelo meu primeiro neto e o último cachorro. Me deixei imaginar e fui me perdendo entre sonho e memoria, foi juntando tudo o que eu queria com tudo o que faltava e no final de tudo que restou, não restou quase nada que já não fosse eu.
O espelho me traindo, mostrando mentiras, faltavam óculos nas pessoas que me olhavam feito louca, mal sabiam elas que esse era só o lado de fora, mas ai ficou tudo ao contrario de repente, e aquele jeito irritante d falar era o meu, eu fui me amargando e esconderam o adoçante.
Só jogavam limões mas limonada precisa de açúcar, e lá fui eu em ruas e avenidas, procurando um tal de doce tão difícil de encontrar. Procurei em parques e estacionamentos, já estava ficando tonta de procurar no lugar errado, ai fui me revirando e desdobrando esse dobrado e ai que tava o fato que ocultava o amargo, era toda essa roupa, esse tanto de carne, e um bando de ossos que escondiam a verdade. Ai fui me adoçando, de dentro pra fora, e indo de pouquinho em pouquinho pedindo pra roubar o mel alheio nas pessoas.
E ai me vi no espelho completamente louca, mas mal sabia eu que isso era só uma metade, como um kiwi tão feio, ou uma melancia, a casca escondia o que tinha dentro da barriga, e mais dentro ainda, lá bem no fundo, no reflexo desse espelho só tinha açúcar.
Foi ai que acordei, desse sonho acordado, o coelho já passou a muito tempo atrasado, e agora já deu a minha hora, hora de levantar e parar de ser egoísta e de guardar tanto açúcar só pra mim. Ele não me faz mal, muito menos diabética, mas ainda tem muito suco ruim por ai pelo mundo. É muito limão escorrendo pela garganta, pela ferida e pelo mar, já tá na hora de concertar esse jeito malfeito de se tomar, tomando em doses curtas, e descendo muito rápido, entontecendo a mente essa tal de uma vida. Estão servindo errado, avisa ao barman, que é pra vim em doses longas e com muito mais açúcar.
Jaja vai amanhecer, tenho que pousar na cama, parar de passear a essa hora por tanta estrada escondida, guardar as minhas armas de canudos e pirulito. A noite já acabou, mas o turno só começa, tem muito estoque ainda no armário. E para os meus guerreiros, só não esqueçam o mapa, da fonte do cristal, nosso tráfico açucarado não pode parar, enquanto houver shots de vida servidos errados vamos lutar.
Agora e sempre, só por um pouquinho mais de açúcar.
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Comentários (1)

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marcburnier
2018-06-11

UM NOTÁVEL TEXTO DE SUA AUTORIA BOA TARDE Li seu texto “BEIJA-FLOR” publicado no site “ESCRITAS.ORG” e gostei bastante de sua forma de se expressar. Você é uma pessoa que sabe o que, e do que está falando. E olhe que esta arte de fazer versos é competência para uns poucos privilegiados. Mesmo sendo agente literário, e prestando serviços para várias editoras, recentemente publiquei alguns de meus escritos em uma antologia produzida pela Editora Palavra é Arte. O sistema que eles utilizam para o edição de livros é algo inédito. Nós autores não gastamos nada com produção da obra. Os exemplares nos são disponibilizados no sistema de venda consignada. Isto quer dizer que se alguns exemplares não forem vendidos, podemos devolvê-los, e estes serão doados a bibliotecas públicas e presídios, inclusive das cidades onde moramos. Como gostei muito da forma como você escreve, pedi permissão à editora para convidar você e mais oito outros autores, para participarem de uma das próximas edições. Se um de seus objetivos quanto à Literatura é ter seus textos publicados em forma de livro impresso, acredito que esta seja uma boa oportunidade. Por isto peço permissão para que façam contato com você e lhe enviem o material referente à publicação. Espero que desta forma, eu esteja retribuindo a sua amizade. Se for dar resposta a esta minha mensagem, gostaria de pedir-lhe que, por gentileza, envie sua resposta para o meu e-mail pessoal que é este: agenteliterarioburnier57@yahoo.com Um abraço fraterno, Marc Burnier