Lista de Poemas

tua imagem... desnudada


recordo a tua imagem espelhada
nas águas límpidas daquele lago.
a nudez de teu corpo era um afago 
naquele espelho    em plena madrugada.

tua pele brilhava    iluminada 
deixando-me perplexo    quase gago. 
perto de ti    bebia    num só trago 
tua imagem de Vénus desnudada...

já mais perto de ti    beijei-te os seios 
e    então senti o calor da tua pele
acariciando o meu cio    sem freios...

sôfrego    fui bebendo todo o mel 
que teu sexo drenava nos anseios 
dum coração faminto e sem cartel.

batista_oliveira (in “trazias no teu corpo a volúpia dos sentidos”
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Buscando

Hoje divaguei pelas pradarias
do sonho, procurando as vãs quimeras
dos momentos das minhas alegrias
e das flores das ternas primaveras.

Tanto vagueei!... Horas e horas, dias
e dias, à procura dessas meras
imagens, mas...oh!, das alegrias
que esperava, só vi imagens feras.

Ah!, louco libertino, que procuras
nos antros lúgubres da noite imensa,
entre imagens e sombras tão obscuras?...

Acaso crês que encontras, nas escuras
quebradas, sonhos teus da juventude?!...
Busca, que encontrarás dores e agruras!
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É de todos

Entre a multidão,
sigo, embrulhado numa luta
que é de todos.
Caminho, em silêncio,
recalcando meu sofrimento
que é de todos.
Sofro, por saber
que outros não sentem minha dor
que é de todos.
Sofro com os homens,
inertes, fingindo alheamento
que é de todos.
Não vou sofrer mais...
Sinto nos homens a traição
que é de todos.
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À integridade de um pássaro morto

Hoje vi na rua

um pássaro morto...

...caído da lua

ou filho do aborto?!...

Corpo semi-nú,

com olhos de sono

ávidos de luz,

penugem de Outono.

Vejam, que tristeza!

Um pássaro intacto

morto de surpresa,

de modo abstracto.

Ah! Morte cruel!

Diz-me: porque tens

passos de papel

e, em silêncio, vens,

com danças da noite,

exibir teu rosto,

com rasgos de açoite

e hálito de mosto?...

Lacera, em silêncio,

detritos de vida,

mas tem consciência...

provoca feridas.

Não vivas oculta

em corpos intactos.

Isso é mero insulto

ao rumo dos factos!...
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êxtase

(Não podia vê-lo extasiado, mirando aquela flor...)
Eih!...
Tu que dormes na corola
dessa flor,
desperta que o néctar
também é veneno, dor.
Não sentes
que teu sangue se evola
entre partículas de éter?...
Tua vida, olhar-sonho,
imerge-te no além...
(esse degredo medonho,
província-de-não-sei-quem.
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Liberdade

Trazias no teu peito uma guitarra

repleta de palavras e silêncios,

nas unhas, uma pauta e o intenso

tilintar de bemóis, em algazarra.

Na tua voz, o canto da cigarra,

correndo melodias em suspenso

sobre a luz e a cor de um rio imenso,

exalando paródia, riso e farra.

Era o dia da tua liberdade.

Trazias a guitarra no teu peito

e, nas cordas, um jeito e a vontade

de mover sustenidos, numa clave

do teu mundo, radiante de saudade,

coração onde só o sonho cabe.

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amo-te assim

amo-te assim

amo-te    assim
em laivos de fome
mulher sem fim
seiva do meu nome. 

amo-te    em força
anjo de candura. 
sou gamo    és corça
somos a ternura. 

amo-te    alor 
dos beijos perdidos
viçosa flor
néctar dos sentidos.

amo-te    aurora
das minhas manhãs 
sumo de amora
rubor de maçãs. 

amo-te    auréola 
de sonhos felizes 
grácil alvéola 
nimbando raízes. 

amo-te    amor 
princípio e fim 
sangue e calor 
por dentro de mim. 

(in:
"trazias no teu corpo a volúpia dos sentidos" editora Poesia Impossível, 2021

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