Lista de Poemas
In(con)victus
I'm the master of my fate, the captain of my soul! - William Ernest Henley
Minh'alma é fragata pelos mares perdida
A deriva, feito mão por pedido estendida.
O meu destino perde a esperança do porvir
E deriva do choro de criança que há de vir.
Às sereias jogam traidores, poetas ao fundo
Nau dos piratas caolhos ao redor do mundo
E se não for por seu meu aquilo que mereço
Prefiro a sepultura sem lápide nem endereço.
Se lamento por ser indigno dos portos além
Nunca nesses lamentos ouso acusar alguém,
Pois se há na terra quem espere pelo meu fim
Esse alguém que espere muitos antes de mim.
Ah, e a minha luta, quanto luto foi meu custo
Que deveras mereço uma estátua ou um busto
E se minhas lágrimas ao porão do barco imunda
Deixo que ratos roam até as carnes da tua bunda.
19/06/2018
Minh'alma é fragata pelos mares perdida
A deriva, feito mão por pedido estendida.
O meu destino perde a esperança do porvir
E deriva do choro de criança que há de vir.
Às sereias jogam traidores, poetas ao fundo
Nau dos piratas caolhos ao redor do mundo
E se não for por seu meu aquilo que mereço
Prefiro a sepultura sem lápide nem endereço.
Se lamento por ser indigno dos portos além
Nunca nesses lamentos ouso acusar alguém,
Pois se há na terra quem espere pelo meu fim
Esse alguém que espere muitos antes de mim.
Ah, e a minha luta, quanto luto foi meu custo
Que deveras mereço uma estátua ou um busto
E se minhas lágrimas ao porão do barco imunda
Deixo que ratos roam até as carnes da tua bunda.
19/06/2018
👁️ 127
Filosofia
E eu a conheço desde os tempos de solteira,
Tão correta e mortal quanto flecha certeira.
Reconheço teu rosto de madame pervertida,
E esqueço casos de uma dama cruel invertida.
Ah, e recordo dos teus pés descalços na grama,
E do cheiro de esterco no lençol da tua cama.
Mas agora que teus olhos fugiram do que é meu
Sinto que ainda há Julieta, mas não um Romeu.
E pelas quintos dos infernos, escutei-te maldita,
Fulminando imperadores com tua aura bendita.
Agora desconheço tuas palavras ditas sem vontade
Trajadas feito putas e recônditas pela tua verdade.
Se antes me cuspias, agora escarras em meu rosto,
Onde andam, malvada, tuas palavras de desgosto?
E eu, que te conheço tão prostituta e tão altiva
Pergunto onde andam tuas fezes e tua voz ativa?
Caminhamos pelas ruas dando alimento a perdidos
E agora o que te sobra é atender inúmeros pedidos.
Na esquina um cientista te chamando por imunda,
E agora é ele quem te come e chama de vagabunda.
Eu a desconheço agora com seu titulo de mestrado,
Camisola de cetim da China, e seu pijama listrado.
Procuro pelas ruas teu cheiro, por teimosia ou sina,
E te encontro louca, com o olhar de uma assassina.
13/02/2018
Tão correta e mortal quanto flecha certeira.
Reconheço teu rosto de madame pervertida,
E esqueço casos de uma dama cruel invertida.
Ah, e recordo dos teus pés descalços na grama,
E do cheiro de esterco no lençol da tua cama.
Mas agora que teus olhos fugiram do que é meu
Sinto que ainda há Julieta, mas não um Romeu.
E pelas quintos dos infernos, escutei-te maldita,
Fulminando imperadores com tua aura bendita.
Agora desconheço tuas palavras ditas sem vontade
Trajadas feito putas e recônditas pela tua verdade.
Se antes me cuspias, agora escarras em meu rosto,
Onde andam, malvada, tuas palavras de desgosto?
E eu, que te conheço tão prostituta e tão altiva
Pergunto onde andam tuas fezes e tua voz ativa?
Caminhamos pelas ruas dando alimento a perdidos
E agora o que te sobra é atender inúmeros pedidos.
Na esquina um cientista te chamando por imunda,
E agora é ele quem te come e chama de vagabunda.
Eu a desconheço agora com seu titulo de mestrado,
Camisola de cetim da China, e seu pijama listrado.
Procuro pelas ruas teu cheiro, por teimosia ou sina,
E te encontro louca, com o olhar de uma assassina.
13/02/2018
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Centopéias Humanas (Uma Analogia Política)
1 -
Um dia falaram de mim que era maldito
E a uma tal hora decretaram-me proscrito
Mas como ser, se não chego aos pés sujos
Do cego glaucomatoso ou dos ditos cujos?
E uma semana antes chamaram-me bosta
Mas a merda é a suculência do que gosta,
E eu que nem aprecio a tal da imundice
Sou obrigado a gostar dessa esquizitice?
Enfiam as caras nos rabos dos parceiros
Feito centopeias humanas sem roteiros
E eu que prefiro enfiar-me numa buceta
Acabo morrendo tísico de tanta punheta?
E na minha boca quero um cu perfumado
Que não sou um maldito poeta deformado
Mas quem diria que eu, na atual cegueira
Possa comer mais merda que a tua sujeira?
2 -
Colam bocas a cus e cagam em bocas imundas
E cagam em outras bocas grudadas às bundas
Comem o que outros defecam e cagam dejetos
E assim continuam não humanos, mas abjetos.
Monstros criados em laboratórios da maldade
Um cientista obcecado pelo poder da vontade
E seguem pela Terra espalhando a sua merda
Transformando o humano em centopéia lerda.
Cagam regras e idéias nas bocas abertas
Que devoram bostas como coisas certas
Ao gosto do estrume se acostuma o paladar
E fazem tudo aquilo que o mestre mandar.
A cabeça da centopéia não come excremento
Porta de entrada para um podre experimento
E a ultima parte atira os seus dejetos nas caras
Daqueles que não compartilham de suas taras.
15/01/2018
Um dia falaram de mim que era maldito
E a uma tal hora decretaram-me proscrito
Mas como ser, se não chego aos pés sujos
Do cego glaucomatoso ou dos ditos cujos?
E uma semana antes chamaram-me bosta
Mas a merda é a suculência do que gosta,
E eu que nem aprecio a tal da imundice
Sou obrigado a gostar dessa esquizitice?
Enfiam as caras nos rabos dos parceiros
Feito centopeias humanas sem roteiros
E eu que prefiro enfiar-me numa buceta
Acabo morrendo tísico de tanta punheta?
E na minha boca quero um cu perfumado
Que não sou um maldito poeta deformado
Mas quem diria que eu, na atual cegueira
Possa comer mais merda que a tua sujeira?
2 -
Colam bocas a cus e cagam em bocas imundas
E cagam em outras bocas grudadas às bundas
Comem o que outros defecam e cagam dejetos
E assim continuam não humanos, mas abjetos.
Monstros criados em laboratórios da maldade
Um cientista obcecado pelo poder da vontade
E seguem pela Terra espalhando a sua merda
Transformando o humano em centopéia lerda.
Cagam regras e idéias nas bocas abertas
Que devoram bostas como coisas certas
Ao gosto do estrume se acostuma o paladar
E fazem tudo aquilo que o mestre mandar.
A cabeça da centopéia não come excremento
Porta de entrada para um podre experimento
E a ultima parte atira os seus dejetos nas caras
Daqueles que não compartilham de suas taras.
15/01/2018
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Inspirados (Poemas Para Cheirar)
Inspirados no Titulo do Livro de Dimitri Brandi, "Baseados - Poemas Para Acender"
Há tanta poesia pairando no ar,
Que sequer a podemos respirar.
E tanta poesia a nos inspirar,
Que mal as podemos respirar.
E tanta que possamos cheirar,
Que mal pagamos por esperar.
E há tanta poesia a nos mirar,
Que nem podemos as acertar.
15/05/2019
Há tanta poesia pairando no ar,
Que sequer a podemos respirar.
E tanta poesia a nos inspirar,
Que mal as podemos respirar.
E tanta que possamos cheirar,
Que mal pagamos por esperar.
E há tanta poesia a nos mirar,
Que nem podemos as acertar.
15/05/2019
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Um Poema Dedicado a Você (Mas Você Não Vai Ler)
Longe da pretensão vaidosa dos poetas sem entendimento,
Eu não espero de ninguém que leia esse meu pensamento,
Como não leram outros tantos que escrevi em cinquenta anos,
Pois enquanto eu morria de dores tolas, tinham outros planos.
E agora, que chego à idade de estar de pijama, jogando dominó,
Com um frasco de soro pendurado no braço e sob olhares de dó,
Não espero que ninguém leia poesia de adolescente de sessenta,
Que achou de ser moleque apenas quando chegou aos cinquenta.
Então, escrevo poema resmungando, apenas para tirar sarro,
Antes que a enfermeira traga o remédio para soltar o catarro,
Ou ainda que mesmo morto me tragam as contas do hospital,
E eu tenha que depender de esmola de uma assistente social.
Então, leitor que não me lê, este poema é a você dedicado,
Por um poeta que já foi um sujeito simples, sem predicado,
Que de sua poesia nunca ganhou um troféu ou premiação
Mas que dela sempre fez sua dúvida, sua crença e oração.
Luiz Carlos Cichetto, Aka Barata, que você não conhece... 24/05/2019
Eu não espero de ninguém que leia esse meu pensamento,
Como não leram outros tantos que escrevi em cinquenta anos,
Pois enquanto eu morria de dores tolas, tinham outros planos.
E agora, que chego à idade de estar de pijama, jogando dominó,
Com um frasco de soro pendurado no braço e sob olhares de dó,
Não espero que ninguém leia poesia de adolescente de sessenta,
Que achou de ser moleque apenas quando chegou aos cinquenta.
Então, escrevo poema resmungando, apenas para tirar sarro,
Antes que a enfermeira traga o remédio para soltar o catarro,
Ou ainda que mesmo morto me tragam as contas do hospital,
E eu tenha que depender de esmola de uma assistente social.
Então, leitor que não me lê, este poema é a você dedicado,
Por um poeta que já foi um sujeito simples, sem predicado,
Que de sua poesia nunca ganhou um troféu ou premiação
Mas que dela sempre fez sua dúvida, sua crença e oração.
Luiz Carlos Cichetto, Aka Barata, que você não conhece... 24/05/2019
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Tercetos Tortos de Primogênitos Mortos
1 -
Eu, que fui abortado antes mesmo da concepção
Neto de José o empreiteiro e de dona Conceição
Um feto eu não seria, mas apenas outra decepção.
Eu, que sofri dores do próprio parto, a dura rendição
Expulso dos seios, das bucetas e casas de prostituição
Sabiam que eu era o espelho de sua própria maldição.
Eu, que fui posto na rua sem nenhuma outra opção
Negado por seis vezes e enforcado sem condenação
Mas estar vivo era minha única forma de sonegação.
2 -
Eu, que fui maior antes de crescer, subi antes de descer
Jogado na rua vencia, mas sabia que não podia vencer
Pois jamais me permitiriam ter o que fazia por merecer.
Eu, que obedecia a tudo o que era proibido de obedecer
E desobedecia à lei dos belos e dos que queriam aparecer
E à margem do mundo, restava-me apenas o desaparecer.
Eu, filho de quem não conhecia, não podia me esquecer
Sabia de muito e nada mais, então, eu poderia conhecer
E assim fui escondido, antes do primeiro dia amanhecer.
3 -
Eu, que diante do tributal fui condenado sem direito
Agora grito que fazer o certo sempre foi o meu defeito
Não aquilo que eu queria, mas que tinha que ser feito.
Eu, que fui jogado às moscas por um inseto imperfeito
Busquei nas lendas meu futuro e no pretérito o perfeito
Sem saber que era preciso antes eleger um bom prefeito.
Eu, que escondido nas entrelinhas de um oculto sujeito
Tracei em linhas tortas o que foi chamado de preconceito
E eu nem sabia o que era a dor de andar nu e insatisfeito.
4 -
Eu, que das trevas fiz a própria luz, e do medo a coragem
Fui despachado na estação sem dinheiro, e nem bagagem
E ainda disseram que minha dor era uma imensa bobagem.
Eu, que dei de comer a porcos, e alimentado com lavagem
Sabia que ninguém é feito por semelhança a uma imagem
E que ninguém é passageiro, mas condutor de sua viagem.
Eu, que do trabalho fiz conduta, condenado por vadiagem
E enquanto minhas cicatrizes cresciam feito tosca tatuagem
O escolhido sorria sem que percebessem sua vagabundagem.
5 -
Eu, que não sou o bem, mas muito menos o mal encarnado
Tenho a energia do vento e a força herdada de um tornado
Encontrei a muita gente perdida, antes de ser abandonado.
Eu, que poderia ser um rei, fui deposto antes de entronado
Usurparam-me a coroa, fazendo-me de demônio condenado
E agora na partilha das almas, resto apenas como o finado.
Eu, que pela natureza pura sou impuro, sofro indignado
Por negação dura, vago pelas ruas por loucura dominado
E ainda cometo minha poesia morrendo de dor alucinado.
6 -
Eu, que sou apenas um predicado sem sujeito
Simples, composto e oculto, é do que sou feito
E nenhuma sentença determina meu conceito.
Eu, que não sou bala, confete, e nem confeito
Um pouco amargo, nada do que seja perfeito
Renego seu afago, nada que possa ser desfeito.
Eu, pretérito preterido do indicativo imperfeito
No travesseiro duro do passado busco o desfeito
Busco nas entrelinhas das frases ser do meu jeito.
7 -
Eu, que fui o meu próprio pai, a imagem e semelhança
Não pareço com ninguém qual ainda tenha lembrança
E sequer tenho olhos claros para ostentar como herança.
Eu, que a doença diverte feito um brinquedo desde criança
Fiz da morte a crença e a porcos dei de comer a esperança
Pisei nas sandálias de Deus e nunca dancei a mesma dança.
Eu, que tive o coração arrancado, empacoto minha mudança
E sem eira e nem beira, apenas o desespero tendo por fiança
Termino do jeito que comecei, como o alvo de uma matança.
8 -
Eu, que nunca fui enxergado feito ao glaucomatoso
E às cegas, sem ser pederasta, fui ser macho culposo
Soube pelas entrelinhas fofoqueiras que era famoso.
Eu, que teria desistido pela doença do mentiroso
Enxerguei às expensas da crente o ódio insidioso
Mas agora sinto que chegou a hora de ser o idoso.
Eu, que com a idade sinto um tumor gangrenoso
Abandono a cidade com o humor do monstruoso
Buscando fugir ao rumor e do meu circulo vicioso.
9 -
Eu, que uma peste fui feito em forma de gente
Soterro meu coração nas sepultura da serpente
E na morte encontro a sanidade de um doente.
Eu, parte homem, parte espírito de um indigente
Nunca encontrei abrigado nas asas de um parente
E agora, encontro na morada o sol independente.
Eu, que sempre fui eu, apenas outro ser diferente
Deixo para trás toda a injustiça, parca e demente
E traço meu destino, seguindo sempre em frente.
12/07/2018
Eu, que fui abortado antes mesmo da concepção
Neto de José o empreiteiro e de dona Conceição
Um feto eu não seria, mas apenas outra decepção.
Eu, que sofri dores do próprio parto, a dura rendição
Expulso dos seios, das bucetas e casas de prostituição
Sabiam que eu era o espelho de sua própria maldição.
Eu, que fui posto na rua sem nenhuma outra opção
Negado por seis vezes e enforcado sem condenação
Mas estar vivo era minha única forma de sonegação.
2 -
Eu, que fui maior antes de crescer, subi antes de descer
Jogado na rua vencia, mas sabia que não podia vencer
Pois jamais me permitiriam ter o que fazia por merecer.
Eu, que obedecia a tudo o que era proibido de obedecer
E desobedecia à lei dos belos e dos que queriam aparecer
E à margem do mundo, restava-me apenas o desaparecer.
Eu, filho de quem não conhecia, não podia me esquecer
Sabia de muito e nada mais, então, eu poderia conhecer
E assim fui escondido, antes do primeiro dia amanhecer.
3 -
Eu, que diante do tributal fui condenado sem direito
Agora grito que fazer o certo sempre foi o meu defeito
Não aquilo que eu queria, mas que tinha que ser feito.
Eu, que fui jogado às moscas por um inseto imperfeito
Busquei nas lendas meu futuro e no pretérito o perfeito
Sem saber que era preciso antes eleger um bom prefeito.
Eu, que escondido nas entrelinhas de um oculto sujeito
Tracei em linhas tortas o que foi chamado de preconceito
E eu nem sabia o que era a dor de andar nu e insatisfeito.
4 -
Eu, que das trevas fiz a própria luz, e do medo a coragem
Fui despachado na estação sem dinheiro, e nem bagagem
E ainda disseram que minha dor era uma imensa bobagem.
Eu, que dei de comer a porcos, e alimentado com lavagem
Sabia que ninguém é feito por semelhança a uma imagem
E que ninguém é passageiro, mas condutor de sua viagem.
Eu, que do trabalho fiz conduta, condenado por vadiagem
E enquanto minhas cicatrizes cresciam feito tosca tatuagem
O escolhido sorria sem que percebessem sua vagabundagem.
5 -
Eu, que não sou o bem, mas muito menos o mal encarnado
Tenho a energia do vento e a força herdada de um tornado
Encontrei a muita gente perdida, antes de ser abandonado.
Eu, que poderia ser um rei, fui deposto antes de entronado
Usurparam-me a coroa, fazendo-me de demônio condenado
E agora na partilha das almas, resto apenas como o finado.
Eu, que pela natureza pura sou impuro, sofro indignado
Por negação dura, vago pelas ruas por loucura dominado
E ainda cometo minha poesia morrendo de dor alucinado.
6 -
Eu, que sou apenas um predicado sem sujeito
Simples, composto e oculto, é do que sou feito
E nenhuma sentença determina meu conceito.
Eu, que não sou bala, confete, e nem confeito
Um pouco amargo, nada do que seja perfeito
Renego seu afago, nada que possa ser desfeito.
Eu, pretérito preterido do indicativo imperfeito
No travesseiro duro do passado busco o desfeito
Busco nas entrelinhas das frases ser do meu jeito.
7 -
Eu, que fui o meu próprio pai, a imagem e semelhança
Não pareço com ninguém qual ainda tenha lembrança
E sequer tenho olhos claros para ostentar como herança.
Eu, que a doença diverte feito um brinquedo desde criança
Fiz da morte a crença e a porcos dei de comer a esperança
Pisei nas sandálias de Deus e nunca dancei a mesma dança.
Eu, que tive o coração arrancado, empacoto minha mudança
E sem eira e nem beira, apenas o desespero tendo por fiança
Termino do jeito que comecei, como o alvo de uma matança.
8 -
Eu, que nunca fui enxergado feito ao glaucomatoso
E às cegas, sem ser pederasta, fui ser macho culposo
Soube pelas entrelinhas fofoqueiras que era famoso.
Eu, que teria desistido pela doença do mentiroso
Enxerguei às expensas da crente o ódio insidioso
Mas agora sinto que chegou a hora de ser o idoso.
Eu, que com a idade sinto um tumor gangrenoso
Abandono a cidade com o humor do monstruoso
Buscando fugir ao rumor e do meu circulo vicioso.
9 -
Eu, que uma peste fui feito em forma de gente
Soterro meu coração nas sepultura da serpente
E na morte encontro a sanidade de um doente.
Eu, parte homem, parte espírito de um indigente
Nunca encontrei abrigado nas asas de um parente
E agora, encontro na morada o sol independente.
Eu, que sempre fui eu, apenas outro ser diferente
Deixo para trás toda a injustiça, parca e demente
E traço meu destino, seguindo sempre em frente.
12/07/2018
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A Lira dos Sessenta Anos
Ah, então o poeta fugiu ontem a noite da escola
E sua mão direita insurgiu fingindo uma esmola
Ah, seria esse o poeta que fingiu ser o mentiroso
Ou seria qualquer pessoa a fingir ser incestuoso?
Ah, e então ele, aquele poeta que tinha verdades
Sucumbiu pelos prados, em procura das vontades
E despencou pelas rochas com alma de prostituta
Ou seria na sua fé, pelo vinho em que transmuta?
Oh, pois então é ele, o poeta que pulou o abismo
E das profundas chamou a todos por seu cinismo
Seria ele, este homem de verve tão maligna e pura
A solfejar palavras contra o véu de uma ditadura?
Oh, e se não há o poeta que possa tatuar no rosto
Que haja o que houver, que imprima seu desgosto
Há rigor no traje do político, e frangos no quintal
Ou seria o rigor da morte, mesmo que seja brutal?
O pasto tem cheiro de merda de vaca, há risco no ar
E eu, arisco feito frango, alguém há de me consolar
Acendo um cigarro, a fumaça sai pela janela da sala
E se há risco de incêndio, quem ainda que me cala?
O poeta foi aquele que a fodeu no meio do mato
Não aquele que foi feito de rato, de gato e sapato
Se não fosse ele as tuas entranhas seriam imundas
E o que seria dele, não fossem outras vagabundas?
Tem tanta poesia dentro dos próximos sessenta anos
Que o poeta deseja rabiscar no caderno seus planos
E se essa lira sem vergonha não terminar sem o fim
O que fará o poeta, longe das asas de corvo carmim?
Há na minha lira palavras sem algum sentimento
E eu as trocaria por tijolos e por sacos de cimento
Pois se não morre o poeta, por seu veneno sem sal
Por que não renascer como a vingança do seu mal?
11/08/2018
E sua mão direita insurgiu fingindo uma esmola
Ah, seria esse o poeta que fingiu ser o mentiroso
Ou seria qualquer pessoa a fingir ser incestuoso?
Ah, e então ele, aquele poeta que tinha verdades
Sucumbiu pelos prados, em procura das vontades
E despencou pelas rochas com alma de prostituta
Ou seria na sua fé, pelo vinho em que transmuta?
Oh, pois então é ele, o poeta que pulou o abismo
E das profundas chamou a todos por seu cinismo
Seria ele, este homem de verve tão maligna e pura
A solfejar palavras contra o véu de uma ditadura?
Oh, e se não há o poeta que possa tatuar no rosto
Que haja o que houver, que imprima seu desgosto
Há rigor no traje do político, e frangos no quintal
Ou seria o rigor da morte, mesmo que seja brutal?
O pasto tem cheiro de merda de vaca, há risco no ar
E eu, arisco feito frango, alguém há de me consolar
Acendo um cigarro, a fumaça sai pela janela da sala
E se há risco de incêndio, quem ainda que me cala?
O poeta foi aquele que a fodeu no meio do mato
Não aquele que foi feito de rato, de gato e sapato
Se não fosse ele as tuas entranhas seriam imundas
E o que seria dele, não fossem outras vagabundas?
Tem tanta poesia dentro dos próximos sessenta anos
Que o poeta deseja rabiscar no caderno seus planos
E se essa lira sem vergonha não terminar sem o fim
O que fará o poeta, longe das asas de corvo carmim?
Há na minha lira palavras sem algum sentimento
E eu as trocaria por tijolos e por sacos de cimento
Pois se não morre o poeta, por seu veneno sem sal
Por que não renascer como a vingança do seu mal?
11/08/2018
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Carta a Neruda (Ou O Padeiro e o Poeta)
"La Poesia no muere pero los Poetas tienen que sobrevivir." - Alejandra Arce D Fenelon
Poetas não são pequenos deuses, assim disse Pablo, poeta maior
E não são, pois não existem nem deuses nem ser humano menor.
Se não julgam deuses os padeiros, também não me julgo poeta
Estamos quites então, queridos deuses, padeiros e velho profeta.
Somos todos, querido Poeta, todos nós trabalhadores
Dos padeiros aos poetas, trabalham até os ditadores.
Afirma ainda o poeta amigo do carteiro, que poeta é o padeiro
E eu que nem conheço direito da farinha e do trigo o paradeiro.
O suor do padeiro é o mesmo da meretriz, do pedreiro, do atleta
Mas todos comem de seu suor, enquanto morre de fome o poeta.
Somos todos nós, caríssimo Poeta, todos nós panificadores
Dos padeiros aos poetas, merecem o pão até os senadores.
Porque tem o poeta que entregar seu pão de graça a brutos
Se todos os trabalhadores do mundo recebem de seus frutos?
E o que falaria um padeiro ao receber o Nobel da Panificação
Decerto que pequeno deus não é ele, mas o mestre da Poesia?
Somos todos, querido vate, todos nós somos transpiradores
Dos carteiros aos poetas, transpiram mesmo os sofredores.
Eu não coloco aos poetas no panteão dos pequenos deuses
Mas naquele onde são enterrados os que morrem duas vezes.
E somos todos, médicas, enterradores de defuntos e parteiras
Seres que merecem por trabalho dinheiro em suas carteiras.
Somos todos, doce Poeta, todos nós merecedores
Dos pedreiros e poetas aos pequenos pecadores.
07/03/2013
Poetas não são pequenos deuses, assim disse Pablo, poeta maior
E não são, pois não existem nem deuses nem ser humano menor.
Se não julgam deuses os padeiros, também não me julgo poeta
Estamos quites então, queridos deuses, padeiros e velho profeta.
Somos todos, querido Poeta, todos nós trabalhadores
Dos padeiros aos poetas, trabalham até os ditadores.
Afirma ainda o poeta amigo do carteiro, que poeta é o padeiro
E eu que nem conheço direito da farinha e do trigo o paradeiro.
O suor do padeiro é o mesmo da meretriz, do pedreiro, do atleta
Mas todos comem de seu suor, enquanto morre de fome o poeta.
Somos todos nós, caríssimo Poeta, todos nós panificadores
Dos padeiros aos poetas, merecem o pão até os senadores.
Porque tem o poeta que entregar seu pão de graça a brutos
Se todos os trabalhadores do mundo recebem de seus frutos?
E o que falaria um padeiro ao receber o Nobel da Panificação
Decerto que pequeno deus não é ele, mas o mestre da Poesia?
Somos todos, querido vate, todos nós somos transpiradores
Dos carteiros aos poetas, transpiram mesmo os sofredores.
Eu não coloco aos poetas no panteão dos pequenos deuses
Mas naquele onde são enterrados os que morrem duas vezes.
E somos todos, médicas, enterradores de defuntos e parteiras
Seres que merecem por trabalho dinheiro em suas carteiras.
Somos todos, doce Poeta, todos nós merecedores
Dos pedreiros e poetas aos pequenos pecadores.
07/03/2013
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A Solidão é Uma Ratazana Cinzenta
Sinto dia a dia crescer a minha penosa solidão
Feito rato de esgoto alimentado por podridão
Diariamente aumenta, engorda e cria gordura
E seus dentes afiados rasgam minha armadura.
A solidão é feito ratos, com carinhas afetuosas
Com seu jeito meigo e garras sujas e perigosas
Roendo meu estômago e expondo meus intestinos
E ainda há gente que acredita em sortes e destinos.
Cresce a desgraçada, maldita ratazana acinzentada
A caminhar pelas madeiras do telhado desorientada
Aos berros tento espantá-la ao seu buraco imundo
Mas a rata pensa que sou apenas pobre vagabundo.
Sinto agora a desalmada a roer o que resta de mim
Uma dor explodindo meu coração, cérebro e o rim
E o roedor maldito não deseja minha morte somente
Roendo o resto de poesia que resta em minha mente.
28/06/2015
Feito rato de esgoto alimentado por podridão
Diariamente aumenta, engorda e cria gordura
E seus dentes afiados rasgam minha armadura.
A solidão é feito ratos, com carinhas afetuosas
Com seu jeito meigo e garras sujas e perigosas
Roendo meu estômago e expondo meus intestinos
E ainda há gente que acredita em sortes e destinos.
Cresce a desgraçada, maldita ratazana acinzentada
A caminhar pelas madeiras do telhado desorientada
Aos berros tento espantá-la ao seu buraco imundo
Mas a rata pensa que sou apenas pobre vagabundo.
Sinto agora a desalmada a roer o que resta de mim
Uma dor explodindo meu coração, cérebro e o rim
E o roedor maldito não deseja minha morte somente
Roendo o resto de poesia que resta em minha mente.
28/06/2015
👁️ 159
Memórias
E fui condenado antes de ser suposto,
Setembro, antes mesmo de ser agosto.
E fui sentenciado antes do julgamento,
Desconto, antes mesmo do pagamento.
E fui preso antes de ser condenado,
Podre, antes mesmo de ser enterrado.
E fui sem nunca ter sido, sem ter ido,
Retorno, sem nunca sequer ter saído.
E fui abortado sem ser fruto de aborto,
Póstumo antes mesmo de estar morto.
E fui, antes de ser nada, aquilo tudo
Calado mesmo, e antes de ser mudo.
10/12/2018
Setembro, antes mesmo de ser agosto.
E fui sentenciado antes do julgamento,
Desconto, antes mesmo do pagamento.
E fui preso antes de ser condenado,
Podre, antes mesmo de ser enterrado.
E fui sem nunca ter sido, sem ter ido,
Retorno, sem nunca sequer ter saído.
E fui abortado sem ser fruto de aborto,
Póstumo antes mesmo de estar morto.
E fui, antes de ser nada, aquilo tudo
Calado mesmo, e antes de ser mudo.
10/12/2018
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Luiz Carlos Cichetto nasceu em 1958, em São Paulo e começou a escrever na adolescência, quando também passou a participar de publicações mimeografadas. Desde então, escreveu mais de 1.000 poemas e milhares de crônicas e ensaios, que resultaram em 24 livros, a maior parte autopublicados, sendo 14 de poesia, uma auto-ficção, um de microcontos e um infantil. Tem ainda , prontos e à espera de publicação, três romances, três novelas curtas e mais de cem contos inéditos. Além da literatura, dedicou-se também às artes gráficas, como pintura e designer, e também a criação de programas em webradio, além de ter criado, há quase dez anos uma editora artesanal, pela qual lançou a maior parte de seus livros, além de títulos de outros autores. Atua também como letrista, e entre suas criações, estão seis musicas e três óperas rock. É casado pela quarta vez e tem dois filhos do primeiro casamento. Atualmente reside na cidade de Araraquara, SP.
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