Lista de Poemas

Tântrico e Tirânico

Feito de palavras
Aqui você poderá ler minhas verdades ?
Degustar da minha escrita?
Na possibilidade que meu verbo oferece
Desfiguro meu estado inicial
Transbordando o que o complexo não pode conter simples.
Sou uma metamorfose poética
Infinitivamente infinito
Metaforicamente
Tântrico e tirânico...
Sou eu o verso
que espera ser extraído
pela Palavra
analisada
e derramado
feito às lágrimas de cera das velas
que choram mantras
para endurecer tuas promessas.



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Sobre loucura e escolha

Passei todas as minhas loucuras a ferro
e pendurei no armário.
Todo dia...
Visto a que me cair melhor.
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sobre blues

Fiz um blues pra te invocar
Consegue me ouvir?
Chamo teu espírito nestas notas cinzas
Que entôo em teu nome
Nas noites febris
de um tempo em que o vermelho
puro fogo nos preenchia.
Quero que venhas
Livre como uma nota
ou um verso
Perdido em pautas
se aproximando
vagarosamente
em segredo
em anexos
em vibrações uníssonas
dissipadas no tempo e no espaço
como uma ausência
distraída
que não se nota
não se sente
sutilmente presa nas pálpebras que ainda tremem
mas já não cantam
Deixa eu ver teus olhos se encherem
do blues que fiz pra te chamar...

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Destino

Nasceu-lhe uma estrela nos olhos.
A noite foi embora e levou junto de si algumas partes doloridas.
A moldura ficou vazia, no dourado, na parede e nas lembranças.
Assim amanhecida, com fome de começos, espalhou seus raios e iluminou-se.
Anunciou-se em nuances singulares.
Sim, era um novo começo
Um novo poema
Um novo dia.
Sem pretensões
Todos sabiam:
Ela brilharia.
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Sobre casas, plátanos e o amor

Meu amor é casa inteira
Aberta
Tudo mora ali
Cada canto
Cantado
Esconde um instrumento afinado para cada ato
Guardo tudo ali
Aconchego e uns recortes
Para não esquecer quem sou
Para não esquecer do sol
Meu amor é casa
Forte
Reparte-se em cômodos
Para abrigar os hóspedes
Tenho endereço certo
Para postar minhas dores
Meus rancores
Meus humores
Meu amor é jardim
Da nostalgia dos plátanos de outono
Da inocência de gerânios que se revelam lindos enquanto caem derramados nas soleiras das janelas
E macio feito grama que nasce sem convite
E perigoso feito um abismo que anuncia o silêncio.
Meu amor é a morada de resquícios
dos versos que não fiz.
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Sem Título nº 2

Toco tua pele e ela recita versos
Teus poros fazem rima para meus dedos
Os olhos permanecem fechados
Fixando nosso instante no tempo
derretendo minhas palavras nas tuas imagens congeladas
Tua pele riscada com meus versos
arabescos dançando livres entre a retidão das tuas linhas
Teu olhos lacrados no meu beijo
ofuscados pela luz que invadia as frestas, quebrando as sombras daquele quarto
Minha boca manchada no teu tom
meu nome escrito em teu lençol.

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Canção para o céu da boca

Eu não sei cantar
Não sei calcular
Não arrisco pretensões exatas
Nem ao menos sei o tempo adequado de cada coisa
Meu humor é tão variável quanto o vento
Onde esconderam minha quietude?
Não sei passar iluminado em ruas escuras
Ser um pouco sombra me faz sentir pertencido à solidez da noite
Aprendi desde cedo a buscar luz em sorrisos
Para iluminar minhas ausências
Minhas carências são desesperadas
E meu desejo é cortante e afiado
Sei respeitar as lágrimas
E depurar minha dor
Descobri que as palavras são perfumadas
Alguém já havia descoberto antes?
Eu modulo a voz para cuspir minhas fúrias
e limpo o céu da minha boca
para guardar estrelas.
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A mão de Deus e a língua do Diabo

Enquanto eu,
inocentemente
seguro a mão de Deus...
O Diabo me lambe os pés!

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Desespero

não tem solução.
meu verso parou em ti...
e todo o vermelho do meu poema
se derramou
clamando
por tua mão.
intercedo feito devoto
pelo milagre
inescrupuloso
que somente tuas mãos
(assim como teus dentes de fera...)

poderão exorcizar de minha carne
do meu espírito este desejo
tão teu
tão azul
com seus tons contraditórios
essa voz que diz que:
" nada é pra já
que o amor não tem pressa"...
...mas quem secará meu desespero
toda noite
quando me fecho
nessas paredes analíticas e cruéis?
me conta, quem?
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Sobre o que sou e o que não fui

Não tenho pertencimentos e jóias raras.
O que não sou
Não fui
Não serei
Não me sei mais e nem menos
Não busco tornar-me o que escrevo.
Eu extravaso nas palavras e enterro poemas para germinar flores e arrepios
- Fotografias são poemas que não nasceram na palavra
- Poesia é a entrelinha da imagem.
O descuido entre o que somos e o que podemos ser.
- Poesia é a escrita pelo ser.
embora nem todo ser entre no poema
Nem todo poema entra no ser
Eu sou poesia
Metafísica da linguagem
A língua lambendo versos.
Transbordando nos poros.
Um contorno de palavras
Voando no papel
Eu sou poesia
E não sei
e mais nada.



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Comentários (6)

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Junior
Junior
2023-03-06

Sou parapelegico. Este poem fez me levantar da cadeira de rodas. Tão mau que tive de o fechar

jacinto leiteno rego
jacinto leiteno rego
2022-01-24

adorei <br />

Peixe da terra
Peixe da terra
2021-04-12

O meu pai agrediu-me após ter-lhe dito que gostava deste site

Gato do ar
Gato do ar
2021-04-12

Parti o ecrã do meu computador com raiva

Aurélio o primeiro da Moldávia
Aurélio o primeiro da Moldávia
2021-04-12

Os infiéis que produziram este pecado serão crucificados e serão obrigados a pedir perdão quando chegarem aos pés de nosso senhor no reino dos céus