Lista de Poemas

Bodas

Neste quarto, sob da noite a penumbra,
Passados os votos, o beijo, o anel,
Nosso desejo, de tão grande, reslumbra,
Ansiando o momento em que te erga o véu,
E contemple a beleza que à alcova alumbra:
O teu corpo, prenúncio de meu céu!

 
O ritmo de nossos corpos inebriados,
Ecoa pelo ar, qual doce olor,
E nós, ardentes, apaixonados,
No ápice do mais lascivo torpor,
Emitimos gemidos censurados,
E, ofegantes, sucumbimos de amor!


Acordamos, os dois, juntos sobre a cama,
Onde eu te fiz mulher e me fizeste homem,
Onde o meu corpo, ainda louco, por ti clama.
Ah! Os teus mistérios me consomem!
A tua boca, esta ânsia inflama!
 … e nossos corpos se comem!
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Meu idílio

Oh! mais pura das vestais,
Musa de meus madrigais!
Bela Vênus, ouve este louvor.
Que entoo a ti, com emoção,
Na genuflexa adoração,
De um pobre pecador.

 
Os lábios,
Rubros, como as pétalas das flores,
Beijando em ânsia e com amores,
Tão divina perdição!
São volúpia dos meus sonhos,
Os dois rubis risonhos,
Que me alegram o coração!

 
Os longos cabelos,
Têm a cor do sol, de raios garbosos,
Perfeita seda, loiros fios olorosos,
Que deslizam por entre os dedos,
Em lento gesto delicado,
A revelar-te o rosto imaculado,
Que cintilava entre os folhedos.

 
Os teus olhos,
Perfeitos astros matizados,
Foram por Deus agraciados,
Com inebriante esplendor,
E olhar a seduzir,
Que em meu peito fez luzir,
Os primórdios deste amor.

Imploro,
Perdoa este humilde adorador,
Que te ama com fervor,
E que, com singela devoção,
Em versos de felicidade,
Que te exaltam a santidade,
Vem pedir-te a salvação!
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E o Tempo Desfolhou

Com lábios mui tenros,
Naqueles áureos tempos,
De venturas infindas,
Teu amor confessaste,
E por Deus me juraste,
Felicidades devindas.

 
Foram anos de loucuras,
Paixão sem desventuras,
Primavera em flor!
Com voluptuosos beijos,
 Incontroláveis desejos,
O apogeu de nosso amor!

 
Mas o tempo, senhor do destino,
Fez-me amargo desatino.
Sorrindo de minha dor,
Levou-me a amada,
A memória inacabada,
A minha rosa em flor.

 
Hoje, a fugir da agonia,
Escravo da nostalgia,
Rogo, por aquele idílio:
Que o tempo usurpador,
Por pena de um sofredor,
Liberte-me de meu martírio!
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