Lasso
Há um momento na Vida
Em que nos vemos por Inteiro
Nus, do peito à chama
E será possível descrever o indizível?
A lágrima na pele que se afrouxa
Renascemos da Natureza
Que nunca deixamos de Ser:
Uma Matéria de Ventre especular,
Instantâneo instante que jamais
Deixou de Gritar ---
é o Agora
Pois ela
A Poesia
Pois é
Ela toda
É o que nos alivia
É o que nos dá Vida
É o sentido, o Seminário, o Adultério
O vestíbulo, o céu, a Limonada
A vassoura
As horas todas
As orações de desespero
Os suspiros da Canção
É
A Poesia é a Musa
Do bordado adjacente
Da virtude virtual
Do vitral
Dos Clerestórios. De todas as vaginas
A poesia é a mais
Gostosa. A Verdadeira Virgem
A unção de um perdão
Toda a Poesia do Mundo
Tem aqui, dentro do meu peito-pai
Toda a liquidez dos momentos
Toda a flacidez da ignorância
Toda a ternura das despedidas
Um poema
Em letras
Em música
Em recitativos, ou em silêncio resguardado
Não importa
Não há diferença, não existe permanência
É Ela
Aquela que me excita, que me esconde
Que me virgula, que me pontua
Toda, completamente despida
Aberta, desavergonhada.
À disposição
Ali, ao meu alcance
Sem permissão, sem inteligência
A POESIA
Deliciosamente disponível
É minha
É tua
Casa, feto, fato, lacuna
Cântico
Poema
Põe
Em minhas mãos
A tua ponta, o teu protesto
A tua próxima encarnação
As nossas mãos
Unidas sob o Sol
Contempla esse milissegundo
Que já gozei
Nesse poema
In
Um coração inflamado dilata o Tempo
E cria frestas de felicidade que significam a quem o alimenta.
Entendo que não-significo
Dolorida, retiro-me,
Indigna serva da Vacuidade
Canto I
Toda a hora vem com algo a menos, embora pense que me livrara do peso morto, muito antes de ter lido a bíblia, ainda jurava que a costela podia dar maçã, se enterrada em areia sob lua cheia. Preguei as vestes que rasgaram na encruzilhada do caminho e voltei pelo mesmo instante do qual fugia. Rica novidade! As aves escrevem o céu com suas asas e o destino dos homens, mas as cabeças longas de pescoços baixos pouco ou nada veem porque os olhos lhes pesam então caminham sempre pra frente, é impossível a eles obscurecer o sol. Jamais margeiam as calçadas como ratos magros e nem entendem as varandas como as suas extensões, a extensão da preguiça de ver a noite.
Haikura (C) de annabarton
Desejo e suplício
Vibra a asa da cigarra
Corta o céu gemidos
Take me
My body lighted
So white, making the move
Soul, take me to the Church!
There I can dance with the silent vitrals
My stone part of fear
The fresch air's mistakes
And my metalical flowers
(inspired in Sergei Polunin "Take me to Church", Hozier Directed by David LaChapelle Choreography by Jade Hale-Christofi)
Minerva Do crânio
Minerva Do crânio
Incendiada a casa de pau-a-pique
No meio das memórias
Minha trajetória se desmancha
Em breve todos seremos
Lembranças
Oração
Jamais me atinja a Verdade Que ela vague Solta nos espaços do silêncio que também desconheço
Que o tempo, invenção astronômica, desapareça nos cristais rústicos de lembranças pueris que recobrem-me o sono
Que eu nunca entenda das proporções e dos limites dos sentimentos
Ainda ingênua, que as duas madrugadas cantem os dois dias
E que minhas profundezas sejam mais superficiais do que as minhas razões
Nunca ninguém permita que me agarre aos desejos Puros
Que meu Coração, ora cativo, desprenda-se dos rumores das multidões
E que as límpidas fontes transbordantes da minha feitura restem úmidas, frescas e matem as sedes colossais do Mundo
Integras-me
Triplas integrais temerizantes Limitadas ao próprio passo
Quem me dera ser começo
Dum infinito de discrepâncias!
Poema n.1 para Corações Amortecidos
A fresta é estreita porque é fresta
E esconde a imensidão do deleite absoluto
Não há razão alguma para não se querer
Por demais sofre-se sem sofrer