Lista de Poemas
O Ciclo da Vida
E às vejo tão contentes
Sem importarem-se com os afazeres e compromissos da vida
Não tem a responsabilidade
Do alimento sobre a mesa
Da roupa nova para o passeio
Do calçado que irão ostentar aos colegas
Aproveitem bem esse períodos meus caros infantes
Pois chegará uma época
Em que terão saudades dessa regalia
Em que terão que tornar-se atores no palco da vida
Terão que atuar no exigente Teatro do Labor
Em que submeterão-se a árduos e complicados trabalhos
Para que assim tenham como manter-se
E poderem subsidiar os largos sorrisos de seus pequenos filhos
Que amanhã irão brincar
E vocês às olharão tão contentes
Pois essas crianças
Que amanhã serão seus filhos
Não se importarão com os afazeres e compromissos da vida
Não terão a responsabilidade do alimento sobre a mesa
Nem da roupa nova para o passeio
Nem do calçado que irão ostentar aos colegas.
Texto de André Veiga (Veiga)
Estranho Cotidiano
Vivo a busca incessante de uma felicidade
Que mesmo estando ao meu lado
Parece tão longe...
Devido a escolhas passadas
Que eu jurava serem corretas e prudentes
E que anularam o meu futuro...
Embora eu tenha tudo em minhas mãos
Me falta a coragem para a concretização
De algo que poderá suprimir a minha dor...
O tempo passa
Segundos minutos horas
Que acabam tornando-se em dias
Meses anos décadas
Enquanto eu permaneço nessa agonia...
Quem será o culpado?
À quem devo culpar?
Devo assumir responsabilidades sobre tal fardo?
Alguém habilita-se a servir-me de esteio?
Para que eu possa imputar-lhe essa culpa...
Ninguém poderá ajudar-me
Ninguém poderá responder-me
Nem mesmo eu
Tao exímio em respostas difíceis
E perito em resolução
De casos embaraçosos...
Há dor inexprímivel
Inefável câncer que corrói o meu sorriso e o meu alento
Não posso expulsar-te assim bruscamente da minha vida
Você cresceu dentro de mim
No terreno fértil do meu recôndito
Fortalecendo-se em minhas entranhas
No meu interior tu te alimentaste e se tornaste gigante...
Confesso que quando todos me deixaram sozinho
Você estava ali presente
Mesmo sendo incômodo
Você foi o meu único amigo...
Ouviu meu grito de dor
Absorveu as minhas lágrimas
Fez delas a água necessária para estancar a sua sede
Transformou o meu cansaço em adubo
Para tornar-se mais vigoroso e graúdo...
O corpo em que habita é prospero
Para que continue a crescer e dê frutos
Você tem direito adquirido
Pelo tempo que habita aqui dentro...
Meu parceiro meu amigo meu confidente
Meu inseparável estímulo
Meu propulsor
Para que eu siga em frente e atinja novos horizontes...
Nao se preocupe
Um dia tu me matarás
Mais te levarei junto comigo
Para a sepultura a qual derem para nós
E assim tambem 'te matarei'...
Será uma troca de favores
E não restará mais outra alternativa a ambos
A não ser trilharmos a eternidade
E desfrutar dos desconhecidos caminhos
Que o além cautelosamente
Está nesse momento reservando para nós.
Texto de André Veiga (Veiga)
Promíscua Humanidade
Que atrevem-se a criticar as ruas sórdidas
Ruas essas que vós mesmos sujastes
Com a podridão dos seus atos inescrupulosos
Até quando dedicaram-se a praticar tais coisas
Infames vermes?
Trogloditas por opção
De mentes mórbidas
E pensamentos caóticos
Há se eu pudesse consertá-los
Faria convosco o que nunca consegui fazer a mim mesmo
Pois sofro dos mesmos males que vos acuso
E por isso peco em incriminá-los com veemência
O que cometemos hoje
É uma punição em forma de herança para os nossos descendentes
E o que mais nos machucará
Será vê-los explanarem em duras palavras
Sinônimos e termos arrojados e pesarosos
Quando se referirem a nós
Como hábito pertinente a nossa raça
Posso declarar que desde agora
Ouço os clamores descontentes de nós mesmos no futuro
Espantados e traumatizados com tais ações
Daqueles que deviam respeitar-nos
Como eles poderiam nos prestar honras caros comparsas
Se não respeitamos a geração deles
E o mundo que construímos para eles
Foi fundamentado em pilares putrefatos
Somente nos restará a dor imensurável
Que nos fará expurgar arrependimentos contínuos
Mais como é inerente a nós
A arte de imputar à outros
As nossas falhas
É bem provável que tenhamos a ousadia
De postergarmos a culpa
Para a próxima geração
Que débil
Iminentemente poderá cometer a insanidade
De acatar tal culpa.
Texto de André Veiga (Veiga)
Comentários (1)
UM NOTÁVEL TEXTO DE SUA AUTORIA Bom dia, Poeta André Veiga Li este seu texto “ESTRANHO COTIDIANO” e gostei bastante de sua forma de se expressar. Você é uma pessoa que sabe o que, e do que está falando. E olhe que esta arte de fazer versos é competência para uns poucos privilegiados. Mesmo sendo agente literário, e prestando serviços para várias editoras, recentemente publiquei alguns de meus escritos em uma antologia produzida pela Editora Palavra é Arte. O sistema que eles utilizam para o edição de livros é algo inédito. Nós autores não gastamos nada com produção da obra. Os exemplares nos são disponibilizados no sistema de venda consignada. Isto quer dizer que se alguns exemplares não forem vendidos, podemos devolvê-los, e estes serão doados a bibliotecas públicas e presídios, inclusive das cidades onde moramos. Como gostei muito da forma como você escreve, pedi permissão à editora para convidar você e mais oito outros autores, para participarem de uma das próximas edições. Se um de seus objetivos quanto à Literatura é ter seus textos publicados em forma de livro impresso, acredito que esta seja uma boa oportunidade. Por isto peço permissão para que façam contato com você e lhe enviem o material referente à publicação. Espero que desta forma, eu esteja retribuindo a sua amizade. Se for dar resposta a esta minha mensagem, gostaria de pedir-lhe que, por gentileza, envie sua resposta para o meu e-mail pessoal que é este: agenteliterarioburnier57@yahoo.com Um abraço fraterno, Marc Burnier
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