Lista de Poemas
UM GESTO APENAS: UMA POESIA INTEIRA
Um piscar de olhos, um abraço ou uma palavra dirigida a Deus são suficientes para o poeta engendrar a poesia e com ela encantar o mundo.
Estes são gestos simples, triviais, entretanto tudo isto é terreno fertilíssimo para aqueles com talento para compor versos.
A poesia é, portanto, em sua essência, um retrato fiel e magistral da vida e dos sentimentos humanos.
E foi exatamente isto que vemos em muitos textos de tantos poetas que publicam neste mágico universo virtual.
Eles nos mostram que sabem observar o universo à sua volta com olhos de poeta, com olhos de quem vê além do que nós simples leitores e apreciadores da poesia somos capazes de fazer.
Anália Maria
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UM GESTO APENAS: UMA POESIA INTEIRA
Um piscar de olhos, um abraço ou uma palavra dirigida a Deus são suficientes para o poeta engendrar a poesia e com ela encantar o mundo.
Estes são gestos simples, triviais, entretanto tudo isto é terreno fertilíssimo para aqueles com talento para compor versos.
A poesia é, portanto, em sua essência, um retrato fiel e magistral da vida e dos sentimentos humanos.
E foi exatamente isto que vemos em muitos textos de tantos poetas que publicam neste mágico universo virtual.
Eles nos mostram que sabem observar o universo à sua volta com olhos de poeta, com olhos de quem vê além do que nós simples leitores e apreciadores da poesia somos capazes de fazer.
Anália Maria
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A MAGIA DAS IMAGENS ESTÁTICAS
Já passava das oito horas da manhã quando a chuva chegou retirando das ruas todos os pedestres desavisados. Todos aqueles que não estiveram atentos às previsões meteorológicas feitas na noite anterior, tal como eu, procuravam, às carreiras, um lugar para se abrigar.
Aí valia tudo: uma banca de revistas, uma marquise, uma lojinha que àquela hora já estivesse aberta. Tentei primeiro uma padaria, entretanto, já cheguei com a casa cheia. Acabei ficando parcialmente na calçada. Lá dentro Ali devia haver mais de trinta pessoas, e por isso mesmo, sequer consegui proteger minha bolsa da chuva que vinha empurrada por fortes rajadas de vento.
Precisava fazer alguma coisa. E alguma coisa num momento e situação como aquelas seria procurar abrigo em outro lugar.
Mas onde?
Como a intensidade da água que descia às bicas, tinha dificuldade até para esticar o pescoço em busca de outro estabelecimento comercial já aberto àquela hora da manhã. Mas mesmo assim arrisquei uma olhada ao longo da calçada. Foi então que vi, a poucos passos de onde eu me encontrava, uma porta de aço sendo aberta.
Logo três pessoas que estavam em minha companhia, e vivendo a mesma situação que eu, correram para lá em busca de proteção.
Quase que instintivamente eu as acompanhei.
Mal adentrei a loja, procurei verificar se meu aparelho de telefone celular havia se molhado. É que na correria para escapar da chuva eu o colocara no bolso traseiro da calça.
Tomei o aparelho nas mãos, dei alguns comandos e logo vi que estava tudo em ordem felizmente. Imediatamente percebi que haviam chegado algumas mensagens durante o período em que eu estivera com ele longe dos olhos.
Cliquei para ver a primeira. Tratava-se do envio, por uma colega de trabalho, de algumas fotos tiradas na noite anterior durante um jantar com amigos. Eram dezenas delas, todas perfeitas e de um colorido sem igual. Provavelmente minha amiga havia utilizado algum novo recurso para conseguir efeitos tão interessantes.
Não pude "checar" as demais fotos, uma vez que outras pessoas também procuravam abrigo naquele lugar. Dei alguns passos para trás abrindo espaço para quem chegava.
Em alguns instantes estava eu já dentro da loja.
Acabei indo parar junto ao balcão, ao lado de um homem já idoso, o qual limpava alguns porta-retratos, expostos numa prateleira.
Corri os olhos pelas paredes e só então percebi que o lugar pertencia por certo a algum antigo fotógrafo. É que em todas as paredes estavam dispostas, de forma aleatória, uma verdadeira coleção de fotos antigas; todas em preto e branco.
A primeira que me chamou a atenção exibia uma das principais praças de minha cidade. Apesar de ser uma imagem de mais de cinquenta anos, não tive qualquer dificuldade para reconhecer o lugar, uma vez que lá estava o inconfundível coreto.
Mais adiante, parede afora, havia outras tantas; de pessoas e de lugares diversos.
Estava eu naquele momento embevecida, curiosa e admirada com pessoas e lugares que o tempo levara para tão longe. Quantas daquelas pessoas que ali estavam seriam parentes distantes ou velhos amigos de meus pais, de meus avós?
Distraída com o mundo antigo diante dos olhos, nem percebi que a chuva lá fora, assim tão rápido quanto chegara, tinha ido embora.
Nem sei ao certo quanto tempo eu ficara observando, mergulhando no tempo, imaginando, imaginando...
Em poucos minutos a loja estava vazia. Todas as pessoas que naquele lugar buscaram refúgio minutos antes tinham saído.
Apenas eu continuava ali, imóvel, como se estivesse aprisionada em algum dos lugares registrados naquelas tantas fotografias.
De repente me deparei com a imagem de uma mulher com um garotinho no colo. Pelos trajes via-se de imediato tratar-se uma imagem registrada há sessenta, setenta anos.
“Quem seriam aquelas pessoas?”, indaguei a mim mesma em voz quase inaudível.
– Eu e minha mãe.
A resposta veio do homem que minutos antes limpava as molduras junto ao balcão.
Olhei de soslaio e o percebi ao meu lado.
Era como se ele adivinhasse o que eu me perguntara quase em pensamento.
Não fiz qualquer comentário ao ouvir tais palavras. Apenas continuei ali, admirada, encantada com a grandeza daquele sublime momento.
Tinha em meu celular o registro de dezenas, centenas de momentos que eu mesma julgara importantes.
Fotografei e fui fotografada milhares de vezes ao longo dos últimos anos, mas fui me encantar de verdade somente com aquela fotografia.
Ali estavam mãe e filho; ali estava o registro do amor pleno.
E não precisou de mais do que uma única foto.
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TEMPO DESTINO E FUTURO
Durante anos a fio vivi meus lentos dias
com meus os olhos e o pensamento
no meu imaginável futuro
e assim levei boa parte da vida tentando alcançar o tempo
que se impunha impiedoso à minha frente.
Quando o alcançava, procurava, com uma pressa quase desumana, deixá-lo para trás.
Queria avançar, caminhar ligeiro, andar a passos largos em busca do desconhecido e tão almejado “lá adiante”.
Mal sabia eu que o meu futuro sempre estivera ali bem perto, no meu dia seguinte, na minha próxima hora...
Nas avenidas pelas quais caminhava, nas próximas esquinas por onde eu sempre viraria em poucos segundos...
E o meu destino, este que sempre acreditei ser uma verdadeira cadeia de inevitáveis acontecimentos, estaria ali bem perto.
Foi então que descobri que ele depende muitas vezes da velocidade que imprimimos aos nossos passos para chegarmos ao futuro.
E que tudo terá seu tempo certo; basta que não fiquemos parados!
O certo é que o futuro vai empurrar o tempo de forma mágica contra nossas próprias existências, criando o nosso próprio destino.
com meus os olhos e o pensamento
no meu imaginável futuro
e assim levei boa parte da vida tentando alcançar o tempo
que se impunha impiedoso à minha frente.
Quando o alcançava, procurava, com uma pressa quase desumana, deixá-lo para trás.
Queria avançar, caminhar ligeiro, andar a passos largos em busca do desconhecido e tão almejado “lá adiante”.
Mal sabia eu que o meu futuro sempre estivera ali bem perto, no meu dia seguinte, na minha próxima hora...
Nas avenidas pelas quais caminhava, nas próximas esquinas por onde eu sempre viraria em poucos segundos...
E o meu destino, este que sempre acreditei ser uma verdadeira cadeia de inevitáveis acontecimentos, estaria ali bem perto.
Foi então que descobri que ele depende muitas vezes da velocidade que imprimimos aos nossos passos para chegarmos ao futuro.
E que tudo terá seu tempo certo; basta que não fiquemos parados!
O certo é que o futuro vai empurrar o tempo de forma mágica contra nossas próprias existências, criando o nosso próprio destino.
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PERDÃO
Perdoe-me por certas palavras
As quais em algumas ocasiões foram ditas
Mas principalmente
Por aquelas que foram mal ditas
Pois as bem ditas vieram em boa hora
E em momentos certos
Pois se referiram às coisas do amor e do coração
Aquelas que mal foram pensadas
Foram por certo expressas
Em momentos de angústia, sofrimento e dor
Perdoe-me,
Mas somente com o tempo
É que percebemos que quanto
Maior é o nosso sofrimento
Maior deverá ser nossa escassez de palavras.
Sejamos, portanto, esfuziantes apenas
quanto tomar conta de nós o contentamento.
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O QUE HÁ ALÉM DA LINHA DO HORIZONTE
Afinal, o que há além do horizonte?
Se lá estiver uma linha infinita e plana
Além dela
Haverá sempre a vastidão de todos os mares
E além dos mares,
outras terras e outras gentes...
Mas, e se houver recortes como nas alturas infindas de Minas?
Simples: muitas outras montanhas virão,
E depois delas, virão outras tantas.
Mas e se fecharmos os olhos?
O que haverá depois da linha do horizonte?
Um mundo inteiro ao nosso dispor, estou certa.
Para mim
Lá estava, inclusive,
a pessoa com quem tanto havia sonhado
E ele veio de braços abertos
e trouxe consigo todo o amor do mundo
E esse amor me fez amar muito mais todas as coisas.
E me fez amar muito mais todas as gentes
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A ESCADA
Encostada na parede à frente de minha casa,
do outro lado da rua
lá esteve uma velha escada de madeira por um longo tempo.
Ia eu para a escola puxada pela mão de minha irmã mais velha.
E para trás ficava a escada que nunca me arvorava pelos seus degraus acima.
Afinal a que haveria para ser visto lá em cima, em seu topo? Da fragilidade da minha pequenez e tamanho físico não me arriscava. – Nem pense nisto menina! – teria advertido mamãe se soubesse de minhas ocultas intensões.
– Quanto mais alto se sobe, maior é a queda! – completaria ela ao fim de seus ensinamentos.
Lá se foram os anos de minha infância e foi a escada destruída pelo tempo e pelo uso.
Mas comigo ficou a imagem das pessoas que dela fizeram uso ao logo do tempo: sempre subindo, subindo... subindo sempre.
Assim também nós fazemos ao longo de nossas existências.
Entretanto, depois de muitos anos de degraus galgados, descobrimos que a dignidade e a coragem que nos levam escada acima, devem ser as mesmas que precisam nos conduzir às vezes, escada abaixo.
Isto porque, lá de cima, do topo da escada, quase sempre perdemos a senso do todo; ficamos alheios aos detalhes do mundo e principalmente das dores e angústias das gentes.
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A EXTENSÃO DO AMOR
O amor,
Este que talvez seja a maior invenção de Deus
Pode-se medir pela longevidade da convivência?
Pela cortesia entre os pares?
Pela camaradagem entre os amantes?
Pela harmoniosa convivência?
A verdade é que a maioria das pessoas vive
ou viveu seus amores de forma linear ao longo de suas vidas
e por isto mesmo não precisou transpor grandes barreiras,
pois grandes percalços jamais lhes foram impostos
Mas talvez o maior de todos os males ou angústias
Aquele que consome lenta e sorrateiramente
Até mesmo os grandes amores
Seja a ausência.
A esta nada escapa.
E diante dela – se prolongada – tudo aos poucos adormece,
ou se despedaça.
A contagem infindável do tempo torna-se martírio
E a ausência, uma dor infinda
como infinita tem sido a régua
que tenho usado para mensurar o amor que tenho por ti.
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O CAMINHO PARA A FELICIDADE
Se um dia me cair
Do céu
Ao colo todas as estrelas
Com as quais
Sonhei desde criança,
Com elas pavimentarei o longo cominho
Que ultrapassará montanhas, cruzará rios, singrará mares e oceanos
E chegará ao longínquo horizonte
Onde estará você, meu sonhado e eterno amor,
De braços e alma abertos para me receber.
E então serei feliz como sempre imaginei que teria o direito de ser.
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TE AMAREI ATÉ O PONTO FINAL
Te amarei até o ponto final...
Esta foi a promessa que lhe fiz, lá se vão sei lá quantos anos;
Mas já faz décadas, tenho certeza
Sei apenas que o texto começou a ser escrito em uma tarde de domingo
E, semelhante à comprida história de Robson Crusoé que não “acabava” mais,
citada no poema “Infância” de Drummond, esta minha história,
espero,
também não terá fim; não por enquanto...
Vai-se arrastando dias afora, semelhante à lentidão das palavras
lançadas manualmente no papel;
Uso vírgulas, exclamações, interrogações
e tantos outros marcadores de cadência, ritmo, entoação
ou pausa da escrita,
entretanto,
jamais usarei, de livre e espontânea vontade, o ponto final...
deixarei que Deus
no futuro, lá adiante, faça isto por mim
Esta foi a promessa que lhe fiz, lá se vão sei lá quantos anos;
Mas já faz décadas, tenho certeza
Sei apenas que o texto começou a ser escrito em uma tarde de domingo
E, semelhante à comprida história de Robson Crusoé que não “acabava” mais,
citada no poema “Infância” de Drummond, esta minha história,
espero,
também não terá fim; não por enquanto...
Vai-se arrastando dias afora, semelhante à lentidão das palavras
lançadas manualmente no papel;
Uso vírgulas, exclamações, interrogações
e tantos outros marcadores de cadência, ritmo, entoação
ou pausa da escrita,
entretanto,
jamais usarei, de livre e espontânea vontade, o ponto final...
deixarei que Deus
no futuro, lá adiante, faça isto por mim
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Comentários (2)
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Wendel Alexandre Xavier
2023-05-17
Olá professora Analia Maria. Você me recrutou para o projeto Poesia na escola ano passado. Estou tentando entrar em contato com você. Pode me enviar um email para que possamos conversar: wendelalexandre@gmail.com ?<br />Um imenso abraço
joaoeuzebio
2020-10-01
IMAGINEI TAMBÉM EM VIAJENS IMAGINARIAS POR CADA PALAVRA DESTE POEMA PARABÉNS ESTÁ LINDO
Desde criança sempre tive um verdadeiro fascínio pela Literatura, mas no que tange à criação neste campo da arte, para mim era algo inimaginável. Aquilo pertencia a uma casta especial de pessoas, a gente que, como os personagens das obras que lia, vivia em mundos distantes, muito além daquele meu pequeno universo.
Mas eis que certa vez, em 1979, me surpreendi com um texto escrito na parede de um restaurante de beira de estrada. O texto era um poema chamado “Oração do Milho”.
Sua autora?
Uma mulher simples como eu mesma, lá dos confins de Goiás. Uma sertaneja chamada Cora Coralina.
Aquele texto durante dias manteve-se em minha mente. Foi então que comecei a buscar informações sobre sua autora, e o que descobri me surpreendeu tanto quanto o que eu havia lido na aspereza daquela parede.
Cora publicou seu primeiro livro somente aos 76 anos, entretanto escreveu desde criança.
Por que demorou tanto?!
Foi impedida de mostrar ao mundo seus textos; primeiro pelo pai, depois pelo próprio marido.
O mundo perdeu muito com isso!
E eu, mesmo sem saber de sua história e sequer de sua monumental obra, acabei seguindo seus passos. Escrevi para mim mesma durante anos a fio, ou então publiquei usando alguns pseudônimos durante algum tempo.
Mas agora acho que é chegado o meu tempo, é chegada a minha hora.
Por isto, eis-me aqui!
(Hoje sou professora de Língua Portuguesa e Literatura (aposentada) e coordenadora do projeto POESIA NA ESCOLA.)
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