Lista de Poemas

Querido Público

Encarecido público
Carente de atenção
E de espetáculo fálido da vida do outro.
Na espreita pra não perder a próxima cena
Do fracasso.
Exigindo respeito ao julgamento posterior.
Querido e enaltecido
Público
Que ao ver sangue nas veste do personagem
Vibra e sorrir
Como quem estava salivando á espera..
Público vizinho,
Amigo,
Que conduz uma farsa
Rejeita verdade
E se embriaga de superioridade.
Público amado de seu ego
Desvia o teu olhar egocêntrico
Do meu palco.
Não me tentes
Ou desejes
Qualquer mal..
Tuas armas eu não tenho
Teu veneno não desejo
Nesse caso reciprocidade
Não cabe não.
Te entrego meu verso
Desconstruido,
Fugindo livremente da estética..
Renunciando toda regra
E se apoderando de verdade.
Ofereço minhas vestes
Sendo elas poesias
Que protegem e regem o meu corpo à vida..
Respeitado público
Seu julgamento é seu.
O que eu posso oferecer,
São letras juntas,
Palavras simples.
Composição de mim.
Se conseguir ler
E reavaliar
Enxergar subjetividade.
Sensibilidade.
Respeitado público!
Vai ver, talvez
Que nem certo
Nem errado
É só um olhar expressado.
Respeitado público
Deixe-me sair.
👁️ 156

Cores Engolidas

Faiscas que iluminam um segundo
Desajustes da tinta com a cor do nada
Nada existe no buraco
Escuro que engole todas as cores...
Engole faminto do tanto que seja
Rejeitado pela maioria dos que respiram.
Sintonia desorganizada em fila
Com o critério inexistente.
Com o mistério impregnado
Na cor engolida.
Com as pinceladas
Grossas, nervosas
Duras
De quem clama ao tempo
E devolve a resposta pra ele
Em tom furta-cor
E traços assimetricos
E formas de tudo
Que cabe em seu mundo:
Iníquo.
Desregrado.
Hibrido.
Dissonante.
Incoerente.
Confuso.
Incompreendido
Por si e por todos.
Fiel.
Efêmero.
Digo por essa desmedida
Doação
Que gera um
Caos,
Sempre inteiro
Nunca completo
👁️ 155

Café Frio

Mais um pouco de café na xícara.
Um lápis rabiscando um papel dando forma ao que parece uma mulher.
Vai completando uma ou outra poesia.
Veste uma blusa. Deita na cama. Fecha os os olhos.
Se perde em seu labirinto.
Inspira. Levanta. Esquece.
Volta. Tenta lembrar.
Ver a xícara pela metade de café frio.
Zanga!
Mas toma o restante e nem cogita em joga-lo fora.
Volta a sua mão para o lápis. Lembra de alguém.
Começa outra poesia. Levanta. Vai ao banheiro.
Retorna ao mesmo lugar.
Termina um texto. Publica uma poesia.
Responde alguém. Deixa de lado o celular.
Volta para o lápis. Escreve.
Esquece o que fez antes disso.
Volta. Lembra do café.
Ver a xícara vazia.
Se espreme pra lembrar. Não consegue.
O café foi tomado.
Mas não se lembra.
Zanga!
Se irrita com esses lapsos de memória.
Pensa em tudo que acontece como nesse evento.
Em quantas vezes se coloca café na xicara.
Espera ele esfriar pra não se machucar.
No meio do tempo se perde em outras atividades, pessoas ou em qualquer coisa.
E esquece do café.
Lembra quando ele já está frio. Intragável .
Toma mesmo que com um gosto ruim.
Se força.
E de novo se perde em qualquer urgência. Esquece.
Por fim não lembra do passo até o café.
Do toque na garrafa. E da xícara percorrendo um caminho até a boca.
Não recorda o sabor, nem o prazer.
👁️ 175

Extravio de todo dia

A tv desligada
O som das pessoas vivendo em suas casas
Os carros em alta velocidade
E os pneus cantando pressa.
O que tem que fazer por aqui
Muita coisa acumulada pra depois
Depois que chega e vira outro depois
Pra amanhã
Se ao menos tivessemos mais horas
Do que as 24 horas que acabam de acabar.
Outro dia.
Correria.
Lamento.
Nostalgia.
Planejamentos.
Se o trabalho do relógio
Tivesse que se adaptar a nós,
Em quantos dias encontrariamos
O dia?
Os passos nossos
Respeitado
Pelo tempo
Que cumpre o seu dever em passar..
Ao fim do dia
Uma nova rotina se repetirá
Servindo pro próximo
Fim..
Servindo ao recomeço
Repetindo os depois..
Esvaindo-se de nós.
👁️ 143

Brisa

Você,
Suave brisa
Que chega apaziguando
O calor eufórico
De dias abafados pela mágoa..

Vem
Desativando
Todo ar fatídico.
E limpando os residuos
De uma alma desacreditada..

Eu
Sinto você
Como brisa.
Que mesmo em meio
A tanta desordem,
Vem e é paz.

Traz vida
E novidade.
E o meu prazer
É te sentir como vento..
Que é o alento
Dos meus dias.

Até mesmo
Na tua fúria.
Faz eu te ouvir,
Te sentir mais forte.
E ai onde tu me mostra a vida.

Depois de te sentir,
Brisa,
A minha alma
Quer estar
Pra sempre fresca.

Longe do calor
Que o passado traz.
Longe do que
Não trouxe paz..
Eu quero estar
Pra sempre sentindo você,
Brisa.

Carol Santana
👁️ 452

Comentários (1)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
miguel_damas
2018-03-27

Apaixonei. Cada palavra uma seta...tamanha vivacidade, o esplendor de cada verso me encanta. Prazer, um beijo português