Escritas

Biografia

Alcião é pseudónimo de António Alberto Gonçalves da Silva. Nascido no Porto em 1950. Engenheiro Eletrotécnico, Mestre em Física e Doutor em Didática. Professor de Física. Autor de livros de divulgação científica e Didática. Instrutor de Tai Chi e Chi Kung.

Lista de Poemas

Total de poemas: 7 Página 1 de 1

Do mar que é este

Do mar que é este

Que mar supor

ao não sentir

de abraço a cor

de um sorrir —

qual pico-pico

sem ter balança

nem sequer bico

ou pulga em França

 
Como solver

rimar por mor

do que dizer

ou rima a pôr —

qual incender

que ela dita

o esconder

da mais bonita

 
De si um fio

de ocaso reste

sem foz de rio

no mar que é este —

qual fio a ser

rio a saber

a mar e ter

de o não ser


De Si De (2021)
👁️ 176

Agoras

AGORAS

em tempos que fui havendo

eu corria contra o tempo

 
e agora

 
vou correndo à frente dele

ele sempre atrás de mim

não sei se fugindo eu dele

se fugindo ele de mim

 
corro eu e corre o tempo

um contra o outro correndo

 
e agora
👁️ 168

À vela cavo

À vela cavo

 
Olhando apenas adentro

ou afora mas só perto

não vejo cantos no mundo

e do tempo nem um quarto

Em afora e no dentro

contendo por ser aberto

O ser fechado circundo

de dentro para fora parto

contando

no tempo do coração batimento

captando

no espaço da razão pensamento

cavando

na força de reação movimento


sentindo o dentro no fundo

ser um avo do lá fora

abrindo cada segundo

em espaço que demora

 
Almejando que desponte

no horizonte

um quarto

um canto

no mundo

Traz-te (2010)
👁️ 168

Iou!

Iou!

Iou – iou – iou

Que maluca garrafa de rum

Iou – iou – iou

E pum e pum e pum

 
Saguís ratos gatos pandas

Bichos destas e outras bandas

Caravanas de cães a ladrar

A passar voar e cantar

E a visão insiste

 
Regurgitou

E de calma em riste

Se endireitou

 
E foi então

A sensação

Vinda em repente

Como a passar

 
Todo um presente

Cru a chamar

 
Venha pois tal presente.

Fixar ideias

Não as deixar voar

Ideias bem cheias

E sem tintas-meias.

 
E não esperar demais:

antes que seja tarde

é tarde demais.

 
Ligou a máquina do tempo

E acordou no futuro

Quando era amanhã

 
Que presente bem passado!

Venha daí só mais um.

Iou – iou – iou

Que maluca garrafa de rum

Iou – iou – iou

E pum!


De Si De (2021)
👁️ 163

Poeta não fingidor

O poeta não é fingidor

E foge tão completamente

Do que apenas finge ser dor

Que sente só a dor que sente


Traz-te (2020)
👁️ 168

SANDAR

SANDAR

Verbo de ir-se em corrente

Como vou?

Vai-se andando, vou sandando…


Sandando (2018)
👁️ 184

A três de muitos escritores

A três de muitos escritores

Em jangada de pedra navegar

Nome de rosa em eco pendular

Mil-quem-deras de leve sustentar

Traz-te (2020)
👁️ 159