Escritas

Lista de Poemas

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UM CORAÇÃO DO TAMANHO DO MUNDO

"Para minha Tia Tata...  que tem o coração do tamanho do mundo!"

Num coração do tamanho do mundo
Cabe tudo e muito mais
Cabe o mundo e ainda cabe mais
Cabe o amor de um segundo e
Cabe um momento eternal

Pois o tamanho do coração
Que é do tamanho do mundo
Tem o tamanho exato para se doar
E a medida exata para enfim amar
E este coração-imensidão
Sempre soube ser um mestre
Desta dificílima lição

Num coração do tamanho do mundo
Cabe o mundo e ainda cabe mais
Cabem as amizades sinceras
Cabem as alegrias de então e
Cabem tristezas de outrora
E ainda sobra muito espaço
Pra um abraço de envolver
Muitos outros corações
Pois pra um coração de tamanho colossal
Fazer coisas deste tipo é muito simples
E etecetera, etecetera e coisa e tal

F oi com um coração gigante
A ssim do tamanho do mundo que ela me amou
T amanho amor foi profundo e
I  nfinito em sua essência que
M aravilhado fiquei com esta tão doce presença
A  mor assim, de tamanho imenso e fecundo
             Só mesmo nasceria, enfim, num coração assim
             Do tamanho deste mundo
             E mesmo sendo assim tão imenso

                                                Tão profundo

             Ainda sobra um cantinho pra mim
             De coração moribundo

             Pois o meu coração não tem
             O tamanho deste mundo,

             Só o dela...
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A SINFONIA DO VENTO ( O vento, a solidão e a música )

Antes
Era o vento que soprava
Seus sussurros em ré maior
Numa canção longínqua.
Por vezes repetidas
Esta canção me dessedentava
Tal como quem buscava o ápice
Desta sinfonia inusitada.

Quisera eu que a música nunca parasse
Quisera eu que as notas musicais matassem
A solidão feroz que ardia em meu peito
Esta loba descabida...
Que buscava entre as rochas 
Sua refeição
De ovelha desgarrada e ferida.

Agora
O vento de outrora me persegue ainda
Como se fosse um velho fantasma camarada
Que insisto em manter trancafiado
Num mausoléu em meu armário.

A música?
... a música ainda toca
Porém em um ritmo desconexo
Sua harmonia inaudita que muito mais me parece
Um solilóquio desentoado.

Mas eu não me abalo!
Preciso ser submisso para sucumbir a este vento indomado
Este vento que insiste em espalhar seus acordes dissonantes
Pelo que ainda me resta em vida.

Depois que a solidão desatracou
Deste cais de vida enfado
Aquilo que arde agora já não é mais importante
Do que o favor de outrora
Nem dos marcos do passado
Já não sou eu quem decido
Nem os meus pés vacilantes
Mas o juiz que dá a sentença
Nesta bendita hora marcante é o mesmo que me absolve
Me encerrando neste instante.

O vento que ontem soprava
É o mesmo que hoje ruge
E na música que ele trás consigo já não me reconheço mais...
Mas não importa porque o que eu precisava
E a muito tempo buscava
Já não faz muita diferença.

Hoje procuro em meus rastros
Tudo aquilo que perdi
Frases presas no limbo impregnado
Em momentos de apnéia enclausurados

Mas tudo bem
Desde que o vento harmonicamente cante
E a solidão em alcatéias já não mais  me encante
Tudo bem
Se as mudanças que gozo ou que sofro
Me sejam ditadas pelo vento 
Meu aliado
Fiel  companheiro
Com quem caminho lado a lado!


direitos reservados ao autor
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EU VEJO HOMENS

Dedicado aos homens e aos homens. 

“Elias era homem sujeito às MESMAS PAIXÕES que nós e, orando, pediu que não chovesse e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto.”
São Tiago 5:17 e 18

Eu vejo homens.

Eu vejo homens que se corromperam
Que corroeram suas próprias consciências
Por quererem um valor que só dura
Enquanto durar sua vitaliciedade
Por quererem um brilho que só dura
Enquanto durar esta realidade.

Eu vejo homens que se perderam
No caminho de suas próprias ambições
Que tropeçaram em sua solicitude
Que caíram sem poder se levantar
No pântano apodrecido de suas putrefatas virtudes.

Eu vejo homens cegos
No clamor de sua voracidade
Glaucomatosos pelo brilho efêmero do poder
Que se renderam ao deus-metal-ouro
E que imolam suas vontades
No altar do sacrifício voluntário
Sem se dar conta que este holocausto
Torpedeia com cem mil megatons
Cadaverizando seu caráter e a sua personalidade.

Eu vejo homens.

Eu vejo homens nus
Desgraçadamente nus
Nômades de um paraíso perdido
Errantes atônitos de seus conseqüentes atos
Onde nem a figueira, nem qualquer eira nem beira
Pôde cobrir suas pudentes vergonhas

Eu vejo homens perfidamente travestidos
Falsificando-se entre farrapos de justiça
Discursando com máscaras decoradas
Suas elegíadas de palavras hipnóticas
Que marcam na carne de sua grei
Suas tatuagens de possessão interminável
Onde cegos guiando outros cegos
Caminham trôpegos lentamente
Rumo ao abissal insondável.

Eu vejo homens
Que se dizem serem donos da liberdade
E a mantêm aprisionada em suas gaiolas de prata
E que negam a outros homens
O direito de voar
Homens intransigentes
Que podam asas indiferentes
E as substituem por balões de gás
Que matam sonhos de homens
Assassinos subjetivos
Impondo cruelmente aos seus semelhantes
O desejo vicário de não poder desejar
Nem de homem poder ser
Nem em homem poder estar.

Eu vejo homens mudos.
Eu vejo homens prisioneiros do silêncio
Altissonantes réus de uma jaula invisível
Situada entre paredes de omissão
Totalmente encurralados pela razão
Sem terem coragem para falar
Vejo a covardia recompensada
Em trinta moedas de prata
Mas também vejo a corda no pescoço
Destes homens-Iscariotes
Que ao dispararem o gatilho
Da roleta-russa dessa sorte
Tem seu destino explodindo pela culatra
Vêem seus intentos esculpidos pelo medo
Vêem suas vidas se escoando
Por entre o vão dos dedos.

Eu vejo homens.

Mas não gostaria de tê-los visto.
Eu vejo um homem.
Mas não gostaria de tê-lo sido.
Eu vejo homens
E vejo neles um espelhado reflexo
Que a todos os homens pertence
Bastando apenas ser homem
Para que esta imagem se manifeste
Todo homem novamente
Perpetua-se em outros homens
O ser homem sem ser símile
Mas ser homem incontinente.

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