13KM Away from you

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Suspiro



Hoje o dia se fez triste, 

E as nuvens concordam,

Pois não choram, mas como eu,

Não se encantam com os lares

E deprimem suas cores,

Cinzas e negras; vastas e infinitas.


Os pássaros piam seus únicos cantos,

E nesta terra, imensa e vazia,

Dos horizontes e penhascos que levam

Às praias, eu escuto os gritos espectrais

Do universo e dos fantasmas.


Em vista, em um prestígio orgulhoso,

De quem em terra de cegos, teve voz,

Fica a mansão de um rico, ou de um pobre,

Isolada nas melancolias de outubro,

Isolada no céu de jatos de água branca.





Eu sei, em minha maneira de ser,

Que algum dia, quando seja a hora,

Uma tarde nascerá feliz,

Mas no dia de hoje, meu caminho é vago,

E eu prefiro que seja assim.


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Poemas

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Suspiro



Hoje o dia se fez triste, 

E as nuvens concordam,

Pois não choram, mas como eu,

Não se encantam com os lares

E deprimem suas cores,

Cinzas e negras; vastas e infinitas.


Os pássaros piam seus únicos cantos,

E nesta terra, imensa e vazia,

Dos horizontes e penhascos que levam

Às praias, eu escuto os gritos espectrais

Do universo e dos fantasmas.


Em vista, em um prestígio orgulhoso,

De quem em terra de cegos, teve voz,

Fica a mansão de um rico, ou de um pobre,

Isolada nas melancolias de outubro,

Isolada no céu de jatos de água branca.





Eu sei, em minha maneira de ser,

Que algum dia, quando seja a hora,

Uma tarde nascerá feliz,

Mas no dia de hoje, meu caminho é vago,

E eu prefiro que seja assim.


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Frontispício

Vexações No. 1 


Coberto em tecidos de lã, fica um peito,

Banhado nas lágrimas e sangue

Daquele que pensa demais, e ainda,

Faz pouco para quem o ama.


E quando a lua chega perto, mesmo se de longe,

Este peito olha para o céu, e corteja as estrelas,

Que não o olham de volta, pois não amam aos 

Covardes e ovelhas.

E mesmo se este fosse, um homem de aço 

De mente de pedra, sentiria na carne um corte profundo

Pois é tal a rejeição.


E quando fosse afogar as mágoas,

Na aguardente, que seja, ou na solidão,

Depois da embriaguez, sentiria na alma

Uma luz de vida, e voltariam mil memórias,

De quem o fez mal, ou o fez feliz:

E sua resposta, a tanta dor seria única,

Derramaria seu pranto, e olharia as estrelas,

Que, mais uma vez, o fariam de tolo.


Vexações No. 2


A paixão, quando apaga qualquer chama,

Que um dia era valor de namorados e seus sonhos,

Deixa morrer um calor, que se antes era a esperança,

Sua ausência o torna um anseio, uma pena de amar.


E quando esta chama, já apagada,

Levanta a fumaça a queimar os olhos,

Se revela um segredo sobre o caráter do amor:

Na riqueza é pragal, porém na morte, que permite

Tudo a ser lindo, é o luto e a mágoa de ser. —


Fotos antigas e sentimentais,

Lágrimas que caem por razão alguma,

A menina da imagem não estava morta.

Estava pior: nos braços de outro.


Será que sua boca ainda é a mesma?

Será que sua voz ainda é sútil?

Pergunte a seu peito, ele sabe a resposta.

Sim, ainda é tudo que você perdeu.

Acalme-se, a frustração um dia há de morrer.


Melancolias No. 1 (Suspiro)


Hoje o dia é triste, 

E as nuvens concordam,

Pois não choram, mas como eu,

Não se encantam com os lares

E deprimem suas cores,

Cinzas e negras; vastas e infinitas.


Os pássaros piam seus únicos cantos,

E nesta terra, imensa e vazia,

Dos horizontes e penhascos que levam

Às praias, eu escuto os gritos espectrais

Do universo e dos fantasmas.


Em vista, em um prestígio orgulhoso,

De quem em terra de cegos, teve voz,

Fica a mansão de um rico, ou de um pobre,

Isolada nas melancolias de outubro,

Isolada no céu de jatos de água branca.


Eu sei, em minha forma de ser,

Que algum dia, quando for a hora,

Uma tarde nascerá feliz,

Mas no dia de hoje, meu caminho é vago,

Sem rumo, largado…

E eu prefiro que seja assim.










Melancolias No. 2


Quem sofreu vivo na pele,

A morte de uma lembrança,

E nela vivia, mil momentos e 

Mil histórias

Lhe garanto, minha palavra,

Que na saúde ou na doença

Lhe permito o meu perdão.


E quando no dia houver o sol,

Ardendo no céu, esquentando os lagos

De parques nostálgicos,

E quando no muro de estilhaços,

Pousar meu bem-te-ví, ansiando o cair

Da tarde, digo-te que

Quando sentir, pelas ruas e portões

O aroma de tortas assadas por vovó,

E ainda, não esboçar um sorriso,

Ou um prazer alegre de ser 

Te devo meu mundo,

Pois esta tristeza, nunca irá ceder.


E então, ao deixar seu pranto livre,

Pelas as esquinas de cidades

Que não merecem melancolia,

Só assim, e em tal cunho, de quem

Deixou demais, queimou demais

Para algum dia ser feliz,

Assinará a sua história

De um pobre infeliz.





Escolas (Frontispício)


Enterrado por olhos do bem,

Fica vagando um desejo sombrio

Nos invernos onde falta a comida.

Seria a maldade presente nos céus?

Ou seria um toque do instinto egoísta,

Que nos faz esquecer os valores morais?


É uma melodia, das quais se tocam nas

Trincheiras em guerra ou nos campos históricos,

E que te prende na mente e te diz o que é

Bom, mesmo quando é mal, e o que é mal,

Quando sabes o que é mal. 

Este desejo primitivo,

Filho de um impulso

De desafiar e ser desafiado. —


Como uma ninfa, que dança nas

Praias e canta sua voz para os mares

Ouvirem, ele te chama, e diz:

Quem és ti, que me oprime,

Mas que dos calabouços, queres me libertar!

Liberte-me, e te trarei um instante de prazer,

Sou eu, teu ódio!



Promessas No. 1 


Perto dos barcos no mar,

Nas cabanas de pesca que

O vento beijou, é lá onde ela está:

Na brisa da costa, cantando a alvorada.


Porém por um momento,

Nem que foi um sonho de amor

Ou a tolice de um apaixonado,

Corri até ela, e ela sorriu.


Contamos histórias,

Meus contos da areia:

Que cada grão foi uma vida,

De doutores ou boêmios.

Porém, como um raio no céu,

Que passa e explode, e depois

Logo vai, lhe dei a um olhar,

E nós dois soubemos,

Era a hora de ir.


Subimos o morro, e a manhã nasceu:

Eram as palmeiras, os coqueiros, e o povo

Que subia a praia. Hoje era mais um de

Nossos dias de Sol.



Promessas No. 2 (Azul)


Os rios do sertão,

Quando a noite é de estrelas,

Chamejam uma luz, azul e serena,

Impossível de explicar.


E os leigos do escuro, aprendizes da

Serra, vão seguindo as pegadas

Dos cavalos e vaqueiros

Que levam a verde relva de Iansã.


Em meu bolso carrego minhas pedras,

Para quem diz saber me guiar,

Ou para quem sabe, pular no rio,

Que me chama e seduz,

Pois da água profunda cristal,

Levantam-se os cantos

Das sereias de flume.


A lua me examina,

E reflete sua luz,

Branca de seda:

Que me torna perfeito,

Como qualquer um que nasceu

Das súplicas de Deus.
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Olhos de espelho

Ontem sonhei que te tinha nos meus braços

E estávamos nas praia, e nos campos, e 

Em todos os lugares.


Acordei quando percebi, que suas falas

Eram as minhas, e você dizia,

Eu te amo, e eu respondia,

Eu te amo.


Não ri de mim, minha namorada

Pois me tortura, mas é alvorada

É linda e boa e triste, e nos meus sonhos

Tem olhos de espelhos.
9

Sagrado




Espelhos que ecoam reflexos

Permitiram-me viver aqui:

Infinitamente vasto em passagens bíblicas.

E em sonhos de pontes vívidas,

Os quais guiam a rios rosas, e deságuam

Espectrais, em mares de nexos, o deleito

Em espuma branca: prazer dos deuses,

Existem praças angelicais, de ladrilhos de céu,

Arabescos de nuvens e fontes de água azul!


-Deixe sua alma descansar ao sol, e os anjos

Velarão por seus olhos, oh minha irmã…

Pois aqui não há mal algum,

Devemos afogar nosso único pranto,

A tristeza de não ser, mas ser ao lado de santos!
11

O petroleiro

Tocou a buzina no mar,

Na vista, o petroleiro

E nós dois nesse barquinho

Só eu e a Sereia.

Botei a mão na água,

É gelada e tive medo,

A costa é longe, 

O remo é curto

Só queria meu pé na areia


Sinto um toque,

Um cutucão

Vejo sua brisa

Vejo sua mão,

Não tem mais tempo,

Tenho que ir, 

Mas ir para onde?

Não há tempo de vir


Sem salvação só resta tentar

A correnteza vai me levar

Estico o braço

Eu bato o pé,

A ponta afiada

Eu vejo a maré

Nos olhos tem sal

Na boca salgado,

No peito tem água 

E lá fora, mais nada

Tentei me livrar, tentei me

Soltar, 

Mas era o mar a me agarrar


Agora profundo,

Um feixe de luz

Um medo no peito

Uma calma na cruz

Tocou a buzina,

Mais uma vez,

Mas no barquinho,

A avidez.


Quem me diria,

Quem vai deixar 

Que entre na água

Os filhos do mar

Deixei-me afogar

Deixei-me levar

Porém é assim 

Que se deve deixar

Nas mãos do destino

Nas ondas do mar.
15

No inverno do caçador



Pôs-se em flocos de água branca,

Qualquer que seja a despedida,

Para o sonho de novelas,

Que cantam e suplicam pela

Volta do anoitecer.

E das montanhas colossais, 

Longe se escuta,

O coro de capelas aterradas,

Fantasiando pela chegada de seus 

Santos congelados.


Os grãos de neve, que se passam

Por areia, deixam que descansem em paz

As almas de cavalos tristes,

Ou inuítes sacerdotes de pinheiros

Invernais.

-Seus olhos grossos me contavam vidas

E seus cascos trêmulos me pediam perdão,

Deixe-me saciar minha fome ou víscera

E banharei estes troncos em sangue! 













20

Sistema

Nossa vida é feita de-engrenagens

E nossos corações são à vapor

E nas ruas, quando passa gente

Repara-se que não somos diferentes

Das formigas ou abelhas.


Mas entende-se também,

Que a dois momentos em que não 

Somos máquinas:


Na infantilidade, quando pulamos

Nas águas do rio, sorrimos

Ao nos molharmos nas chuvas,

E na gentileza-acariciamos os pombos,


E na tristeza, que é libertadora

E permite-a-alma-ao choro.
10

O avião



Em uma alegria de ser,

Em uma leveza de estar, 

Nós dois, fugitivos de casa 

Sentados no barzinho


Eu tento puxar papo, 

Mas ela me para: não precisava.

Ela prefere ficar calada, 

E apreciar os momentos da vida.


-Olhe o avião! 

-Ha, eu vi…
9

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