Nos últimos dias tenho sentido algumas sensações aos quais ainda não tinha me deparado. Sentimentos aos quais não consigo encontrar uma descrição ou palavra, engraçado, outro dia vi uma postagem no Instagram sobre sensações que sentíamos, mas não sabíamos descrever. Agora me pego nessa curiosidade de saber expressar em palavras as contemplações existenciais aos quais venho me deparando.
Entretanto... Esse texto não é para falar sobre qual seria o nome dessa sensação, mas sobre o que ela seria! O “passar efêmero do tempo” é um fato ao qual eu sempre me encontro refletindo, observar as mudanças corriqueiras aos quais o meu pequeno universo passa, ao mesmo tempo, a coexistência que temos com o “universo” de outras pessoas, por qual motivo eu passo na rua e me pego perguntando quem são as pessoas? Por qual motivo eu tenho necessidade de observar seus traços, sua forma de andar, vestir, falar? Por qual motivo me pego pensando em todo o universo, quando aquilo que mais deveria importar seria apenas o meu? Por qual motivo minha mente insiste por ser um montante de situações e não ações? Às vezes creio que essa seja a nova crise dos 30, chegando de forma mais antecipada, em outros momentos imagino que seja apenas minha mente finalmente assumindo o manto de minha própria loucura.
Uma coisa garanto, coexistir comigo é uma tarefa desafiadora, os monstros que habitam minha mente fazem apontamentos aleatórios, colocações que podem amedrontar e desafiam aqueles que comigo convivem a questionar minha sanidade. Fatores que noto me atrapalharem em alguns quesitos, queridos amigos, ao longo dessa existência fatídica tenho vos apresentado poucas conquistas, não tenho muitas emoções as quais comemorar, ou vibrar, minha rotina e existências são pacatas e simplistas o suficiente para não despertar o interesse de muitos. Logo se vê, que apesar disso, tenho o domínio do cativo para aqueles aos quais quero em minha volta, caso não, seria eu mais frustrado e solitário ainda.
Solidão... essa palavra ecoa de uma forma não significativa, ao mesmo tempo, tão acolhedora, a solidão tem sido uma grande companheira ao longo de todos esses anos, não de uma forma dolorosa, sim de uma forma a me proporcionar afago, existem pensamentos e anseios dentro de mim que somente a solidão poderia entender, alguns pensamentos esdrúxulos o suficiente para serem confidencializados apenas para a solidão, sendo ela minha principal confidente, dialogo com todos, oriento aos que me permitem, aconselho os que me procuram, escuto os que de mim precisam, incluo os que desejam, caminho com os que amo, mas desabafo apenas com a solidão...
Entre o ser e se sentir, existe um paralelo amplo! Passei a entender isso da forma mais estranha possível, como sempre, a estranheza é uma extensão da pessoa ao qual o mundo moldou, no caso, eu. Sou uma pessoa carinhosa, porém carente, afetuosa, mas que devido à ausência do mesmo, já não sei como o receber! Gosto de abraços, mas eles, nunca recebo! Gosto de priorizar aqueles que amo, mas não sei dizer se eles fazem o mesmo por mim! Gosto de experienciar a vida, mas por vezes não me sinto preparado para tal, eu posso ser muita coisa, mas não me sinto muita coisa.
Não quero ser dramático e pessimista ao ponto de tornar esse texto algo melancólico e depressivo, sei que em meio a essa sociedade muitas pessoas me amam e de fato se importam comigo, o grande contraste dessa situação está em uma questão especifica, o se sentir algo a margem de tudo aquilo que acontece em minha volta.
Como disse no início, a passagem do tempo é algo ao qual eu sempre me vejo pensando, algo ao qual de alguma forma percebo clareza e sinto com tanta força, é como se minha alma velha entrasse em contraste com o toque do tempo. No silêncio existencial que é minha vida intima, me olho no espelho e toco cada pedaço do meu corpo, cada parte que não gosto, aquelas que gosto, observo como ele mudou refletindo a vivências de vícios e consumos aos quais eu escolhi para ter e como a passagem do tempo não perdoa nada.
No poético comtemplar da minha cidade, observo cada pedaço de terra existente nas ruas, obras, reformas, construções e destruições, o urbano se manifestando em meio a vegetações, a natureza resistindo em meio a urbanização, logo me vem em mente: “como isso ficará amanhã? Será que estarei vivo para saber?”. No prestigioso dialogo com meus amigos, sempre noto suas mudanças rotineiras, suas conquistas frequentes e como cada um deixou de ser algo ontem, para se tornar algo diferente hoje, costumes adaptados, práticas deixadas de lado, vivências esquecidas, casando, tendo filhos e família, sempre indo ou voltando e de alguma forma me fascina percebe-los em constante movimento.
Na intimidade de minha família observo o crescer precoce de meus sobrinhos, o mudar de suas vozes, o delírio amplo do chegar da adolescência e o abandono significativo de suas infâncias, os trejeitos reapropriados de minha irmã, que adquiriu de minha mãe, e com peso em meu peito, acompanho a transição da velhice de meus pais, seus rostos enrugados, seus movimentos que já não são os mesmos de outrora e a certeza que estão cada vez mais próximos de suas passagens.
Em meio a esse colapso de informações, logo vem em mim a docilidade do pensar: “Enquanto a mim?” o que será que me restou em meio a esse multiverso? Nunca vivi um grande amor, não tenho grandes feitos ou conquistas, nunca viajei para lugares extraordinários (não fisicamente) e muito menos alcancei grande descobertas inimagináveis, sempre fui aquele que participava, mas nunca protagonizava, uma sombra, mas não uma ruim, uma que se faz necessária em dias ensolarados. Agora me vem uma provocação, “ESTARIA EU VIVENDO OU CONTEMPLANDO?”, eu almejo um dia passar por tudo que já sonhei um dia, poder prestigiar aquilo que ainda não conheci, experienciar novas coisas, poder falar sobre isso e escrever sobre como foi, mas no momento... nesse exato momento, ainda procuro a palavra para definir essa bendita sensação indescritível dos últimos dias.