Escritas

Lista de Poemas

Total de poemas: 5 Página 1 de 1

Menina-Mulher em Chamas

Menina-Mulher em Chamas

Menina-mulher, mistério, 
Corpo em chama, sedução, 
Boca molhada, devaneio, 
Pele macia, paixão.

Desejos se entrelaçando, 
Abraços em sincronia, 
Amor e paixão exalando, 
Como lobos em melodia.

Teu gosto, doce pecado, 
Sorriso, gozo estampado, 
Amor maior, ato sagrado, 
Corpo vibrando, encantado.

Pele suada, amor no ar, 
Desejo ardente, a queima, 
Corpos em doce lugar, 
Êxtase, a suprema rima.

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Ciranda do Tempo:  Um Romance Eterno

Meus versos, folhas ao vento, 
Outono em tarde de luz, 
Caem no chão, num lamento,
Mas guardam o que seduz.

O tempo, ilusão que voa, 
Nós, viajantes do amor, 
Busco em mim, feito proa, 
Memórias de um beija-flor.

O tempo não anda, não corre, 
Mas nós, em eterno vai-vem, 
Por estradas que decorrem, 
Amores que o tempo detém.

Sem pressa, o amor saboreio, 
Em cada doce momento, 
Do tempo, fujo do freio, 
No amor, meu firmamento.

A ciranda do tempo gira, 
Em novas e belas paragens, 
O amor, farol que me inspira, 
Em rotas de novas miragens.

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Sonho Misterioso Um Alerta do Além!?

No verão de dois mil e dezesseis, um sonho me invadiu, 
Com um alerta estranho, que a mente confundiu. 
"Máuuua", a palavra ecoava, um som enigmático, 
Numa casa na colina, um cenário fantástico.

Com minha esposa ao lado, a visão se revelava, 
Objetos voadores, a paz ameaçava. 
Discos escuros, com bicos pontiagudos, 
Em direção a ela, num ataque agudo.

Corri para defendê-la, num impulso veloz, 
E a voz me alertava, num sussurro atroz. 
"Máuuua", o som persistia, um eco no ar, 
Um aviso do além, difícil de decifrar.

Ao despertar, a dúvida me consumia, 
Seria um sonho, um alerta, ou pura agonia? 
Os ninjas, com suas estrelas, não se encaixavam, 
Na forma dos objetos, que no sonho voavam.

A amiga sensitiva, a resposta revelou, 
"Mau ar", a palavra oculta, que o sonho mostrou. 
Uma dimensão aberta, a outros mundos ligada, 
Onde mensagens sutis, são sempre enviadas.

Um aviso do além, num sussurro profundo, 
Numa sintonia fina, que abala o mundo. 
Um alerta, um sonho, um aviso velado, 
No cordel da vida, um mistério traçado.

 

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Eu e o Presidente Jânio

Na infância singela, que tempo bom, 
Vivi momentos que ecoam no tom, 
Recordações que a alma consomem, 
E a emoção forte sempre me come.

De 1960, a lembrança me traz, 
Jânio Quadros na cidade, que audaz! 
Campo Belo, Minas, o chão natal, 
Um dia histórico, sem igual.

A "vassourinha" era o seu guiar, 
A "bandalheira" ele ia varrer, 
O jingle na rua, a vibrar, 
O povo cansado de tanto sofrer.

"Varre, varre, varre, varre vassourinha, 
Varre, varre a bandalheira, 
Que o povo já 'tá cansado, 
De sofrer dessa maneira!"

"Jânio Quadros é a esperança, 
Desse povo que a dor alcança!" 
"Homem do tostão contra o milhão", 
Dizia o povo com emoção.

Cartazes com Jânio, por todo lugar, 
A vassourinha eu gostava de ostentar, 
Com nove anos, já a escutar, 
Meu avô a política a debater.

Com amigos fazendeiros, a prosa corria, 
Tempo de Vargas, a alma sentia, 
O corte do café, que agonia, 
Meu avô revoltado, noite e dia.

Tio Cristiano, na política metido, 
Vereador outrora, bem conhecido, 
Rivalidades, um nó apertado, 
A UDN, partido afamado.

Reuniões no sobrado, a fervilhar, 
Com seus aliados, a conversar, 
A UDN sempre a se falar, 
Discussões acaloradas a se dar.

Ao me ver passar, na calçada a brincar, 
Deixava o grupo, vinha me abraçar, 
Tio Cristiano, um gesto a marcar, 
Em minha memória a se gravar.

Tios-avós falavam com fervor, 
Jânio seria o novo condutor, 
Presidente do nosso Brasil, com louvor, 
Trazia esperança, um novo amor.

A notícia chegou, qual forte vendaval, 
Jânio na cidade, era real! 
Carreata rumo ao campo de aviação, afinal, 
Ver o futuro presidente, um ideal.

Santana do Jacaré, o lugar então, 
Doze quilômetros, na recordação, 
Terra do tio Cristiano, meu coração, 
Lugar de encontros, com emoção.

Na casa da bisa, sempre a escutar, 
Os preparativos a se desenrolar, 
A carreata no dia a chegar, 
Eu queria ir junto, sem pestanejar.

"Lógico que pode, Adauto querido!" 
Tia Arlete falou, meu sonho florido, 
Ver Jânio no céu, um acontecido, 
No campo de aviação, ser recebido.

Tios com seus Ford 29, "furreca" a rodar, 
Em fila indiana, a poeira a levantar, 
Debaixo do ipê, gostava de ficar, 
O carro parado, a natureza a pintar.

As flores, os galhos, o céu sem igual, 
No vidro da "furreca", um visual, 
Cenário de filme, um mundo astral, 
Lembranças da infância, sem final.

Mas voltando à estrada, poeira no ar, 
O céu azul, o avião a cruzar, 
As cores da pátria, a nos guiar, 
Verde e amarelo, a esperança a brilhar.

No campo de aviação, o bimotor, 
Na pista de terra, com grande furor, 
A poeira subiu, qual branco vapor, 
Trazendo o futuro, o novo condutor.

Os carros iguais, em pronta formação, 
De volta à cidade, com grande emoção, 
Ao Hotel Maracanã, a direção, 
Onde Jânio teria sua estação.

O hotel dos meus tios, que feliz sorte, 
A comitiva segui, forte e sem corte, 
No saguão, com o ilustre, um suporte, 
Acompanhando tudo, sem ser um coorte.

Anos depois, o tempo a correr, 
Em oitenta e cinco, volto a o ver, 
Candidato em São Paulo, pra prefeito ser, 
Jânio Quadros, podia crer!

Com Gutierres, amigo leal, 
No diretório do PDB, em local tal, 
Em Itaquera, um encontro formal, 
Com Jânio, lembranças do dia tal.

Disse que lembrava da visita, sim, 
Da campanha antiga, do meu confim, 
Da cidade mineira, jardim sem par, 
Há trinta e cinco anos, a recordar.

Na conversa amena, sem cerimônia, 
Do bolso da camisa, que ironia, 
Um maço de cigarro, a garantia, 
"Vou pegar um seu!", ele dizia.

Um cigarro comum, de marca barata, 
Senti um instante, alma aflita e ingrata, 
Mas Jânio não ligou, sem ser birrata, 
Seguimos falando, em franca barata.

De educação, cultura, a necessidade, 
De apoio à campanha, com lealdade, 
Fotos tiramos, com felicidade, 
Na Zona Leste, sua atividade.

Depois prefeito, os encontros a se dar, 
Com Jânio Quadros, pude participar, 
No MRP, com Paulo Zing a comandar, 
Reuniões eruditas, a se encontrar.

Falavam de grupos comunistas, então, 
No Brasil dos oitenta, sem perdão, 
De combatê-los, com forte razão, 
Discursos bizarros, sem hesitação.

Moacyr Franco, na comitiva a estar, 
Outros fiéis, a sempre acompanhar, 
O ex-presidente, a liderar, 
Momentos marcantes, a recordar.

Honrado me sinto, por ter vivido, 
Instantes com Jânio, tão destemido, 
Guardo um bilhete, bem protegido, 
Sua marca registrada, um sentido.

Assim recordo, com grande prazer, 
"Eu conheci Jânio, podeis crer!" 
Essa história em cordel, agora se lê, 
De um tempo de infância, que não se desfaz, né?

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Uma Crônica da Despedida

Uma Crônica da Despedida , uma janela para a vida e a  morte.

A tela do celular

Os dedos deslizavam pela tela fria, teclando palavras que tentavam preencher o vazio da distância. Em cada mensagem, um pedacinho da alma se desprendia, voando pelo ciberespaço para encontrar eco em outro coração. Era assim que Alessandra e seu pai, Adauto, se comunicavam nos últimos dias de sua mãe.

As mensagens, curtas e objetivas, como um telegrama moderno, traziam notícias da saúde da avó, da rotina familiar, da vida que insistia em seguir seu curso, mesmo diante da iminência da perda. A cada nova notificação, Alessandra sentia um aperto no peito. As palavras, tão simples e cotidianas, carregavam consigo o peso da finitude, a consciência de que o tempo era curto e que cada segundo deveria ser valorizado.

A doença da avó, a partida da tia, a volta ao hospital... Os acontecimentos se sucediam rapidamente, como folhas caindo de uma árvore no outono. A cada nova mensagem, uma nova folha se soltava da árvore da vida, revelando a fragilidade da existência.

Mas, mesmo em meio à dor e à incerteza, a vida continuava. A filha, com sua alegria juvenil, enviava fotos de momentos felizes, tentando trazer um raio de sol para a vida do pai. E ele, por sua vez, respondia com palavras de carinho e esperança, buscando forças para enfrentar a tempestade.

A tela do celular, que antes era apenas um meio de comunicação, tornou-se uma espécie de diário íntimo, um registro dos últimos momentos de uma família em transição. Nela, estavam inscritas as alegrias, as tristezas, as dúvidas e as certezas que acompanham a vida e a morte.

Ao final, as mensagens se tornaram um testemunho silencioso da força do amor familiar, capaz de transcender a dor e a distância, e de nos conectar com aqueles que amamos, mesmo quando estão longe ou quando se foram.

Reflexão:

Essa crônica busca transformar as mensagens trocadas entre pai e filha em uma narrativa que transcenda a simples comunicação digital. Ao explorar os sentimentos e as emoções implícitos nas mensagens, busca-se criar uma atmosfera de intimidade e profundidade, revelando a complexidade das relações humanas e a fragilidade da vida.

 

Obs.: Material retirado de diálogos dos dias 02/03/2015 a 25/06/2015.

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