choram flautas nos meus ouvidos...

e sempre nos meus olhos a noite causa
sombra, uma longa sombra amortecida
olhos de pintura já esvaída
onde coube tanta solidão
lágrimas p'lo caminho
derramadas p'lo chão
tanta rosa, tanto espinho,
já meu sonho se quebrou
já meu sangue agonizou
nada que invejar em mim,
nem meus olhos verde azeitona
nem meu pálido rosto de jasmim
tudo chegou ao fim da maratona.

choram flautas aos meus ouvidos
choro, não sei, porque me domina
a saudade... de tantos anos vividos!
deixando-me a lembrança da menina
que no coração arde...
já não me conhece ninguém
um rumor frio assola-me o peito,
só as lembranças o coração retém.

abro a porta à noite, calma e suave
sempre o sonho me chama
e um frenesim de esperança
no coração cabe, e sempre
uma alegria infantil de quem
a vida ama.

natália nuno
rosafogo
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