Missa

Rezeis essa missa pros desavisados.
Ecoeis esse culto aos que nos pensam enfadonhos,
Sua santidade adentrou o santuário, e arranco suas roupas,
Antes mesmo de tirar os sapatos.

O pudor desses dois santos, que vós o destruais,
Entregai os restos dessa moralidade patética aos que não sabem,
Como é ser comunhão plena de um momento puro.

Deturpa-me minhas crenças!
Despi-me, machuca-me, rasga-me!
Entrega-me esse corpo pra ser meu,
Sou teu cárcere e escravo.

Ministremos esse rito santo,
Do teu corpo desnudo, suado e derretido em rio sobre o meu.
Ao qual, nada a mim é proibido, e a ti nada fora de alcance.
Oremos em comunhão, mais um gemido solto.

Mais uma gota de suor, mais um odor pervertido,
Mais um grito abafado no travesseiro,
Mais uma golfada de ar desesperada, ao que nos invadimos,
Deixa esse pudor pra que não entende.

Nos lençóis desarrumados treme na minha mão.
Goza esse momento na minha boca, me deixa teu cheiro,
E pinta a tela mais bonita que já criamos.

Depois de tanto tempo te esperando,
Deixa esse equívoco de impureza se lavar num beijo.
Nada é errado, quando meu corpo rui sobre o teu.
                                                 - Gotejar
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