O porque de ser assim
Terei de aceitar
A vida e a morte
Em meu dia mais miserável
Entregar-me a sorte
Pois ao menos posso queixarme
Meu lamento incoerente
Entendem por charme
Pois vos digo
Minha fome não é de carne
Minha dor não é braço
É saudade do calor
De gente de verdade
Da vida que ardeu certa tarde
Sairei eu desse inverno gélido?
Não sei, sei apenas que
Não é preciso morrer
Para conhecer o inferno.
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