O Inacabado Projeto de Jacy
Renato Franklyn
Não se precisava ler o jornal, pois todos já sabiam do ocorrido de tão corrido que foi o boato. Nada aquietava os olhares agudos que a vizinhança lançava, ora com sua piedade, como se de alto escalão ocupassem o céu, ora com suas verdades, como se espalhassem novamente as mentiras de Jesus Cristo.
De verdade era a dúvida de Jacy. Não conseguia acalentar seus desejos, já não tinha perturbações com a morte da sua infância. Seu corpo obedecia às regras da vontade, mesmo que fétidas. Aliás, a podridão das suas volições era o que movia seu prazer, o que deixava suas coxas úmidas, suas canelas bambas e seus pés se contorcendo. À medida em que a sua incerteza aumentava, seus dedos estalavam mais, e suas canelas ficavam mais fracas, e suas coxas mais embebidas.
Tornou-se mulher por arbitrariedade. Decidiu no uni-duni-tê, porque não tinha tempo pra mais indecisão... Ela precisava amar. Se armou de todas as formas: brincos argola, pulseiras doiradas, batom vermelho carnal, lápis de olho e só; ela não sabia como fazer o resto, não tinha aprendido ainda.
Na madrugada das 22h, Jacy decide não ter mais dúvidas. Afinal de contas, quem poderia usurpá-la senão seu doce carrasco? Quem mais poderia amá-la, trazer-lhe o amor do qual provou apenas uma vez? Ninguém a não ser seu guardião, seu amigo, seu maior ídolo.
Jacy se decidiu mais uma vez pela manhã. Sabe que terá que esperar muito tempo para que seu noivo possa desposá-la novamente. Mas sabe que quando estiver com pelo menos seus 14 anos de idade, reencontrará seu amado. Seja ele visto como o carrasco que forçou um estrangeiro ninho em sua barriga, ou como o príncipe que lutou contra os ideais convencionais do nosso tempo para amar... Jacy sabe que o ama e que é recíproco.
De verdade era a dúvida de Jacy. Não conseguia acalentar seus desejos, já não tinha perturbações com a morte da sua infância. Seu corpo obedecia às regras da vontade, mesmo que fétidas. Aliás, a podridão das suas volições era o que movia seu prazer, o que deixava suas coxas úmidas, suas canelas bambas e seus pés se contorcendo. À medida em que a sua incerteza aumentava, seus dedos estalavam mais, e suas canelas ficavam mais fracas, e suas coxas mais embebidas.
Tornou-se mulher por arbitrariedade. Decidiu no uni-duni-tê, porque não tinha tempo pra mais indecisão... Ela precisava amar. Se armou de todas as formas: brincos argola, pulseiras doiradas, batom vermelho carnal, lápis de olho e só; ela não sabia como fazer o resto, não tinha aprendido ainda.
Na madrugada das 22h, Jacy decide não ter mais dúvidas. Afinal de contas, quem poderia usurpá-la senão seu doce carrasco? Quem mais poderia amá-la, trazer-lhe o amor do qual provou apenas uma vez? Ninguém a não ser seu guardião, seu amigo, seu maior ídolo.
Jacy se decidiu mais uma vez pela manhã. Sabe que terá que esperar muito tempo para que seu noivo possa desposá-la novamente. Mas sabe que quando estiver com pelo menos seus 14 anos de idade, reencontrará seu amado. Seja ele visto como o carrasco que forçou um estrangeiro ninho em sua barriga, ou como o príncipe que lutou contra os ideais convencionais do nosso tempo para amar... Jacy sabe que o ama e que é recíproco.
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