Escritas

A bolha

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A bolha onde vivo
É estranha e complexa
Por vezes piso cacos de vidro
Mas vivo sem ter pressa

Pressa talvez tenha de fugir
Para um sitio onde nada em mim faleça
Fundir o meu corpo e alma
Num sítio onde apenas o sol me conheça

Queria correr descalço em busca da verdade
Pensar em mil e uma maneiras de combater toda a maldade
Sentir-me vivo talvez, se possível com alguma vaidade

Como será o aroma das rosas longínquas
Tocar em seus espinhos e sentir suas lágrimas nos dedos
Mórbidos, constantes, frágeis que nem brinquedos

Observar uma ave e ver como voa
Quem me dera ser livre assim
Desprendido de uma mágoa
Que me deixasse sair daqui

Mas ficarei neste ambiente tristonho
Se possível a dormir
Onde a maior liberdade é o sonho
De um dia daqui partir