Escritas

Solilóquio Adormecido

Rafael Ruiz Zafalon de Paula
Revirei gavetas pelo telegrama
Solilóquio lhe bastava
Novidade alguma lhe cativava
Pequerrucho garoto de programa

Findou-me num anagrama
Contei-lhe o quão amava
Espinhaço mal o botequim avistava
Dígitos vãos no anteprograma

E nada importava, então adormeço
Busco no leito aborto
Dos versos tortos
Amores mórbidos
Mas sempre acaba
Enlaço num porto
Desafio o corvo
Doloroso neste corpo
Mas sempre acaba
Despertados os olhos e estou de volta.