Soneto Pulsante
Rafael Ruiz Zafalon de Paula
Velavam os pés áridos
Beijavam os calejados dedos
Incitavam os quietos medos
Sepultavam os sonhos ávidos
Naquele alpendre tímido
Memória um pouco turva
A criançada e a uva fora da curva
Semeadas no seio do pinho úmido
Não era um sonho
Posto que nada dormi naquela noite
Era estória batendo à porta
Tampouco verso enfadonho
Naquele doloroso amor em açoite
Anoiteceram meus olhos pela aorta.
Beijavam os calejados dedos
Incitavam os quietos medos
Sepultavam os sonhos ávidos
Naquele alpendre tímido
Memória um pouco turva
A criançada e a uva fora da curva
Semeadas no seio do pinho úmido
Não era um sonho
Posto que nada dormi naquela noite
Era estória batendo à porta
Tampouco verso enfadonho
Naquele doloroso amor em açoite
Anoiteceram meus olhos pela aorta.
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