Escritas

O poema mais lindo do mundo

Rafael Ruiz Zafalon de Paula
Ao ostracismo proclamado
Naquele poço tão sombrio 
O criado, afônico, viu-o rompido
Nos urros do poeta prolixo 
Num pranto ao seio, esboçado
Traçado gélido, instintivo

Um papel amassado 
no fundo da lata de lixo
Sujo, coberto de bichos
ninguém sabe o que está escrito

Nele ao olho, nada é legível
Porém, o sentido é explícito
Um papel rasgado, expurgado 
Esquecido por tudo e todos

O poema mais lindo do mundo.