árvore sapiens
Éder Costa
Minha alma tá em carne viva
Meu espírito, a flor da pele
Meu corpo que não suporta
Prefere minha mente etérea
A semente no caminho a ave de rapina comeu
Estranhei, pois se é sabido que tal coisa não é alimento seu
Tornei a jogar sementes, já que para isso estou eu, eu.
Lancei o mais distante que pude, com vagem e talos enfim
Mas vi a terra rachar, era fogo que não tinha mais fim, as chamas saiam do olhar do homem que olhava pra mim
Te digo e espero tocar-te, sutil quanto o beija flor colibri
Há duzentos anos me situo aqui
e maldade igual nunca vi!
Tudo bem não querer prosperar.
Mas homem, qual é o mal que as plantas oferecem a ti?
Te sou sombra, te dou fruto, te dou ar. Por quê fazes tantas maldades a mim?
Lancei-me contra o fogo eriçado, com minhas folhas, e galhos, e orvalhos e restou pouca coisa de mim... agora, rebroto intrigado...se eu vim primeiro, por que o homem é assim!?
Suponho que ele é mau educado e sua ignorância não tem fim.
Tudo, tudo começou no passado, onde, reescreveram um deus sem mim.
Homem bobo, ingênuo e macabro;
Não veem no átomo que eu sou Deus e seu fim!
Me recordam do símio,
seu primo o macaco
Que se cismo e me quebro um galho
Fica iminente seu fim.
Humanidade tão triste e cansada
Te abraço e te amo mesmo assim
Te vi nascer, rastejar e andar e agora atiram fogo em mim
Te acolho como acolho os pássaros que se perdem mas sempre voltam pro ninho e mesmo que me troquem por cimento e asfalto, minhas sementes ainda vão brotar por aí
Vão crescer fortes,
darão copas e cachos pros que vierem voltarem a sorrir.
Estas cinzas que agora me pendem dos brotos, nalguma gota de chuva vão cair. Longe ou perto, não importa, em algum lugar estará sempre la vie à guérir.
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