A ENTREVISTA
A ENTREVISTA
I
Não sei se era teu seio ilha encantada ..
Paraíso de canto,
De perfume, d`amor e formosura..
Se um templo à beira-mar... Um templo santo.
De luz e aroma cheio...
Não sei ... Pois sabe alguém sua ventura?
Não dormia embalada no teu seio
Minh'alma sossegada.
II
Um suspiro prece...
Leva-os o vento pela noite escura!
Sonho! Um sonho que esquece!
Mas não se esquece o sonho da ventura!
Que fantasma nos brada avante avante,
Esquecer! Esquecer!
O coração não quer! Não quer ... Não pode!... Luta vacilante!
Onde teve seu ninho e seu amor,
Aí há-de ficar, pairar no céu deserto,
Ave eterna de dor
III
-Nunca mais! Nunca mais!
Que diz a onda à praia? Há um destino
Triste partido, em seu gemer divino,
E um mistério infeliz naqueles ais!
- Nunca mais! Nunca mais!
- E o coração que diz às mortas flores
- Do seu jardim d'amores?
- Como a onda jamais!
VI
Se eu pudesse sonhar ? Ah ! Posso ainda
Sonhar... se for contigo!
Sempre! Sempre a meu lado, imagem linda...
A noite é longa... Vem falar comigo!
Estende os teus cabelos...
O céu da tua Itália, não, não brilha
Como brilham meus sonhos, vagos, belos,
Se me falas à noite em sonhos, filha!
V
Levaram-te! Levou-te a onda dos mares!
A asa da águia! O vento!
Geme cativa- Chora sem alento,
Pomba d`amor, saudosa dos teus lares !
Teu ninho agora , é triste, glacial...
Um leito conjugal!
Antes a terra escura, pobre escrava,
Aonde-sob a abóbada sombria-
Tua alma os voos livres entendia...
E o coração amava!
Angelo Poliziano, Poeta Italiano (1459-1494)
Edgar Allan Poe "The Assignation"
Traduçao de: Antero de Quental
-A Entrevista-
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