Escritas

O perdão

Lara Ramos de Carvalheira
Não te pedi perdão,
Tu deste-mo.
Não engoli o meu orgulho,
desta vez,
deste-mo à boca e fizeste-me saboreá-lo
até se tornar acre e insuportável.
Não pedi desculpa
esqueci-me de como fazê-lo,
ceguei, cegaste-me.
Não falámos do assunto
e agora vai ficar eternamente
na ferida do meu ego
aqueles dias em que nos esquecemos
de como eramos amigos
de como eramos um e apenas um.

Agora somos dois.
Em breve seremos um e meio.
Quando dermos por nós...
somos um e apenas um.